O fato mais importante pra falar do jogo que classificou o Grêmio
O Grêmio está classificado para a semifinal do Campeonato Gaúcho. A vitória por 1 a 0 sobre o Novo Hamburgo confirmou o favoritismo, mas o desempenho deixou mais perguntas do que respostas na construção do time de Luiz Castro.
O gol da classificação saiu dos pés de Carlos Vinícius, em cobrança de pênalti sofrido por ele mesmo. O atacante vive fase impressionante: são 21 gols em 23 jogos, números que o colocam como protagonista absoluto da temporada gremista. Em volume de gols, já supera marcas recentes históricas do clube, ainda que o impacto técnico e simbólico seja um debate à parte.
O restante da partida foi controlado, mas sem brilho. O Grêmio preservou peças e apresentou variações na escalação, o que escancarou algumas escolhas do treinador. A principal delas é a situação de Tiaguinho. O meia atuou apenas 45 minutos no Grenal, teve desempenho abaixo e, desde então, desapareceu das opções — sequer entrando ao longo da partida. Mesmo com a ausência de Arthur, Luís Castro optou por Edenilson em uma função mais recuada, e depois por Jeffinho, ignorando novamente Tiaguinho. A decisão levanta questionamentos internos sobre o status do jogador no elenco.
Outro nome que segue em oscilação é Cristaldo. Após sumir das escalações depois do clássico, voltou a campo, mas teve participação discreta. A impressão é de um atleta que ainda não reencontrou seu papel no modelo do treinador.
Na frente, Roger teve atuação apagada e foi substituído no intervalo. O jovem segue em fase de amadurecimento e deve oscilar, algo natural no processo. Já Aravena voltou a ter desempenho abaixo pela ponta esquerda, enquanto Amuzu foi o jogador mais lúcido ofensivamente, articulando jogadas e dando dinâmica ao ataque.
No meio-campo, Noriega chamou atenção positivamente como primeiro volante, mesmo com a expulsão no final. Sua escalação é interpretada como um recado claro: Dodô perde espaço na hierarquia. O treinador parece priorizar um volante mais físico e posicionado.
A defesa foi pouco exigida, mas o goleiro Everton garantiu a classificação nos minutos finais ao salvar uma finalização cara a cara de Alisson, destaque do Novo Hamburgo. Se a bola entra, o jogo mudaria completamente de cenário.
O Grêmio não apresentou futebol exuberante, mas também não sofreu sustos graves. Foi uma vitória funcional contra uma equipe bem organizada por Rogério Zimmermann, técnico conhecido por montar times competitivos.
Mais do que a classificação, o que fica da partida é a sensação de que Luís Castro ainda está ajustando peças e definindo hierarquias. O time avança, mas o debate sobre escolhas, minutos em campo e protagonismo interno segue aberto.
O Grêmio está na semifinal. O desempenho ainda está em construção.