O motivo da indignação do Luís Castro e a data limite colocada por dirigente do Grêmio | OneFootball

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JB Filho Repórter

·24 de agosto de 2026

O motivo da indignação do Luís Castro e a data limite colocada por dirigente do Grêmio

Imagem do artigo:O motivo da indignação do Luís Castro e a data limite colocada por dirigente do Grêmio
  • O Grêmio segue bancando Luís Castro, mas pela primeira vez o discurso da direção deixou bastante claro que essa confiança não é ilimitada. Depois da derrota para o Bragantino, Paulo Pelaipe confirmou que o clube continuará apostando no treinador e que não pretende simplesmente escolher o caminho mais fácil de trocar o comando técnico. Ao mesmo tempo, porém, colocou praticamente um prazo para a reação: serão os dois Grenais pela Copa do Brasil e depois o jogo contra a Chapecoense. Se os resultados não aparecerem nessa sequência, a direção pretende sentar novamente com Luís Castro e discutir o trabalho.
  • O próprio treinador teve uma entrevista coletiva bastante diferente depois da partida. Luís Castro deu poucas explicações sobre o futebol apresentado pelo Grêmio e concentrou boa parte das manifestações na arbitragem e nas ofensas que teria recebido antes do jogo. Sobre o lance envolvendo Braithwaite, existe realmente motivo para reclamação. O árbitro marcou uma mão antes da conclusão da jogada, quando a bola aparentemente havia sido dominada no peito, e como apitou antes do gol, o VAR sequer teve condições de revisar completamente a situação. Se a jogada tivesse seguido normalmente, o Grêmio teria uma possibilidade real de ter o gol confirmado.
  • Só que isso não pode servir para esconder a atuação. Luís Castro reclamou que o futebol acaba sendo analisado apenas pelo resultado e que, caso o Grêmio tivesse vencido, toda a avaliação seria diferente. Em parte, ele tem razão: resultado muda percepção. Se aquela bola entra e o Grêmio ganha por 1 a 0, provavelmente a discussão seria de uma atuação ruim que pelo menos produziu três pontos. Mas também não dá para ignorar que o time voltou a jogar muito pouco. A arbitragem pode ter cometido um erro importante, mas não foi ela que fez o Grêmio passar boa parte da partida sem conseguir construir futebol.
  • Existe ainda outra situação mais séria envolvendo Luís Castro. O treinador reclamou de ataques pessoais recebidos das arquibancadas antes da partida. Segundo as informações apuradas posteriormente, não eram simplesmente cobranças pelo trabalho ou xingamentos genéricos de futebol, mas ofensas relacionadas ao fato de ele ser português. Isso obviamente ultrapassa qualquer limite aceitável. Dá para criticar escalação, substituição, modelo de jogo e resultados o quanto quiser. Ataque pessoal e xenofobia são outra coisa. Castro ficou bastante incomodado e terminou a entrevista dizendo, numa referência à famosa frase de Abel Ferreira, que não considera apenas o futebol doente, mas as próprias pessoas.
  • Enquanto Castro desabafava, Pelaipe foi mais direto sobre aquilo que o clube fará. O Grêmio enviará um ofício à CBF pedindo explicações sobre a anulação do gol de Braithwaite e levará o episódio ao departamento de arbitragem. Mas a parte mais importante da entrevista não foi essa. Foi quando o executivo explicou que a direção decidiu não resolver os problemas simplesmente trocando o treinador. A estratégia é mexer no restante da estrutura, principalmente no elenco e na folha salarial. O clube está reduzindo custos, renegociando contratos, liberando jogadores e tentando baixar uma folha que estava próxima dos R$ 25 milhões para algo na casa dos R$ 18 milhões.
  • Essa fala também reforça a informação de que o Grêmio passou a trabalhar com uma referência salarial próxima dos R$ 500 mil para a maioria dos novos negócios. A direção entende que havia dinheiro demais sendo gasto com jogadores que entregavam pouco e está tentando inverter essa lógica. Danilo Barbosa, inclusive, foi apresentado como o último reforço solicitado por Luís Castro. Ou seja, o clube está dando ao treinador aquilo que considera necessário para executar seu modelo e, justamente por isso, começa agora a cobrar uma resposta mais clara dentro de campo.
  • E aí apareceu a frase mais importante de Pelaipe: tudo na vida tem limite. O executivo reafirmou a confiança no treinador, mas disse que existem dois jogos pela Copa do Brasil e depois uma partida contra a Chapecoense. Se os resultados não aparecerem, haverá uma conversa. Ele não falou abertamente em demissão e seria exagerado colocar essa palavra na boca do dirigente. Mas também não precisa fazer um esforço muito grande para entender o recado.
  • Na prática, Luís Castro ganhou uma sequência decisiva para mostrar que o trabalho consegue produzir resultado. O Grêmio terá os dois Grenais pela Copa do Brasil e depois um compromisso importante no Campeonato Brasileiro contra a Chapecoense. Passar pelo Inter e conseguir minimamente se afastar da zona de rebaixamento mudaria completamente o ambiente. Uma eliminação no clássico acompanhada de outro resultado ruim no Brasileiro, por outro lado, provavelmente colocaria a discussão sobre o treinador em outro patamar.
  • Isso é especialmente relevante porque até agora o Grêmio fez praticamente tudo pensando em Luís Castro. Alterou a composição do elenco, contratou jogadores indicados pelo treinador e escolheu não demiti-lo mesmo diante de uma sequência de atuações muito abaixo do esperado. A direção decidiu trocar várias engrenagens antes de trocar o técnico. É uma postura diferente daquela normalmente vista no futebol brasileiro e, em princípio, até faz sentido. O problema é que em algum momento essa aposta precisa produzir resposta.
  • E esse momento chegou. O Grêmio pode reclamar corretamente da arbitragem contra o Bragantino e Luís Castro tem todo direito de repudiar os ataques pessoais que recebeu. Uma coisa não elimina a outra. Mas nenhuma dessas situações responde à principal pergunta esportiva: por que o time continua jogando tão pouco?
  • Pelaipe deixou claro que a direção ainda acredita no treinador. Só que também deixou uma coisa igualmente clara: a paciência começou a ter prazo. Os Grenais e a partida contra a Chapecoense passaram a representar muito mais do que três jogos no calendário. Podem definir até onde vai a aposta do Grêmio em Luís Castro.
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