Calciopédia
·13 de julho de 2026
O espanhol Pepe Reina defendeu quatro clubes italianos e foi campeão pelo Napoli

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Em 11 de julho de 1982, em Madri, foi disputada a final da Copa do Mundo vencida pela Itália sobre a Alemanha Ocidental, coroando uma campanha memorável de Paolo Rossi e companhia. Pouco mais de um mês depois, em 31 de agosto, na mesma capital espanhola, que ainda respirava futebol após o Mundial, nascia Pepe Reina. O goleiro veio ao mundo cercado pelo esporte não apenas pelo momento histórico, mas principalmente por ser filho de Miguel Reina, arqueiro que iniciou a carreira profissional no Córdoba, passou por Barcelona e Atlético de Madrid e chegou a ser convocado para a Copa do Mundo de 1966. Apesar disso, sua estreia pela seleção espanhola aconteceria apenas em 1969, anos antes do nascimento de Pepe.
José Luis Reina, o Pepe, começou a jogar futebol em uma escolinha de Boadilla del Monte, na região metropolitana de Madri. Ainda aos 13 anos, porém, transferiu-se para as categorias de base do Barcelona, seguindo os passos do pai não apenas pelo clube que também defendera, mas pela posição. Desde cedo, sabia que queria ser goleiro. Após passar por todas as categorias de La Masia, passou a integrar o elenco do Barça C e depois do time B, onde se firmou como titular ainda aos 17 anos e começou a chamar cada vez mais atenção.
A oportunidade na equipe principal veio na temporada seguinte. Embora permanecesse como titular do Barcelona B, Reina passou a ser relacionado para os jogos do elenco principal e ficou no banco de reservas até novembro de 2000. Aos 18 anos, em uma partida contra o Celta de Vigo, por La Liga, precisou substituir Richard Dutruel aos 49 minutos de jogo e fez sua estreia na primeira divisão espanhola. Daquele momento em diante, somou mais 18 partidas no campeonato e assumiu a titularidade do Barça tanto na reta final da campanha da Copa Uefa quanto na Copa do Rei, deixando de atuar apenas no jogo de volta das semifinais desta última competição.
Apesar de ter encerrado 2000-01 como integrante do onze inicial blaugrana, Reina viu o cenário mudar na temporada seguinte. O Barcelona contratou o argentino Roberto Bonano, que assumiu a condição de titular, embora o jovem espanhol ainda encontrasse espaço em algumas partidas de La Liga e da Liga dos Campeões.
Na temporada seguinte, entretanto, Reina foi emprestado ao Villarreal, que buscava um reserva para Javier López Vallejo. O jovem goleiro chegou ao Submarino Amarelo ganhando o status de titular e rapidamente confirmou a confiança depositada nele, tornando-se um dos pilares da equipe.
Durante sua passagem pelo Villarreal, conquistou duas Copas Intertoto, em 2003 e 2004 – sendo decisivo em uma das finais, contra o Atlético de Madrid, ao defender um pênalti na partida de volta – e viveu uma temporada histórica em 2004-05. Titular durante todos os minutos da campanha da equipe em La Liga, ajudou o clube a alcançar, até então, sua melhor campanha no Campeonato Espanhol: a terceira colocação que garantiu-lhe pela primeira vez uma vaga na Liga dos Campeões.
O excelente desempenho no Villarreal também lhe rendeu as primeiras convocações para a seleção espanhola e sua primeira partida como titular pela Roja, em agosto de 2005, pouco antes de dar um dos passos mais importantes de sua carreira. Apesar de ter ajudado o Villarreal a conquistar a inédita classificação para a Liga dos Campeões, Reina não chegaria a disputar a competição pelo clube. Seu destino seria justamente o campeão europeu daquele ano: o Liverpool.
Embora Jerzy Dudek tivesse entrado para a história como um dos heróis do Milagre de Istambul diante do Milan, Rafa Benítez não depositava total confiança no goleiro polonês. Conhecedor das qualidades de Reina desde os tempos de futebol espanhol, o treinador espanhol insistiu em sua contratação, e a diretoria dos Reds atendeu ao pedido ao desembolsar cerca de 6 milhões de libras – uma quantia bastante elevada para um goleiro na época – para tirar o compatriota do comandante do Villarreal.
Após ir bem por Barcelona, Villarreal e Liverpool, Reina chegou à Itália e ganhou título em seu primeiro ano pelo Napoli (Getty)
Contudo, sua trajetória em Anfield começou com um desafio incomum. Apesar de ser o atual campeão europeu, o Liverpool não havia conseguido classificação para a Liga dos Campeões por meio da Premier League. Naquele período, o regulamento ainda não previa uma vaga automática ao vencedor do torneio continental, obrigando a Uefa a criar uma solução excepcional para permitir que os Reds defendessem o título. Assim, a equipe inglesa precisou disputar os playoffs da competição. Foi justamente nesse contexto em que Reina fez sua estreia pelo clube.
As primeiras partidas do goleiro com a camisa do Liverpool, portanto, aconteceram nos playoffs da Liga dos Campeões. O desfecho foi positivo: os Reds garantiram a classificação para a fase principal e puderam iniciar a defesa do título europeu. Pouco depois, veio também a primeira conquista de Reina pelo clube. Titular absoluto, participou da campanha que terminou com o título da Supercopa Uefa, conquistada diante do CSKA Moscou, consolidando rapidamente seu espaço na equipe comandada por Benítez.
Em uma temporada na qual disputou praticamente todos os jogos como titular, Reina também viveu momentos marcantes. Os brasileiros, especialmente os são-paulinos, certamente se lembram de sua participação no Mundial de Clubes, quando esteve em campo na decisão vencida pelo São Paulo. Naquela final, o grande destaque acabou sendo justamente o goleiro adversário, Rogério Ceni, eleito o melhor jogador da partida e também do torneio.
Ainda assim, a temporada foi bastante positiva para o Liverpool. Os Reds terminaram a Premier League na terceira colocação e Reina encerrou o campeonato como o goleiro menos vazado, registrando 20 clean sheets – um recorde do clube na era Premier League até então. Além disso, conquistou a FA Cup, em uma decisão que entraria para a história como a “Gerrard Final”.
A final, porém, foi marcada por uma atuação de contrastes do goleiro espanhol. Durante o tempo regulamentar, falhou claramente em um dos gols do West Ham e também teve participação nos outros dois: em um deles, saiu de forma questionável do gol; no outro, foi surpreendido pela conclusão adversária. Nos pênaltis, entretanto, mostrou novamente uma das principais características de sua carreira. Já reconhecido pela habilidade nas cobranças, defendeu três das quatro batidas dos Hammers e foi decisivo para garantir o título, conquistando assim seu primeiro troféu nacional.
Antes mesmo do fim daquela temporada, Reina disputou sua primeira grande competição internacional pela seleção espanhola. Convocado para a Copa do Mundo de 2006, passou todo o torneio no banco de reservas, enquanto Iker Casillas seguia como titular absoluto da Roja, eliminada nas oitavas de final.
A condição de suplente na seleção se tornaria uma constante em sua carreira. Ainda assim, Reina jamais demonstrou incômodo com esse papel. Pelo contrário: tornou-se uma das principais lideranças do grupo, exercendo enorme influência nos bastidores e ajudando a construir um ambiente que seria fundamental para as conquistas dos anos seguintes.
Na temporada 2006-07, voltou a ser titular absoluto do Liverpool e, mais uma vez, terminou a Premier League como o melhor goleiro da competição. Também foi um dos destaques da campanha que levou os Reds à final da Liga dos Campeões, competição em que seu caminho se cruzaria pela primeira vez de forma marcante com o futebol italiano, que mais tarde passaria a ocupar um papel central em sua carreira.
O goleiro espanhol teve duas passagens pelo Napoli e foi querido pela torcida local (Getty)
O adversário era novamente o Milan. Dois anos depois do histórico “Milagre de Istambul”, os Reds e os rossoneri voltavam a decidir a principal competição europeia. Agora, cabia a Reina ocupar o lugar que antes pertencera ao herói Dudek. Desta vez, porém, a história foi diferente. O Diavolo levou a melhor na revanche, em Atenas, e ficou com o título europeu, enquanto o Liverpool encerrou a temporada com o vice-campeonato. Assim, a Community Shield, conquistada em agosto diante do Chelsea, acabou sendo o único troféu do time de Pepe naquela campanha.
A derrota em Atenas marcou o início de um período de escassez de títulos para o Liverpool. Individualmente, porém, Reina seguiu em alta. Na temporada 2007-08, conquistou pela terceira vez consecutiva a Luva de Ouro da Premier League, consolidando-se como um dos melhores goleiros do futebol inglês.
O desempenho também lhe garantiu uma nova convocação para a seleção espanhola, agora para disputar a Eurocopa de 2008. Mais uma vez, Casillas permaneceu como titular, mas Reina encarou a situação com a mesma postura que já demonstrara anteriormente. Mesmo aos 25 anos, era um dos líderes do elenco e desempenhava um papel importante fora das quatro linhas, contribuindo para manter o ambiente leve com seu bom humor e sua personalidade descontraída.
A Euro de 2008 representou o primeiro título da geração mais vitoriosa da história da seleção espanhola. Embora não tenha entrado em campo durante a campanha, Reina tornou-se um dos personagens mais lembrados das comemorações. Carismático, assumiu espontaneamente o papel de mestre de cerimônias durante a festa do título, conduzindo as celebrações e reforçando uma imagem que o acompanharia durante muitos anos na Roja.
Reina seguiu como titular absoluto do Liverpool nas temporadas seguintes, mantendo o alto nível de atuações e garantindo presença constante nas convocações da seleção espanhola. Assim, esteve nos elencos campeões da Copa do Mundo de 2010 e da Eurocopa de 2012. Em ambas as competições voltou a ser reserva, mas continuou exercendo uma função considerada essencial dentro do grupo.
Mais do que um simples terceiro goleiro, Reina era uma das lideranças daquele elenco. Seu papel na integração dos jogadores e no ambiente do vestiário foi frequentemente destacado por companheiros como Cesc Fàbregas e David Villa, um de seus amigos mais próximos na seleção, que chegou a dedicar gols ao goleiro em algumas ocasiões. Depois das conquistas, também se tornou tradição vê-lo conduzir a apresentação dos campeões durante as comemorações, consolidando definitivamente sua figura como o “mestre de cerimônias” da Roja.
Já o Liverpool passou a enfrentar um período de resultados abaixo das expectativas, que culminou na troca de treinadores. Ainda assim, Reina seguiu como uma das referências da equipe. Sob o comando de Kenny Dalglish, conquistou seu último título pelos Reds: a Copa da Liga Inglesa da temporada 2011-12.
Mesmo durante a fase menos vitoriosa do clube, o goleiro manteve a condição de titular. Nem a chegada de Brendan Rodgers, que assumiu o comando da equipe em 2012-13, alterou imediatamente esse cenário. A situação só mudou na temporada seguinte, quando o Liverpool contratou Simon Mignolet para disputar a posição. De olho na Copa do Mundo de 2014 e determinado a seguir como titular em seu clube, Reina passou a considerar uma saída. O Liverpool, por sua vez, também via com bons olhos uma negociação, tanto pela concorrência criada no elenco quanto pelas questões financeiras.
No fim de sua segunda passagem pelos azzurri, Pepe teve queda de rendimento e começou a falhar de forma recorrente (Getty)
Assim, na temporada 2013-14, a mesma que antecedeu o Mundial do Brasil, Reina desembarcou no futebol italiano para defender o Napoli por empréstimo. A mudança representava também o reencontro com Benítez, treinador com quem vivera os melhores anos de sua carreira no Liverpool.
Apesar da contratação de Rafael Cabral, Reina assumiu rapidamente a titularidade da equipe napolitana. Estreou na vitória por 3 a 0 sobre o Bologna e, ao longo da temporada, consolidou-se como um dos pilares do time. Sua conhecida habilidade para defender pênaltis voltou a ganhar destaque quando interrompeu uma impressionante sequência de Mario Balotelli, que havia convertido suas 21 cobranças anteriores. Na vitória por 2 a 1 sobre o Milan, Reina defendeu a cobrança do atacante italiano, que desperdiçou um pênalti pela primeira vez na carreira.
Além dos momentos individuais, o goleiro teve participação importante na campanha do Napoli na temporada. O time terminou a Serie A na terceira colocação, garantindo vaga nos playoffs da Liga dos Campeões, e conquistou a Coppa Italia, torneio em que Reina participou de toda a campanha, ficando fora apenas da partida das oitavas de final.
O bom desempenho também lhe assegurou presença em mais uma Copa do Mundo. Convocado para o Mundial de 2014, no Brasil, Reina integrou o elenco da Espanha que buscava defender o título conquistado quatro anos antes. A campanha, contudo, esteve muito longe das expectativas. Eliminada ainda na fase de grupos, a Roja se despediu precocemente da competição.
Apesar da frustração coletiva, o torneio proporcionou um momento marcante para o goleiro. Em sua terceira participação em Copas do Mundo, finalmente teve a oportunidade de entrar em campo. Com a Espanha já eliminada, após derrotas para Holanda e Chile, Atuou na vitória sobre a Austrália, na última rodada da fase de grupos, naquela que seria sua única partida em Mundiais.
Encerrado o empréstimo ao Napoli, Reina retornou ao Liverpool apenas de forma protocolar. Sem espaço nos planos do clube inglês, acabou negociado com o Bayern de Munique, que buscava um reserva experiente para Manuel Neuer. A transferência foi concluída por cerca de 3 milhões de euros.
Na Alemanha, porém, a condição de reserva era inevitável. Diante da presença de Neuer, considerado um dos melhores goleiros do mundo, Reina disputou apenas três partidas pelos bávaros. Sempre que foi acionado, correspondeu, encerrando sua breve passagem sem sofrer gols e conquistando o título da Bundesliga. O pouco espaço em Munique, entretanto, reforçou sua vontade de voltar a jogar com regularidade. A oportunidade surgiu justamente no Napoli, que decidiu contratá-lo em definitivo por aproximadamente 2 milhões de euros.
De volta ao clube italiano, agora sob o comando de Maurizio Sarri, Reina reassumiu imediatamente a condição de titular. O time passou a viver um dos períodos mais marcantes de sua história recente, praticando um futebol elogiado e protagonizando disputas acirradas pelo scudetto. Ainda assim, parecia esbarrar sempre no mesmo obstáculo: a Juventus.
Reina foi reserva de Donnarumma no Milan e atuou muito pouco pelos rossoneri ao longo de um ano e meio (Getty)
Com Reina no gol, o Napoli acumulou campanhas memoráveis na Serie A. Em 2015-16, foi vice-campeão e, no ano seguinte, terceiro colocado; nas copas, os resultados não foram tão bons e a trajetória mais interessante foi a que levou os azzurri às semifinais da Coppa Italia, em 2017. Nesse período, o espanhol alternou algumas defesas memoráveis a falhas. Os erros acabaram ficando em segundo plano muitas vezes, pois o arqueiro havia conquistado o carinho da torcida.
O ponto mais alto da segunda passagem de Reina pelo Napoli viria em 2017-18, quando os campanos terminaram o campeonato com 91 pontos – correspondentes à maior pontuação de um segundo colocado na história do Italiano. Apesar da marca expressiva, a equipe novamente ficou atrás da Juventus. Aquela também seria a última temporada do goleiro com a camisa partenopea.
O destaque no Napoli recolocou Reina na seleção espanhola. Ausente da Eurocopa de 2016, Pepe voltou a ser convocado para a Copa do Mundo de 2018, agora como um dos jogadores mais experientes do elenco. Mesmo com a aposentadoria de Casillas da seleção, a titularidade passou para David de Gea, mantendo Reina mais uma vez na reserva. A Espanha acabou eliminada nas oitavas de final, pela anfitriã Rússia.
A temporada 2018-19 marcou uma nova mudança em sua carreira. Enquanto Sarri deixava o Napoli para assumir o Chelsea, Reina encerrava sua passagem pelo clube após 182 aparições e alguns atritos com o presidente Aurelio De Laurentiis. Livre no mercado, aceitou o projeto do Milan. No clube rossonero, o cenário era bastante diferente daquele encontrado em Nápoles. Gianluigi Donnarumma já era visto como o presente e o futuro da posição, e a diretoria enxergava em Pepe um goleiro capaz de oferecer experiência tanto dentro quanto fora de campo. Prestes a completar 36 anos, o espanhol assinou contrato ciente de que seria reserva.
Foi exatamente esse o papel que desempenhou. Atuou pouco pela equipe principal e teve sua maior sequência de jogos na Liga Europa, competição em que disputou todos os compromissos do Milan na fase de grupos. A chave era bem acessível – tinha Betis, Olympiacos e o luxemburguês Dudelange, autêntico sparring dos adversários – mas a campanha terminou com a eliminação precoce dos rossoneri, que ficaram atrás dos espanhóis em pontuação e dos gregos no saldo de gols, devido à derrota por 3 a 1 no jogo de volta, em Atenas.
Com apenas 12 partidas pelo Milan, Reina permaneceu no clube para a temporada 2019-20. Entretanto, voltou a ter poucas oportunidades e disputou apenas um jogo pela Serie A, num triunfo por 2 a 1 sobre o Genoa. A partida acabou sendo um retrato de sua passagem pelo clube. O espanhol falhou no gol adversário, engolindo um peru na cobrança de falta de Lasse Schöne. Depois da virada rossonera, cometeu um pênalti sobre Christian Kouamé nos minutos finais e conseguiu se redimir ao defender a cobrança daquele que havia sido seu algoz na etapa inicial, garantindo a vitória do time lombardo.
Mesmo assim, a falta de minutos em campo passou a incomodá-lo. Em entrevista à Sky Sports, o próprio goleiro afirmou sentir necessidade de jogar e de “se sentir útil”. Diante desse cenário, em janeiro de 2020 acertou seu empréstimo ao Aston Villa, que buscava um goleiro experiente para a reta final da Premier League. O retorno ao futebol inglês foi breve, mas importante. Reina disputou 12 partidas até o encerramento da temporada, antes de retornar ao Milan ao fim do empréstimo.
A volta ao clube italiano, porém, durou pouco. Em comum acordo com a diretoria, rescindiu seu contrato e acertou sua transferência para a Lazio de maneira gratuita, no fim de agosto de 2020. O técnico Simone Inzaghi havia solicitado a contratação de um goleiro experiente para disputar posição com Thomas Strakosha, e viu em Reina o nome ideal para cumprir esse papel.
O espanhol chegou à Lazio para ser reserva, mas acabou assumindo a titularidade por um longo período (Getty)
Inicialmente, o espanhol começou como reserva. No entanto, uma lesão do albanês abriu espaço para que assumisse a titularidade, posição que manteve até o fim de 2020-21. Com atuações seguras, ajudou a equipe celeste a garantir uma vaga na Liga Europa devido ao sexto lugar na Serie A. Naquela temporada Pepe também fez seus últimos jogos pela Champions League, competição que a Lazio disputou até a queda nas oitavas, contra o Bayern de Munique.
A sequência como titular reacendeu a esperança de voltar à seleção espanhola. Aos 38 anos, Reina ainda alimentava a expectativa de convencer Luis Enrique a levá-lo para a Eurocopa de 2020, disputada no ano seguinte em razão do adiamento provocado pela pandemia de covid-19. A convocação, entretanto, não veio, confirmando que o goleiro havia deixado definitivamente o radar da Roja após tantos anos de serviços prestados.
Na temporada seguinte, a Lazio também passou por mudanças. Inzaghi deixou o clube para assumir a Inter, enquanto Sarri chegava a Roma. O reencontro entre treinador e goleiro parecia promissor. Afinal, haviam trabalhado juntos no Napoli durante um dos melhores momentos da história recente do clube. O comandante voltou a confiar em Reina e lhe deu sequência entre os titulares no início de 2021-22. Com o passar dos meses, porém, a idade começou a pesar. O espanhol passou a alternar boas atuações com partidas menos seguras e com falhas mais recorrentes. Dessa maneira, Strakosha retomou a titularidade após a 15ª rodada da Serie A.
Os dois últimos jogos de Reina pela Lazio aconteceram pela Coppa Italia. O derradeiro dos 54 pelos capitolinos foi contra o Milan, em fevereiro de 2022, quando os biancocelesti acabaram derrotados por 4 a 0 pelo antigo clube do goleiro. Sem espaço em Roma, Reina optou por não ativar uma cláusula contratual que lhe permitia renovar o contrato automaticamente por um ano em caso de classificação a competições continentais – e os aquilotti, que ficaram na quinta colocação da Serie A, haviam obtido esse lugar. Pepe, contudo, decidiu trilhar um caminho cada vez mais raro no futebol moderno.
Em vez de buscar um contrato financeiramente mais vantajoso, o arqueiro decidiu retornar ao Villarreal, clube onde sua carreira havia dado o salto definitivo duas décadas antes. O Submarino Amarelo procurava um reserva experiente para Gerónimo Rulli e encontrou no espanhol um jogador capaz de oferecer segurança quando necessário, além de contribuir com sua liderança dentro do elenco. Para Reina, era também a oportunidade de voltar para casa e encerrar a carreira no clube que o projetara para o futebol europeu.
Em seu retorno ao Villarreal, começou novamente no banco de reservas. Aos poucos, porém, ganhou espaço, sobretudo pelas boas atuações na Conference League. A confiança aumentou ainda mais após a saída de Rulli para o Ajax, o que abriu caminho para que Reina assumisse a titularidade em 2022-23.
O veterano correspondeu. Participou da campanha que terminou com o Villarreal na quinta colocação de La Liga, garantindo vaga na Liga dos Campeões, e teve seu contrato renovado. Durante esse período, alcançou outra marca expressiva: os mil jogos como profissional. O feito foi celebrado antes da partida contra o Cádiz, penúltima da temporada, em uma homenagem organizada pelo clube.
Na temporada 2023-24, entretanto, seu papel voltou a mudar. Reina passou a atuar prioritariamente na Liga Europa, enquanto o jovem Filip Jörgensen assumia a titularidade em La Liga. Ao fim da campanha, o espanhol havia disputado apenas 11 partidas. Tudo indicava que sua despedida dos gramados aconteceria justamente no Submarino Amarelo. Mas, sem renovar com o Villarreal, entendeu que ainda não era o momento de encerrar a carreira e passou a procurar um novo desafio. Com quase 42 anos.
Pepe encerrou a carreira com a camisa do Como e se despediu do futebol com expulsão na última rodada da Serie A (Getty)
Foi então que recebeu um convite do amigo Cesc Fàbregas para integrar o ambicioso projeto do Como, recém-promovido à Serie A e disposto a combinar juventude e experiência em seu elenco. Além de Reina, outros nomes de peso, como Raphaël Varane, também abraçaram a proposta do clube lombardo.
O goleiro iniciou a temporada 2024-25 como titular e esteve em campo, por exemplo, na eliminação para a Sampdoria, nos pênaltis, pela Coppa Italia – justamente um fundamento que durante tantos anos havia sido uma de suas maiores especialidades. Entretanto, uma sequência de atuações irregulares nas primeiras rodadas da Serie A fez com que começasse a dividir a tarefa com Emil Audero. No fim das contas, ambos perderam espaço para Jean Butez, adquirido pelos comascos em janeiro. O indonésio terminou emprestado ao Palermo; o espanhol ficou no banco. Ainda assim, Pepe voltou a ser utilizado em algumas partidas ao longo da campanha e chegou, inclusive, a usar a braçadeira de capitão.
Após uma temporada em que foi titular em aproximadamente um terço das partidas do Como, Reina anunciou, em maio de 2025, que encerraria sua carreira ao fim da temporada. Em entrevista ao canal Movistar+, revelou que a partida contra a Inter seria a última de sua trajetória como jogador profissional.
Com o Como já matematicamente garantido na Serie A, Fàbregas não teve dúvidas em escalar o amigo como titular na despedida, na última rodada do certame. A ideia era proporcionar ao veterano um encerramento à altura de uma carreira que atravessara mais de duas décadas no mais alto nível do futebol europeu. O roteiro, porém, reservou um desfecho inesperado: ainda no primeiro tempo, com os lariani atrás no placar, Reina saiu da área para tentar impedir o gol de Mehdi Taremi e acertou um carrinho no atacante iraniano, cometendo falta fora da área. Após revisão recomendada pelo VAR, o árbitro Davide Massa marcou a infração, que não havia assinalado antes, e expulsou o goleiro.
A cena acabou sintetizando um pouco da personalidade que o acompanhou ao longo da carreira. Enquanto deixava o gramado pela última vez como jogador profissional, Reina foi aplaudido de pé pelos jogadores e pelos torcedores do Como. E até pelos adversários nerazzurri – atletas inclusos. Todos reconheciam a trajetória construída ao longo de mais de mil jogos.
Poucos dias depois de anunciar sua aposentadoria, o espanhol deixou claro que sua ligação com o futebol estava longe de terminar. Em 2 de junho de 2025, foi anunciado como treinador da equipe sub-19 do Villarreal, voltando mais uma vez ao clube que marcou alguns dos momentos mais importantes de sua carreira, agora para iniciar um novo capítulo à beira do campo. Era mais uma demonstração de sua paixão pelo esporte. Reina sequer permaneceu um mês longe dos gramados antes de iniciar a carreira como técnico, dando continuidade a uma trajetória construída com longevidade, profissionalismo e espírito coletivo.
Embora jamais tenha alcançado o protagonismo de outros grandes goleiros de sua geração, Reina construiu uma carreira que dificilmente pode ser medida apenas pelas partidas disputadas ou pelos títulos conquistados. Sempre respeitado por companheiros e treinadores, tornou-se uma referência pela capacidade de fortalecer o ambiente dos elencos pelos quais passou e pela disposição em colocar o grupo acima das ambições individuais – ainda que, no fim de sua trajetória, algumas posições políticas controversas tenham feito com que parte dos amantes do esporte passasse a desenvolver certa antipatia por sua figura. Ainda assim, sua passagem pelo futebol permanece marcada pela longevidade, pela regularidade apresentada durante mais de duas décadas e pela confiabilidade que transmitiu às equipes que defendeu.
José Luis “Pepe” Reina Páez Nascimento: 31 de agosto de 1982, em Madri, Espanha Posição: goleiro Clubes: Barcelona (1999-2002), Villarreal (2002-05 e 2022-24), Liverpool (2005-13), Napoli (2013-14 e 2015-18), Bayern de Munique (2014-15), Milan (2018-20), Aston Villa (2020), Lazio (2020-22) e Como (2024-25) Títulos: Euro Sub-17 (1999), Copa Intertoto (2003 e 2004), Supercopa Uefa (2005), FA Cup (2006), Community Shield (2006), Eurocopa (2008 e 2012), Copa do Mundo (2010), Copa da Liga Inglesa (2012), Coppa Italia (2014) e Bundesliga (2015) Seleção espanhola: 36 jogos e 21 gols sofridos







































