O movimento que pode antecipar a saída de Barcellos da presidência do Inter | OneFootball

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JB Filho Repórter

·12 de setembro de 2026

O movimento que pode antecipar a saída de Barcellos da presidência do Inter

Imagem do artigo:O movimento que pode antecipar a saída de Barcellos da presidência do Inter
  • A eleição do Internacional pode ser antecipada em aproximadamente um mês. A informação trazida por Leonardo Meneghetti é de que o MIG, movimento político ligado a nomes históricos como Fernando Carvalho, Giovanni Luigi e Marcelo Medeiros, quer que o novo presidente colorado seja conhecido já na metade de novembro. Tradicionalmente, essa definição acontece em dezembro. A ideia seria ganhar cerca de 30 dias para que o próximo mandatário comece uma transição, conheça mais profundamente o tamanho dos problemas do clube e consiga preparar algumas decisões antes mesmo de assumir oficialmente.
  • Alessandro Barcellos continuaria com a caneta até o fim de seu mandato e, pelo menos até o encerramento do Campeonato Brasileiro, seguiria tomando as decisões oficiais. Só que ter um presidente eleito antes permitiria começar a preparar 2027. Bate na madeira: se o Inter escapar do rebaixamento, esse novo presidente já poderia pensar em treinador, dispensas, contratações e reformulação. Se o pior acontecer antes mesmo do fim do campeonato, também teria legitimidade para começar a discutir uma limpeza maior. E, caindo ou não, alguma reformulação vai precisar acontecer.
  • Olhando apenas para o clube, a proposta tem seus pontos positivos. Quanto antes existir uma nova gestão definida e começar uma transição organizada, melhor. O próximo presidente vai encontrar uma situação financeira muito complicada, um clube com dívida gigantesca e provavelmente muitos problemas que só serão conhecidos de verdade quando essa nova administração entrar no Beira-Rio. Então ter algumas semanas extras para abrir gaveta, olhar contrato e entender aquilo que vai receber parece fazer sentido.
  • Só que política de clube nunca é tão simples. Hoje existem três principais grupos nesse processo. Roberto Melo é o nome ligado ao MIG e defende a antecipação. José Amarante e Leonardo Aquino, os outros pré-candidatos colocados neste momento, não querem mudar o calendário dessa maneira. E é importante explicar os interesses de cada lado, porque não dá para contar essa história como se um estivesse pensando exclusivamente no bem do Inter e os outros fossem contra. Todo mundo também está pensando em como ganhar a eleição. Isso é absolutamente natural numa disputa política.
  • Roberto Melo é muito mais conhecido do associado colorado. Já passou pelo departamento de futebol, disputou eleições anteriormente e tem um nível de exposição maior. Quanto mais curta for a campanha, teoricamente melhor para quem já larga na frente em conhecimento público. Os outros candidatos precisam justamente do contrário: tempo para aparecer, apresentar propostas, participar de entrevistas e fazer debates. Leonardo Aquino, por exemplo, é advogado e tem uma capacidade de oratória reconhecida. Quanto mais debates existirem, mais oportunidades ele terá para se apresentar ao eleitor. Então Melo tem razões políticas para querer uma eleição mais rápida e Aquino e Amarante também têm razões políticas para querer mais tempo.
  • Existe ainda uma questão muito importante dentro do Conselho Deliberativo. Antes de chegar ao voto dos associados, as chapas precisam passar pelo Conselho. E Leonardo Aquino e José Amarante ainda precisam trabalhar politicamente para garantir votos suficientes nessa primeira etapa. O MIG, por ser um movimento muito tradicional e estruturado dentro do Inter, teria uma situação mais confortável nesse processo. Antecipar o calendário diminui também o tempo de articulação dos adversários. De novo: não quer dizer que alguém esteja fazendo alguma coisa errada. Quer dizer apenas que existe estratégia eleitoral dos dois lados.
  • Essa discussão também se conecta com aquela reunião recente convocada por Alessandro Barcellos. Nela, o atual presidente chegou a falar na possibilidade de uma chapa única, sem disputa eleitoral, em nome de uma pacificação política do clube. Só que até uma chapa única possui seus interesses. Num grande acordo, os diferentes movimentos naturalmente dividiriam espaços na futura gestão. Barcellos e pessoas ligadas ao seu grupo poderiam continuar presentes em departamentos e cargos importantes. Então até um discurso de pacificação pode vir acompanhado de uma tentativa legítima de preservar participação política no clube.
  • É por isso que tudo precisa ser analisado com contexto. Roberto Melo acaba de aparecer também como intermediário na aproximação com Delcir Sonda, que anunciou uma doação de R$ 20 milhões para ajudar o Inter a colocar valores atrasados com jogadores e funcionários em dia. É uma ajuda concreta, importante e que chega numa hora em que o clube realmente precisa. Só que é impossível fingir que isso não produz também um ganho político enorme para Melo. Ele mostra ao associado que tem relação com Sonda e que essa relação pode colocar dinheiro dentro do clube. Uma coisa não anula a outra.
  • Então a antecipação da eleição pode, sim, ser positiva para o Internacional. Talvez seja melhor saber o mais rápido possível quem vai assumir e permitir que essa pessoa entre na transição antes de dezembro. Só que também é preciso entender por que justamente o MIG quer antecipar e por que seus adversários querem manter mais tempo de campanha.
  • No fim, política de clube funciona muito parecido com qualquer outra política. Tem projeto para o Inter, tem preocupação real com o futuro e tem também cálculo eleitoral. Roberto Melo quer a eleição antes porque isso pode ajudá-lo. Aquino e Amarante querem mais tempo porque isso pode ajudá-los. Barcellos fala em chapa única porque enxerga uma possibilidade de pacificação, mas também de manter seu grupo participando da próxima gestão. Não significa que alguém esteja trabalhando contra o clube. Significa apenas que, quando existe poder em disputa, quase nunca existe uma única intenção por trás de cada movimento.
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