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·03 de junho de 2026

O eterno lamento de Darío Silva

Imagem do artigo:O eterno lamento de Darío Silva

Darío Silva era um atacante infernal, desses que você sabe que te dariam trabalho tão logo seu nome era confirmado na escalação.

O uruguaio mulato, de cabelos tingidos de loiro, brilhou por Defensor e Peñarol antes de tentar a vida na Europa. Virou ídolo do Cagliari na Itália antes de passar por clubes da Espanha: Málaga, Espanyol e Sevilla. Pela seleção celeste, anotou no empate por 1 a 1 com o Brasil no Maracanã em 2000 pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 – uma campanha que recolocou os charrúas no torneio após as ausências em 1994 e 1998. Foram 14 gols em 49 jogos pela seleção nacional.


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Mas tudo isso acabou em 23 de setembro de 2006, depois de uma temporada de pouco brilho no Portsmouth.

Naquela noite, Darío Silva dirigia uma caminhonete pelas ruas de Montevidéu na companhia de dois ex-jogadores. Até que um acidente improvável pôs fim a sua carreira.

“Eu estava dirigindo na rodovia em velocidade moderada. Em certo ponto, procurando algo para comer, notei uma fatia de bolo que havia caído perto dos pedais. Me abaixei por um instante para pegá-la, mas nesse momento, perdi completamente o controle da caminhonete. Derrapei e bati no guardrail”, descreveu o uruguaio em entrevista ao jornal Gazzetta dello Sport em abril de 2026.

“Minhas pernas ficaram presas nos destroços. Depois de me libertar, consegui sair pela janela, mas depois disso não me lembro de mais nada. Fiquei em coma por dias. Minha perna direita ficou gravemente ferida; tive que amputá-la. Naquele momento, pensei que ia morrer”, completou.

Elbio Papa e Dardo Pereira, que estavam com Darío Silva no carro, escaparam com ferimentos leves. O atacante, por sua vez, foi hospitalizado e perdeu a perna direita, amputada logo abaixo do joelho. Só recebeu alta em 5 de outubro daquele ano. Aos 33 anos, sabia que não mais voltaria a jogar futebol.

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Tão logo saiu do hospital, tinha uma nova vida pela frente. O centro das atenções estavam na filha Elina, então com 9 anos, e Diego, que tinha 3 anos. O caçula só descobriu sobre o acidente aos 18 anos, pesquisando na internet.

“Meu filho ainda é muito novo. Quando eu jogo futebol, ele ri porque eu não consigo chutar a bola com meu pé direito. Minha filha é mais esperta e sabe o que aconteceu”, disse na época em entrevista ao site da Uefa. “Depois do acidente, eu fiquei muito triste porque Diego, meu caçula, não poderia me ver em um grande estádio, como ele costumava chamar. Agora isso não vai acontecer, e é algo que eu vou lamentar pelo resto da minha vida”, reforçou ao site da Fifa em 2008.

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Darío Silva disputa jogo beneficente em 2009 (Imagem: Reprodução, via GE)

Darío Silva só voltou ao futebol em 2009, mas apenas para uma partida beneficente – não foi em um grande estádio, mas atuou com uma prótese e marcou dols gols por um selecionado uruguaio diante de um selecionado argentino em Punta del Este.

Tentou também trabalhar como comentarista esportivo no Uruguai, mas a oportunidade não veio. Tentou também iniciar uma carreira no remo, mas ficou fora dos Jogos Paralímpicos de 2012, em Londres. Passou a dedicar-se às propriedades rurais e à criação de cavalos. Ainda assim, não se afastou do esporte, incluindo o paraciclismo na rotina.

Em 2019, Darío Silva foi visto trabalhando como garçom em uma pizzaria de Málaga (Espanha), fomentando rumores de dificuldades financeiras. Ele sempre negou.

“Depois de me aposentar do futebol, trabalhei em Málaga na pizzaria de um amigo. Tinha muitos lugares e precisava de funcionários, então me ofereci para ajudá-lo”, disse à Gazzetta dello Sport o ex-jogador, que atualmente trabalha como olheiro do Cádiz na América do Sul.

A transferência que quase se concretizou

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Imagem: Cagliari Calcio

Ídolo no Cagliari, onde ficou conhecido como Sa Pibinca (uma expressão em dialeto sardo de difícil tradução, mas que fazia referência à intensa movimentação do jogador em campo), Darío Silva esteve perto de jogar por alguns gigantes no fim da década de 1990.

“No ano em que subimos para a Série A com o Cagliari (1998), marquei 13 gols. Naquele verão, fui com a seleção do Uruguai para um torneio na Arábia Saudita, e um representante do Real Madrid veio me ver. Eles me queriam, mas acho que a transferência não se concretizou por questões burocráticas. No fim, assinei com o Espanyol”, relembra.

Mas o desfecho da negociação com o Real Madrid não é a maior frustração da carreira de Darío Silva. “Meu arrependimento é não ter ido para o Milan, o time para o qual sempre torci. Gullit e Van Basten eram meus ídolos”, diz.

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