Deus me Dibre
·26 de julho de 2026
O discurso não entra em campo

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·26 de julho de 2026

O Cruzeiro perdeu mais do que três pontos para o Botafogo. Perdeu confiança, perdeu repertório e, ao que tudo indica, perdeu mais um jogador importante. A lesão de Sinisterra é um golpe duro para um elenco que já havia sido atingido pela gravíssima contusão de Gabriel Pec. Se a previsão se confirmar, o colombiano também ficará fora dos confrontos contra o Flamengo, pela Libertadores, e diante da Chapecoense, pela Copa do Brasil, diminuindo ainda mais as opções ofensivas da equipe.
E é justamente nesse momento que a entrevista de Pedrinho ganha ainda mais peso. O dono da SAF deixou claro que não pretende fazer novos investimentos pesados, argumentando que o clube já havia feito um grande aporte na contratação de Gabriel Pec e que, agora, será preciso confiar nas peças que já fazem parte do elenco.
O problema é que o discurso não entra em campo.
Bruno Rodrigues e Marquinhos receberam uma oportunidade rara como titulares e não corresponderam. Mas seria injusto colocar a derrota apenas na conta deles. O Cruzeiro foi mal do primeiro ao último minuto. Faltou intensidade, faltou criatividade, faltou organização e sobrou dificuldade para criar qualquer perigo real ao Botafogo.
Arthur Jorge também tem responsabilidade no resultado. A escalação de um time extremamente ofensivo, sem que houvesse construção de jogadas, expôs justamente o principal problema da equipe. O treinador abriu mão de um jogador como Lucas Silva, que poderia dar equilíbrio ao meio-campo, aumentar o poder de marcação e, ao mesmo tempo, oferecer qualidade na saída de bola. O Cruzeiro ficou sem proteção e, pior, sem ideias.
As alterações durante a partida também não surtiram efeito. Nenhuma delas mudou o panorama do jogo. As trocas de laterais passaram despercebidas e a entrada de Wanderson acabou sendo um equívoco tático, sem acrescentar profundidade, criatividade ou poder ofensivo. O time continuou previsível e incapaz de pressionar um Botafogo que administrou a vantagem sem grandes dificuldades.
É justamente aí que mora a preocupação. Não é apenas a ausência dos lesionados. É a falta de resposta de quem fica. Um elenco que quer disputar títulos precisa mostrar que consegue sobreviver aos desfalques. Hoje, o Cruzeiro mostrou exatamente o contrário.
A diretoria pode decidir não contratar mais ninguém. É uma estratégia financeira compreensível. Mas, se essa for realmente a decisão, alguém dentro do elenco precisa assumir a responsabilidade. Porque, até aqui, as oportunidades dadas aos reservas não têm sido transformadas em desempenho. E, quando os titulares caem pelo caminho, não basta vestir a camisa. É preciso provar, dentro de campo, que o Cruzeiro continua competitivo.
Angel Drumond







































