O jogador que vai ressurgir no elenco do Inter e as duas primeiras mudanças propostas por Eduardo Baptista
Eduardo Baptista foi oficialmente apresentado como novo técnico do Internacional e a coletiva ajudou a esclarecer bastante coisa sobre o que a direção pensa e, principalmente, sobre o que o treinador pretende fazer nestes últimos 10 jogos do Campeonato Brasileiro. Antes dele, Alessandro Barcellos, Abel Braga e Fabinho Soldado falaram com a imprensa. O presidente reforçou que o objetivo agora é muito simples: permanecer na primeira divisão. Disse que o clube analisou diferentes alternativas e encontrou em Eduardo as características necessárias para essa missão.
Barcellos também afirmou que o Inter fez apenas uma proposta formal para treinador e que ela foi justamente para Eduardo Baptista. É uma versão que naturalmente entra em choque com todas as informações que circularam nos últimos dias sobre conversas com Eduardo Coudet, Zubeldía, Diego Aguirre, Jair Ventura e outros nomes. Pode existir diferença entre consultar, conversar e efetivamente apresentar uma proposta formal. No fim, essa guerra de narrativa não muda muita coisa agora. Eduardo Baptista está contratado e será ele quem terá 10 jogos para tentar salvar o Internacional.
Abel Braga fez questão de dar respaldo público ao novo treinador. Disse que entende o direito do torcedor de não gostar da escolha, mas afirmou diretamente para Eduardo que, dentro do clube, ele é uma unanimidade. A frase tem peso justamente porque Abel sabe que existiu uma rejeição grande nas redes sociais desde que o nome começou a circular. Então fez questão de deixar uma mensagem: Eduardo não chegou por acaso, não teve o nome sorteado e foi escolhido pelo departamento de futebol.
A primeira informação interessante dada pelo próprio treinador é sobre quando aconteceu o contato. Eduardo contou que só soube efetivamente do interesse depois da partida do Criciúma pela Série B, na terça-feira. Segundo ele, seu agente o preservou até aquele momento e, depois do jogo, apresentou a possibilidade. Eduardo demonstrou interesse, as conversas avançaram rapidamente, os clubes se acertaram e o Inter pagou a multa rescisória. A informação agora é de que o valor ficaria perto de R$ 300 mil, dividido em três parcelas de R$ 100 mil.
Na chegada, Eduardo imaginava encontrar um grupo abatido e com a confiança muito baixa. Disse que se surpreendeu positivamente. A recepção dos jogadores foi melhor do que esperava e ele percebeu disposição imediata para assimilar aquilo que está sendo pedido. É um discurso parecido com o de Abel Braga, que também falou em uma energia diferente no vestiário desde a chegada do novo treinador.
Eduardo tratou a passagem pelo Inter como a grande oportunidade da carreira e já falou aos jogadores que esses 10 jogos precisam ser tratados como um título. A ideia é essa. Não existe tempo para pensar em construção lenta, processo de seis meses ou grandes revoluções. O título do Inter agora é permanecer na Série A.
E apareceu uma pergunta inevitável. No ano passado, Eduardo deu uma entrevista dizendo que não se considerava um treinador “bombeiro”, que não gostava de assumir equipes apenas para apagar incêndios e que funcionava melhor em trabalhos com continuidade. Foi questionado duas vezes sobre isso e respondeu que não vê o Inter como um incêndio. Prefere tratar como um momento de oscilação. Disse ainda que enxerga o projeto como algo de um ano e meio, mesmo tendo contrato inicialmente curto. É uma forma de mostrar confiança no próprio trabalho e na possibilidade de continuidade, embora a realidade imediata seja clara: primeiro ele precisa resolver estes 10 jogos.
Dentro de campo, Eduardo já apresentou algumas ideias. Disse que o Inter precisa diminuir espaços defensivamente e aumentar o número de jogadores chegando à área no momento ofensivo. Também voltou a falar muito de bola parada, algo considerado uma característica importante dos seus trabalhos. Um dos auxiliares responsáveis por esse setor ficou no Criciúma, mas Eduardo trouxe outro profissional e afirmou que ele próprio gosta de estudar e trabalhar esse tipo de jogada. Para ele, bola parada decide partida e terá atenção especial nesta reta final.
Sobre a queda de rendimento no Criciúma, defendeu o trabalho. Lembrou que a equipe chegou a liderar a Série B, caiu posteriormente, mas continuava disputando a parte de cima da tabela. Na avaliação dele, oscilações fazem parte de um campeonato longo, com 38 rodadas e vários meses de disputa. O mais importante, segundo Eduardo, é que o planejamento do clube catarinense continuava sendo executado.
E uma frase resume bem aquilo que ele pretende fazer no Inter: a vitória vale muito. Não importa se o time precisar ser reativo, ganhar numa bola parada ou jogar de uma maneira menos bonita. Precisa ganhar. O Internacional não está numa situação em que pode escolher como conquistar os pontos. Precisa dos pontos.
Por isso também não pretende promover uma revolução tática imediata. Eduardo disse que não existe tempo para grandes mudanças e vai aproveitar parte daquilo que já vinha sendo feito. Citou Bruno Gomes e Vitinho pelo lado direito e a possibilidade de variar entre uma linha de quatro e uma linha de cinco defensores. Ou seja, algumas estruturas utilizadas por Pezzolano podem permanecer, mas com ajustes de comportamento.
Uma mudança, porém, ficou muito clara: Eduardo Baptista quer um centroavante dentro da área. Disse que gosta de utilizar alas, de chegar pelos lados e colocar a bola na área. Para isso, precisa de um camisa 9 ocupando os zagueiros, brigando por espaço e abrindo caminho para a chegada dos meias e dos próprios alas.
Nesse ponto, citou nominalmente Alerrandro, Tonny Sanabria e até jogadores da base como João Bezerra e Raykkonen. Alerrandro, segundo o treinador, vem apresentando uma boa condição nos treinamentos e poderá aproveitar a Data Fifa para fazer trabalhos específicos e melhorar ainda mais fisicamente. Sanabria está com a seleção, mas também é visto como um centroavante de referência. Então tudo indica que, na volta do Brasileirão, contra o Corinthians, o Inter terá um 9 de origem no comando do ataque.
No gol, ainda não existe definição. Rochet, Anthoni e Matheus Cunha disputam a posição. Eduardo disse que já conhece o trabalho de Rogério Maia, preparador de goleiros do clube, e pretende utilizar esses dias de treinamento para observar os dois antes de tomar uma decisão em conjunto com a comissão.
Bernabei também deve ganhar uma função bastante ofensiva como ala pela esquerda. Vitinho pode atuar tanto aberto por aquele lado quanto numa posição mais interior, funcionando quase como um meio-campista. Eduardo falou bastante de tática e disse, inclusive, que pretende abrir alguns treinamentos para a imprensa, justamente para que seja possível acompanhar melhor seu método de trabalho, sem obviamente entregar informações estratégicas aos adversários.
Sobre as categorias de base, a impressão deixada é de que este não será um momento para grandes apostas. Eduardo citou alguns jovens e disse que todos serão avaliados, mas foi direto ao falar que agora precisa encontrar seus 11 titulares e cinco reservas. Com apenas 10 partidas, a prioridade é definir um grupo curto e competitivo, não começar a lançar jogadores simplesmente por lançar.
Então a primeira coletiva de Eduardo Baptista deixa um cenário bastante claro. O Inter não terá uma revolução. Terá ajustes. Mais gente na área, centroavante de referência, atenção enorme à bola parada, possibilidade de linha de quatro ou cinco, um time mais direto e uma prioridade acima de qualquer discussão estética: resultado.