O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus | OneFootball

O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Calciopédia

Calciopédia

·24 de junho de 2026

O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus

Imagem do artigo:O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus

Alexander Manninger pertence a uma categoria específica de jogadores cuja importância nem sempre aparece de forma imediata ao se olhar apenas para os números. O goleiro austríaco jamais ocupou o centro absoluto das atenções no futebol, mas construiu uma carreira longa, respeitada e sustentada por algo que a elite do esporte costuma valorizar profundamente: a confiabilidade. Em diferentes contextos, países e vestiários, foi visto como um profissional seguro e preparado para assumir responsabilidades quando necessário. Não por acaso, passou boa parte da carreira em ambientes extremamente competitivos, cercado por arqueiros históricos e elencos de alto nível, mesmo sem carregar consigo a condição de estrela principal. Na Itália, passou por sete clubes, brilhando pelo Siena e sendo reserva de luxo na Juventus.

Nascido em Salzburgo, em 4 de junho de 1977, Manninger começou no Salzburg, clube de sua cidade natal, ainda no início da década de 1990. Seu desenvolvimento aconteceu em um período no qual o futebol austríaco buscava alguma modernização estrutural após o impacto internacional causado pela geração que havia disputado a Copa do Mundo de 1990. O país não vivia exatamente um grande momento técnico, mas seguia produzindo jogadores capazes de ocupar espaços relevantes em mercados maiores. No caso de Alex, o salto aconteceu cedo. Depois de estrear profissionalmente pelo time que, anos mais tarde, seria comprado pela Red Bull, ainda foi emprestado ao Vorwärts Steyr antes de ganhar destaque mais consistente no Grazer AK, durante a temporada 1996-97.


Vídeos OneFootball


Foi justamente no Grazer AK que começou a chamar atenção fora da Áustria. Jovem, ágil e dono de reflexos rápidos, transmitia uma segurança incomum para a idade. Em um momento em que os goleiros ainda eram muito avaliados pela imposição física e pela presença mais rígida dentro da área, Manninger aparecia como um arqueiro leve, de boa elasticidade e leitura de jogo bastante madura. Não demorou para que o arqueiro da seleção austríaca sub-21 despertasse interesse no exterior.

Em 1997, aos 20 anos, transferiu-se para o Arsenal, tornando-se o primeiro austríaco da história do clube londrino. A ida para a Inglaterra representava uma mudança gigantesca de contexto. Sob as ordens de Arsène Wenger, os Gunners ainda estavam no início de sua transformação cultural e esportiva. O treinador francês começava a implementar métodos que desafiavam o tradicionalismo inglês, principalmente ao redor da internacionalização do elenco e de um olhar diferente para jovens atletas.

Naquele período, porém, havia um obstáculo praticamente inevitável: David Seaman. O inglês era um dos grandes goleiros do futebol europeu e ocupava um espaço simbólico enorme dentro do clube e da seleção inglesa. Manninger chegou inicialmente para aprender e funcionar como alternativa de longo prazo, mas as circunstâncias acabaram acelerando seu processo de inserção.

A temporada 1997-98 mudaria completamente sua trajetória, não apenas em Londres, como talvez em sua carreira. Com Seaman lesionado, o jovem austríaco precisou assumir a meta do Arsenal em um momento decisivo da Premier League. O cenário era delicado. Os Gunners brigavam diretamente pelo título nacional e também seguiam vivos na FA Cup. Para um goleiro de apenas 20 anos, recém-chegado do futebol austríaco, a pressão poderia facilmente ter se tornado excessiva. O que aconteceu foi justamente o contrário.

Imagem do artigo:O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus

A Fiorentina foi a primeira equipe de Manninger na Itália, embora o goleiro tenha se arrependido da experiência (Allsport)

Manninger respondeu de maneira surpreendentemente segura. Em março de 1998, participou da vitória por 1 a 0 sobre o Manchester United em Old Trafford, resultado considerado um dos pontos de virada daquela campanha histórica do Arsenal. Além disso, viveu atuação marcante contra o West Ham na FA Cup, defendendo uma penalidade numa disputa que ajudou os londrinos a avançarem até as semifinais da competição e, posteriormente, ao título.

Seu desempenho naquele período foi tão sólido que o Arsenal conseguiu atravessar semanas decisivas sem sentir drasticamente a ausência de Seaman. O clube terminou a temporada conquistando a dobradinha Premier League e FA Cup, e Manninger teve participação real nessa caminhada. Ainda que não tenha atuado na final da copa, o goleiro austríaco ganhou reconhecimento interno pela naturalidade com que assumiu responsabilidades muito acima do esperado para sua idade.

David Seaman afirmou anos depois que Manninger entrou e fez as pessoas esquecerem dele por um tempo, destacando especialmente sua atuação contra o Manchester United. O próprio Arsenal, posteriormente, ressaltou que o austríaco merecia mais reconhecimento do que normalmente recebia, citando a sequência de clean sheets e sua capacidade de adaptação imediata ao futebol inglês. Nessa crescente, Alex estrearia pela seleção de seu país em 1999.

Ainda assim, a lógica natural da hierarquia logo se restabeleceu. Seaman retornou da lesão e recuperou a titularidade, enquanto Richard Wright também surgia como concorrente interno. Manninger permaneceu no elenco, participou de diferentes competições e acumulou 64 partidas ao longo de cinco temporadas em Londres, mas seu espaço gradualmente diminuiu. E o austríaco queria jogar com frequência.

Esse contexto acabaria influenciando sua saída, em 2001. O caminho escolhido foi a Itália, país que definiria boa parte de sua carreira. O primeiro destino foi a Fiorentina, numa operação inicialmente por empréstimo. À primeira vista, a transferência parecia lógica. A Viola possuía tradição, disputava competições relevantes e havia contado com goleiros importantes nos anos anteriores. O problema é que Manninger encontrou em Florença um cenário profundamente instável.

Imagem do artigo:O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus

Após circular bastante, o austríaco viria a se afirmar no Siena (AFP/Getty)

O próprio austríaco descreveu a ida para Florença como uma decisão errada. Apesar de ter conquistado a Coppa Italia em 2001, a Fiorentina atravessava uma grave crise financeira, próxima da falência, convivendo com salários atrasados e enorme insegurança institucional por conta da má gestão de Vittorio Cecchi Gori. Segundo Manninger, Roberto Mancini – técnico em metade da temporada – chegava a brincar nos bastidores, perguntando se haveria treino no dia seguinte. Apesar do bom humor, todos sabiam que o risco de colapso era real.

Mesmo em meio ao caos, o goleiro conseguiu sequência relativamente importante, disputando 24 partidas pela Serie A em 2001-02. O futebol italiano daquele início de século exigia dos goleiros características muito específicas. Manninger não possuía o perfil espalhafatoso de alguns arqueiros mais midiáticos da época, mas adaptou-se bem à lógica do campeonato. Sua principal virtude estava na consistência. Era raro vê-lo produzir defesas espetaculares em sequência, mas igualmente improvável vê-lo comprometer as partidas. Ainda assim, Alex não tinha como impedir o inevitável: a queda da Fiorentina para a Serie B, com direito a falência em seguida.

Depois da experiência em Florença, foi comprado pelo Espanyol, mas jamais jogou na Catalunha. Em janeiro de 2003, iniciou uma longa circulação pelo futebol italiano que acabaria definindo sua imagem dentro do país. Passou rapidamente pelo Torino, teve breve vínculo com o Bologna e chegou ao Brescia, onde sua situação se mostrou desfavorável desde o início. Envolvido em uma troca de jogadores, o austríaco desembarcou na Lombardia sem estar nos planos do clube e acabou descartado por Gianni De Biasi ainda durante a pré-temporada de 2004, sem receber uma oportunidade real para disputar espaço. Em nenhuma dessas passagens, todas por agremiações da Serie A, Manninger conseguiu se firmar. Durante um ano e meio, somou apenas sete aparições, três pelos grenás e quatro pelos rossoblù.

A saída do Brescia, porém, acabaria se revelando providencial. Sem perspectiva no clube lombardo, Manninger foi repassado por empréstimo ao Siena, rival pela permanência na elite. E, enquanto os biancazzurri encerrariam aquela temporada com o rebaixamento à Serie B, o austríaco estabeleceria uma relação especialmente forte com os bianconeri. Participando da elite italiana pela segunda vez em sua história, o time toscano buscava um goleiro confiável, após ter sobrevivido no debute na máxima categoria com Generoso Rossi e Marco Fortin se alternando na meta, e encontraram isso em Alex.

A temporada 2004-05 marcou o início mais sólido dessa ligação entre o goleiro e o clube toscano – uma conexão que teve uma ajudinha de Enrico Chiesa, que fora seu colega na Fiorentina e o ajudaria a se ambientar no novo time. Siena não era exatamente um ambiente de glamour futebolístico, e a luta contra o rebaixamento numa equipe de cidade pequena significava viver constantemente sob pressão. Manninger, contudo, administrou a bronca: em virtude de uma lesão, até ficou cerca de quatro meses afastado, mas disputou 19 partidas na Serie A e participou diretamente de mais uma permanência dos bianconeri na elite.

Imagem do artigo:O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus

Em duas passagens pelo Siena, Manninger foi fundamental para que o time permanecesse na Serie A (imago/IPA)

Depois do empréstimo em 2004-05, Manninger ainda retornou brevemente à Áustria para defender o Red Bull Salzburg na temporada seguinte, disputando 16 partidas. O futebol austríaco, naquele momento, começava a passar pela transformação promovida pela entrada do grupo Red Bull, que alteraria profundamente a estrutura do clube – o mesmo em que Alex deu seus primeiros passos – e do campeonato nacional. Ainda assim, a ligação do goleiro com a Itália já parecia mais forte do que qualquer possibilidade de reconstrução definitiva em seu país natal.

Dessa forma, Manninger tornaria ao lugar que, mais tarde, definiria como segunda casa: Siena, onde passaria a ser tratado como rei. De volta ao clube e à convivência com Chiesa encontrou um ambiente em que conseguiu construir continuidade, respaldo e uma sensação rara de pertencimento. Em novo empréstimo à Robur, iniciaria o período mais estável de toda a sua carreira. Nas temporadas 2006-07 e 2007-08, somou 64 partidas pela Serie A, assumindo papel central dentro da equipe toscana.

O contexto era desafiador. Assim como antes, o Siena brigava contra o rebaixamento e tinha um elenco muito mais funcional do que de brilho técnico. Nesse tipo de ambiente, o goleiro costuma se tornar uma figura decisiva, porque cada erro pesa mais e cada ponto conquistado frequentemente depende de capacidade defensiva.

Foi exatamente esse papel que Manninger assumiu a partir de 2006-07, quando atuou em todas as partidas da equipe do início ao fim e se tornou peça fundamental na permanência conquistada apenas na última rodada, ao fim de uma disputa embolada que ainda envolvia cinco clubes, contando com o bianconero – também lutavam Catania, Parma, Reggina e o Chievo, que terminou rebaixado. O austríaco se consolidava, assim, como um dos pilares de um time modesto, mas competitivo, treinado por Mario Beretta e acostumado a viver no limite da zona de perigo.

Na temporada seguinte, porém, sua trajetória no clube sofreu um sobressalto. Com a chegada de Andrea Mandorlini ao comando, Manninger perdeu a titularidade nas primeiras rodadas, já que o novo treinador preferiu apostar no grego Dimitrios Eleftheropoulos. A troca, no entanto, não resolveu os problemas do time, e a sequência de maus resultados levou à queda do técnico e ao retorno de Beretta, que restituiu a posição ao austríaco.

Imagem do artigo:O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus

Consolidado como goleiro seguro, Alex chegou à Juventus para ser opção a Buffon e não decepcionou (Getty)

A partir daí, o Siena reencontrou maior estabilidade e fez campanha mais segura, encerrando a Serie A na 13ª colocação, longe do drama vivido na temporada anterior e com o recorde de 44 pontos na elite. Em um time conduzido ofensivamente por Massimo Maccarone, Alex seguiu como sustentáculo defensivo e ainda colecionou momentos simbólicos, como a defesa de um pênalti cobrado por Marco Materazzi, que postergou a conquista do scudetto pela Inter à jornada final.

Ao fim daquela Serie A, Manninger pôde representar a Áustria numa grande competição pela única vez em sua carreira. Ele recebeu a camisa 1 para a disputa da Eurocopa, que ocorria em seu país e na Áustria, mas foi reserva do time treinado por Josef Hickersberger – que preferia Jürgen Macho. Pela seleção austríaca, somaria 33 partidas entre 1999 e 2009, se aposentando em meio à malfadada campanha da equipe nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010.

Depois da Euro, Alex não vestiu mais a camisa do Siena. Após 87 partidas pelos toscanos, Manninger passou a ser visto como um goleiro experiente, preparado e competitivo. E, acima de tudo, confiável – alguém capaz de sustentar o nível da equipe sem criar ruído ao redor de si. Essa reputação acabaria abrindo as portas para um capítulo curioso em sua trajetória: a transferência à Juventus. Antes de ser comprado pelo Arsenal, o arqueiro chegara a ficar muito próximo da Velha Senhora e até fez alguns treinamentos pelos bianconeri, mas o negócio não foi adiante.

Em 2008, o clube de Turim buscava um reserva para Gianluigi Buffon. À primeira vista, a função parecia ingrata. Gigi não era apenas o titular absoluto da Juventus e da seleção italiana; era possivelmente o goleiro mais influente do futebol mundial naquele momento. Qualquer reserva viveria inevitavelmente na sombra de uma figura monumental. Ainda assim, a Juventus procurava alguém experiente, disciplinado e psicologicamente preparado para longos períodos de inatividade seguidos de responsabilidades repentinas. Manninger encaixava-se perfeitamente nesse perfil. Tanto é que a equipe piemontesa o tirou de uma agremiação que havia acabado de contratá-lo: em julho daquele ano, o Salzburg, ainda dono de seu passe, o vendera à Udinese, que topou repassá-lo à Velha Senhora cerca de 20 dias depois, obtendo um lucro de 200 mil euros.

Inicialmente contratado para uma função secundária, Alex viu seu papel crescer rapidamente quando Buffon sofreu problemas físicos logo no início da temporada 2008-09. O austríaco precisou assumir a titularidade em um contexto de enorme pressão, envolvendo Serie A e Champions League. A situação lembrava, em certa medida, o que havia vivido anos antes no Arsenal, durante a ausência de David Seaman. Mais uma vez, encontrava-se diante da necessidade de responder imediatamente sem ter sequência prévia de jogos, e novamente respondeu bem.

Imagem do artigo:O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus

Na Juventus, Manninger atravessou período de vacas magras e também contribuiu para a reconstrução pós-Calciopoli (imago/Gribaudi/ImagePhoto)

Durante aquela temporada, disputou 23 partidas em todas as competições pela Juventus, número bastante expressivo para alguém contratado originalmente como reserva. Manninger foi titular em quase toda a metade inicial de 2008-09, de setembro a janeiro, contribuindo para o vice da Serie A e uma campanha de semifinalista na Coppa Italia, além da ida até as oitavas da Champions League, com dupla vitória sobre o Real Madrid na fase de grupos. A relação com Buffon também foi marcante. Em vez de enxergar a condição de reserva como limitação, o austríaco tratou aquele período como oportunidade de aprendizado.

O ambiente da Juventus reforçou ainda mais essa percepção. Em Turim, Alex dividiu vestiário com jogadores como Alessandro Del Piero, Giorgio Chiellini, Pavel Nedved e o próprio Buffon, figuras profundamente associadas à identidade bianconera. Manninger absorveu muito daquele contexto. Futuramente, recordaria com carinho as disputas de pênaltis e faltas nos treinamentos contra Del Piero, descrevendo o italiano como um competidor obsessivo até mesmo nos exercícios diários.

A passagem pela Juventus se estendeu até 2012. Embora tenha perdido espaço posteriormente com a chegada de Marco Storari, permaneceu no elenco durante um período importante de reconstrução do clube após os anos turbulentos do pós-Calciopoli – e vivendo de perto também os tempos de vacas magras em 2009-10 e 2010-11, quando a equipe ficou duas vezes na sétima posição da Serie A e somou vexames em sequência. Em 2011-12, apesar de não ter atuado uma vez sequer, fez parte do grupo que conquistou a Serie A sob comando de Antonio Conte. Mesmo sem protagonismo dentro de campo naquela campanha específica, sua presença no elenco era valorizada internamente justamente pelo profissionalismo cotidiano.

E esse aspecto foi um dos que mais marcaram a carreira de Manninger. Tanto Conte quanto Jürgen Klopp, que o comandaria mais tarde, valorizavam sua postura de trabalho e sua influência sobre jogadores mais jovens. Não se tratava de liderança expansiva ou apenas discursiva, mas de exemplo diário. De suor derramado por alguém que trabalhara como marceneiro e entendia como a disciplina era importante na vida.

Essa imagem de profissional confiável ajudou a prolongar sua trajetória muito além do que normalmente ocorre com goleiros que passam boa parte da carreira como reservas. Após deixar a Juventus com 42 aparições somadas, ficou sem clube por um tempinho, mas arrumou espaço no Augsburg, da Alemanha, em novembro de 2012. Por lá, substituiu o lesionado Simon Jentzsch e totalizou quatro temporadas, atuando quando necessário e ajudando o clube a atravessar uma fase de consolidação na Bundesliga. Já veterano, mantinha o mesmo perfil discreto.

Imagem do artigo:O goleiro Alexander Manninger brilhou pelo Siena e foi reserva de luxo da Juventus

Pela Juve, o austríaco conquistou seu único título na Itália: o da Serie A, em 2012, mesmo sem entrar em campo (imago/GEPA)

Em 2016, aos 39 anos, Manninger treinou com o Liverpool antes de assinar contrato anual com o clube inglês, servindo de alternativa a Simon Mignolet e Loris Karius. Não chegou a atuar oficialmente pelos Reds, mas sua presença foi considerada útil para a composição do grupo comandado por Klopp. Beirando as quatro décadas de vida, pendurou as luvas e as chuteiras.

Depois que se aposentou, Manninger passou a levar uma vida bastante distante da lógica tradicional do ex-jogador profissional. Voltou a morar na Áustria e, nas raras entrevistas que concedeu, contou que passava parte do tempo construindo uma casa nas montanhas e trabalhando como marceneiro, profissão que já fazia parte de sua formação familiar antes mesmo de o futebol ganhar espaço definitivo em sua vida. Nunca teve grande interesse pelos holofotes e preferia uma rotina mais simples, ligada à natureza, à pesca e à família.

Talvez por isso a imagem de Manninger tenha permanecido tão forte entre antigos companheiros. Não era apenas o goleiro confiável ou o reserva preparado para assumir a bucha. Havia também a percepção de alguém que conseguira atravessar quase duas décadas de futebol profissional sem se deixar consumir completamente pelo ambiente, se distanciando das disputas egocêntricas do meio. Sua visão sobre o esporte parecia profundamente ligada à ideia de processo. Não falava em talento como elemento isolado, mas em repetição, sacrifício e adaptação. Era uma perspectiva coerente com a própria carreira.

A morte de Manninger, em abril de 2026, aos 48 anos, causou um forte impacto especialmente no futebol italiano e no inglês – além, claro, do austríaco. Alex faleceu em um acidente ferroviário em Salzburgo, quando seu carro foi atingido por um trem em uma passagem de nível. As circunstâncias da tragédia rapidamente ocuparam espaço nos noticiários europeus, mas as reações do futebol acabaram revelando algo mais importante: o respeito construído por ele ao longo da carreira.

Arsenal, Juventus e diversos antigos companheiros manifestaram pesar de maneira particularmente emocional. Em Turim, a despedida ganhou contornos ainda mais fortes pela relação construída com Buffon, Del Piero e outros jogadores da geração. Pouco antes de sua partida, Manninger comentou que ainda pensava na possibilidade de seguir ligado ao futebol de alguma maneira, embora sem convicção absoluta. Parecia mais interessado em continuar construindo sua casa, vivendo nas montanhas e aproveitando uma rotina distante da pressão que havia acompanhado grande parte de sua vida adulta.

No fim das contas, a coerência entre a maneira como escolheu viver depois de encerrar sua carreira e o jeito como a construiu seja a grande assinatura deixada por Manninger. Acostumado a trabalhar à sombra de goleiros como Seaman e Buffon, ele passou quase duas décadas no futebol de elite sem depender de alarde para se afirmar, apoiado na disciplina e na discrição. Quando se afastou do jogo para voltar a uma rotina simples, entre a família, as montanhas e a marcenaria, apenas deu continuidade, fora dos gramados, ao perfil que havia sustentado dentro deles. Infelizmente, numa das ironias do destino, o arqueiro voltaria aos holofotes, algo que jamais buscou, por conta do trágico acidente que ceifou sua vida.

Alexander Manninger Nascimento: 4 de junho de 1977, em Salzburgo, Áustria Morte: 16 de abril de 2026, em Nussdorf am Haunsberg, Áustria Posição: goleiro Clubes: Salzburg (1995, 1996 e 2005-06), Vorwärts Steyr (1995), Grazer AK (1996-97), Arsenal (1997-2002), Fiorentina (2001-02), Espanyol (2002-03), Torino (2003), Bologna (2003), Brescia (2004), Siena (2004-05 e 2006-08), Udinese (2008), Juventus (2008-12), Augsburg (2012-16) e Liverpool (2016-17) Títulos: Premier League (1998), FA Cup (1998), Charity Shield (1998 e 1999) e Serie A (2012) Seleção austríaca: 33 jogos e 44 gols sofridos

Saiba mais sobre o veículo