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·15 de julho de 2026

O ‘pitbull’ Felipe Melo levou seu estilo sanguíneo ao futebol italiano

Imagem do artigo:O ‘pitbull’ Felipe Melo levou seu estilo sanguíneo ao futebol italiano

Felipe Melo foi um daqueles jogadores que dificilmente passavam despercebidos. Ao longo de mais de duas décadas de carreira, construiu uma trajetória marcada por intensidade, personalidade e uma competitividade levada ao extremo. Volante de imposição física, liderança e boa qualidade técnica, alternou atuações de altíssimo nível com momentos em que o temperamento explosivo se sobrepunha ao futebol, resultando em cartões, expulsões e polêmicas que o acompanharam praticamente do início ao fim da carreira. Essa dualidade fez dele um personagem controverso: idolatrado por algumas torcidas pela entrega incondicional, rejeitado por outras pelos excessos dentro de campo. Embora tenha vivido fases importantes na Turquia e, posteriormente, no retorno ao Brasil, foi na Itália, defendendo Fiorentina, Juventus e Inter, que sua personalidade competitiva ficou mais evidente e seu caminho ganhou contornos que ajudaram a definir a imagem que carregaria dali em diante.

Natural de Barra Mansa, mas criado em Volta Redonda, interior do Rio de Janeiro, Felipe Melo começou sua carreira na base do Voltaço e se transferiu ao Flamengo, em 2001, aos 17 anos. Na época, era um meia com propensão ofensiva e foi assim que teve sua fase inicial da carreira no clube rubro-negro. O atleta – que também era praticante de jiu-jítsu brasileiro – venceu um Campeonato Carioca pelo Fla e se transferiu em 2003 ao Cruzeiro, time em que faturou a tríplice coroa nacional sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Por fim, em 2004 teve curta passagem pelo Grêmio, onde teve problemas disciplinares e amargou um rebaixamento à segundona.


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Ainda jovem, Felipe foi jogar na Europa: em janeiro de 2005, depois de ter sido dispensado do Grêmio, rumou ao Mallorca, da Espanha. Nos meses em que atuou pelos Bermellones, sofreu uma lesão no joelho e ficou afastado dos gramados durante a luta contra o descenso – por pouco vencida pelo clube balear, que seguiu em La Liga. Em seguida, Melo passou a se destacar no Racing de Santander, também brigando pela permanência, e chegou até a marcar um gol numa vitória sobre o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu.

Posteriormente, o brasileiro atuou pelo Almería, onde sua carreira deu um salto importante em 2007-08. Foi pelos rojiblancos que deixou de atuar como um meio-campista de características mais ofensivas para ser recuado definitivamente à função de volante, posição em que conseguiria explorar melhor sua força física, capacidade de marcação e liderança. Ainda assim, Felipe Melo marcou sete vezes na surpreendente campanha do time andaluz, recém-promovido, que terminou como oitavo colocado no Espanhol. Com atuações consistentes e os gols marcados, foi eleito pelos próprios torcedores o melhor jogador da equipe na temporada. E seu desempenho despertou o interesse de clubes de maior expressão.

Em 2008, a Fiorentina o contratou para reforçar uma equipe que vivia um de seus melhores momentos sob o comando de Cesare Prandelli. A agremiação vinha de uma quarta colocação na Serie A e de uma campanha que o levara às semifinais da Copa Uefa, consolidando-se entre as principais forças do futebol italiano naquele momento e deixando para trás a falência de 2002 e o abismo que a fez recomeçar a partir da quarta divisão. Felipe Melo chegou como uma das principais contratações daquela reformulação, ao lado de nomes como Alberto Gilardino, Juan Manuel Vargas e a jovem promessa Stevan Jovetic.

Em Florença, Felipe Melo rapidamente se consolidou como titular absoluto. Formando meio-campo ao lado de Riccardo Montolivo, mostrou talvez a versão mais completa de sua carreira: um volante de marcação forte, mas também técnico, capaz de iniciar jogadas, proteger a defesa e aparecer no ataque quando necessário. A adaptação foi imediata, e sua intensidade encaixou perfeitamente no modelo de jogo de Prandelli. Entretanto, o brasileiro também deixou evidente a outra face de seu futebol. Se por um lado seria capaz de se firmar como um dos principais volantes da Serie A, por outro acumularia cartões e protagonizaria episódios de indisciplina, demonstrando que sua entrega frequentemente se convertia em excessos. Isso ficou notório na expulsão no empate com a Juventus em sua estreia no Campeonato Italiano, na terceira partida oficial com a camisa violeta.

Durante sua única temporada no clube (2008-09), atuou em 40 partidas e foi essencial para a campanha que levou a Fiorentina novamente à quarta colocação da Serie A e, consequentemente, à classificação para a Liga dos Campeões – compensando um ano pouco brilhante nas copas. Felipe terminou como o jogador mais advertido da equipe, com 13 cartões amarelos e duas expulsões. Curiosamente, sua despedida da Viola também terminou com um cartão vermelho, no empate diante do Lecce.

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Felipe Melo chegou à Fiorentina já transformado em volante e viveu seus melhores momentos na Itália pela Viola (New Press/Getty)

Ainda assim, o saldo esportivo foi extremamente positivo para Felipe Melo também no plano individual. Suas atuações despertaram o interesse da seleção brasileira, e ele foi convocado por Dunga, tornando-se pouco depois titular da equipe que conquistou a Copa das Confederações de 2009. Na competição, esteve em campo na acachapante vitória por 3 a 0 sobre a Itália e marcou sobre os Estados Unidos na fase de grupos – os ianques também seriam os adversários na decisão.

O excelente desempenho em Florença ainda fez com que a Juventus investisse pesado em sua contratação e, assim, o brasileiro foi um dos tantos que trocaram a capital da Toscana pela capital do Piemonte – o que não costuma ser bem visto pela torcida violeta. A Velha Senhora desembolsou cerca de 25 milhões de euros para levá-lo a Turim, apostando que ele seria um dos pilares de um projeto que buscava recolocar a equipe entre as protagonistas do futebol italiano após os efeitos do Calciopoli, escândalo ocorrido em 2006 e que levou ao rebaixamento dos bianconeri para a Serie B, como parte da punição pelo envolvimento de dirigentes na manipulação de resultados.

Na prática, porém, Felipe Melo encontrou uma Juventus ainda bastante distante desse objetivo. A equipe atravessaria, nos dois anos de sua permanência no Piemonte, um período de reconstrução marcado por instabilidade, trocas de treinadores e campanhas muito abaixo das expectativas. Em suas temporadas no clube, os bianconeri terminaram apenas na sétima colocação da Serie A, acumulando eliminações frustrantes nas competições europeias e convivendo com um ambiente de crescente pressão. Muito diferente do vice-campeonato de 2007-08, que parecia apontar para dias melhores logo após o retorno da segundona.

Nesse contexto, Felipe Melo acabou se tornando um dos símbolos daquele momento turbulento e sua passagem pela Juventus não pode ser analisada apenas sob a ótica individual. Embora jamais deixasse de demonstrar entrega e intensidade, encontrou dificuldades para repetir o futebol apresentado na Fiorentina – e olha que até estreou bem, com gol na vitória por 3 a 1 sobre a Roma, no Olímpico. As críticas aumentaram na mesma proporção em que se acumulavam cartões e expulsões, reforçando a percepção de que seu temperamento frequentemente comprometia seu rendimento. Na primeira temporada em Turim, foi o líder da equipe em amarelos, novamente com 13 advertências, além de dois vermelhos. Um deles no Derby d’Italia, contra a Inter, após fazer falta dura sobre Mario Balotelli e reclamar acintosamente em seguida. Ao menos, para salvar sua pele, os bianconeri venceram.

Na primeira temporada de Felipe Melo em Turim, a Juventus iniciou o trabalho sob o comando de Ciro Ferrara, que acabou demitido após a 21ª rodada do campeonato e foi substituído por Alberto Zaccheroni. Era um sinal de que nada corria bem. Além do modesto sétimo lugar na Serie A – fruto das 15 derrotas, que não eram registradas numa única campanha desde 1962 –, os bianconeri caíram ainda na fase de grupos da Liga dos Campeões, foram transferidos para a Liga Europa e acabaram eliminados nas oitavas de final pelo Fulham, desperdiçando uma vantagem de 3 a 1 construída no jogo de ida ao sofrer uma derrota por 4 a 1 na Inglaterra – placar que simbolizou aquela era de vacas magras.

Foi também durante sua passagem por Turim que atravessou a maior parte de sua militância na pelo selecionado brasileiro. Estabelecido no time após o título da Copa das Confederações, chegou à Copa do Mundo de 2010 cercado de expectativa, como dono da camisa 5 verde e amarela. Mas, nas quartas de final contra a Holanda, foi protagonista de um filme que resumiria sua carreira. Começou o confronto em alto nível, dominando o meio-campo e fornecendo a assistência para o gol de Robinho. Porém, colocaria tudo a perder.

À medida que o jogo escapava do controle do Brasil, o volante também perdeu o controle emocional. Em conjunto com Julio Cesar, falhou no empate neerlandês e, cinco minutos depois de Wesley Sneijder, autor de uma doppietta, virar o placar, Felipe Melo jogou uma pá de cal em sua carreira na Seleção. Ele acabou expulso após pisar em Arjen Robben, já caído, e deixou o campo sob fortes críticas, tornando-se um dos principais personagens da eliminação canarinho. Nunca mais foi convocado.

Felipe Melo voltou para a Juventus carregando essa mácula, que se juntava à justa contestação da torcida por seu baixo rendimento em 2009-10. A situação não só não melhoraria, como pioraria – em termos coletivos, já que no plano individual, o volante até fez alguns bons jogos na metade inicial da temporada. Sob o comando de Luigi Delneri, a Juventus repetiria a sétima colocação na Serie A e sequer conseguiria passar da fase de grupos da Liga Europa, ficando atrás de Lech Poznan e Manchester City, que avançaram ao mata-mata com 11 pontos – a Juve, que só empatou, somou apenas seis.

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 Na Juventus, Felipe Melo viveu fracasso coletivo e individual, numa passagem marcada por expulsões tolas (Getty)

O brasileiro esteve longe de ser o único responsável por esse fracasso, mas sua personalidade forte e seus frequentes problemas disciplinares fizeram dele um dos principais alvos das críticas dos torcedores e da imprensa. Grande parte delas era merecida. E uma saraivada de reprimendas se abateu sobre Felipe Melo durante a 18ª rodada da Serie A 2010-11, no primeiro compromisso do ano de 2011. Aos 17 minutos de jogo, o volante foi derrubado por Massimo Paci e reagiu com um chute no rosto do adversário, a poucos metros de distância do árbitro Andrea De Marco, que o mandou para o chuveiro mais cedo. O brasileiro ainda quebrou a quarta parede ao deixar o campo, tentando justificar o injustificável para as câmeras que o focalizavam.

Com um a mais, os crociati contaram com show de Sebastiano Giovinco e Hernán Crespo para golearem por 4 a 1 em Turim. O episódio – e o que ele causou – agravou ainda mais sua relação com parte da torcida. Ao mesmo tempo, a suspensão de três rodadas recebida por Felipe Melo caiu bem para os bianconeri, que se livraram da bomba-relógio por algumas semanas. Os resultados em campo não acompanharam, visto que o time somou apenas quatro pontos nesse período, mas os torcedores ficaram um pouco mais calmos com sua ausência.

Felipe ainda disputou outros jogos pela gigante do Piemonte até o fim da temporada, a contragosto dos torcedores. Foram, entretanto, os últimos, já que Antonio Conte não quis contar com o volante em seu trabalho de reconstrução da equipe, iniciado em 2011-12. Ao todo, Melo disputou 78 partidas e marcou quatro gols com a camisa da Juventus, deixando como maior legado as rusgas com a torcida. Nem mesmo o passar dos anos foi suficiente para amenizar essa fricção, já que o brasileiro continuou alimentando provocações dos torcedores do clube, além de responder a comentários de alguns deles em seus perfis em redes sociais. A inimizade construída durante aquele período segue viva.

Em julho de 2011, Felipe Melo foi emprestado ao Galatasaray e, posteriormente, foi contratado em definitivo pelo clube turco. Em Istambul, conseguiu construir outra imagem e ganhou o apelido de Pitbull – adotando até mesmo uma comemoração imitando o cão quando marcava gols. Em um ambiente no qual a intensidade, a entrega e a personalidade costumam ser especialmente valorizadas, encontrou identificação imediata com a torcida e viveu um dos períodos mais vitoriosos de sua carreira. Sob o comando de Fatih Terim e, posteriormente, de Roberto Mancini, tornou-se um dos líderes da equipe, conquistou três Campeonatos Turcos e participou de campanhas consistentes na Liga dos Campeões.

Na Turquia, voltou até a fazer gols. Em sua primeira temporada pelo Gala, marcou 12 vezes, sendo fundamental para a conquista do título da Süper Lig. Com seu futebol aguerrido e empurrado pela identificação com os torcedores, o Pitbull foi expulso somente quatro vezes em quatro anos – pouco, para seus padrões – e se transformou em um dos símbolos daquele time. Sua entrega chegou a render episódios curiosos, como numa partida contra o Elazigspor, em 2012, quando assumiu a posição de goleiro nos minutos finais, após a expulsão de Fernando Muslera, e defendeu um pênalti, garantindo a vitória de sua equipe. Não foi um mero momento pitoresco. Aquele gesto ajudou a consolidar sua imagem de jogador disposto a fazer qualquer coisa pelo time.

O bom desempenho recolocou Felipe Melo no radar da Serie A e, em 2015, ele retornou à Itália para defender a Inter, a pedido de Mancini, seu técnico nos tempos de Galatasaray. Aos 32 anos, já não era um volante tão móvel quanto nos tempos de Fiorentina, mas um jogador mais experiente, de posicionamento refinado e capaz de exercer liderança dentro de um elenco em reconstrução, depois de um pífio oitavo lugar no campeonato. Na Beneamata, o brasileiro faria uma dupla duríssima com o chileno Gary Medel.

Seu início em Milão foi bastante promissor. Titular logo na estreia, em clássico contra o Milan, participou da vitória por 1 a 0 e recebeu elogios pela atuação. Duas rodadas depois, marcou – com bela cabeçada – o gol da vitória sobre o Verona. Naquele momento, ajudava bastante uma Inter que chegou a liderar a Serie A durante boa parte do primeiro turno e alimentava a expectativa de disputar o título.

Entretanto, mais uma vez, o temperamento do Pitbull acabaria interferindo em sua trajetória. Na derrota para a Lazio, cometeu o pênalti que resultou no segundo revés da equipe no campeonato e, já nos minutos finais, foi expulso após uma entrada violentíssima sobre Lucas Biglia: deu um chutão para cima e deixou as travas da chuteira entre o ombro e o pescoço do argentino, recebendo três jogos de suspensão pelo ato imprudente e desleal. A partir dali, seu rendimento caiu junto com o da própria Inter, que perdeu força na disputa pelas primeiras posições e terminou o campeonato apenas em quarto lugar, garantindo vaga na Liga Europa.

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Já experiente em sua segunda passagem pela Itália, Felipe Melo teve bom início pela Inter, mas logo sucumbiu com a equipe (imago)

A temporada seguinte foi ainda mais complicada. Com a mudança no comando técnico e a chegada de Frank de Boer, Felipe Melo perdeu espaço no elenco e entrou em campo apenas 10 vezes. Mesmo atuando pouco, não deixou boa impressão. Foi titular em quatro dos seis jogos da pior campanha continental da história dos nerazzurri, eliminados da Liga Europa na fase de grupos, numa chave que tinha Southampton, Sparta Praga e Hapoel Be’er Sheva – o volante, aliás, esteve os piores em campo na vexatória derrota da Beneamata para o inexpressivo time israelense em San Siro.

Além disso, os problemas disciplinares continuaram presentes: nas cinco partidas que disputou pela Serie A, recebeu três cartões amarelos e um vermelho. Coincidentemente, sua despedida do futebol italiano ocorreu justamente após essa expulsão, contra o Sassuolo, quando foi advertido duas vezes em menos de 20 minutos. Stefano Pioli, que substituiu De Boer, acabaria liberando o Pitbull, que encerrou sua passagem pela Inter com 38 aparições.

Vale destacar que a trajetória de Felipe Melo na Serie A terminou de forma bastante semelhante à maneira como começou. Como mencionado anteriormente, sua estreia no Campeonato Italiano, pela Fiorentina, terminou com um cartão vermelho diante da Juventus. Anos depois, encerraria sua passagem pela Inter indo para o chuveiro mais cedo – entre esses dois momentos, também se despediu da Viola com uma expulsão. Do primeiro ao último capítulo de sua passagem pela Itália, a assinatura de Felipe Melo foi sempre a mesma: cruzar a linha que separa a entrega absoluta do descontrole.

Em janeiro de 2017, Felipe Melo retornou ao Brasil para defender o Palmeiras, onde viveu mais uma fase importante da carreira. Se na Itália havia deixado uma imagem marcada por atuações de alto nível, mas também por controvérsias constantes, no clube paulista conseguiu transformar sua personalidade forte em um elemento de identificação com a torcida. Tornou-se uma das lideranças do elenco e participou de um dos períodos mais vitoriosos da história recente do Verdão, conquistando o Campeonato Brasileiro de 2018 e as Libertadores de 2020 e 2021.

Com o passar dos anos, também reinventou seu jogo. Já sem a mesma intensidade física que o caracterizara no auge, passou a atuar com frequência como zagueiro, função em que conseguiu aproveitar sua experiência, capacidade de antecipação e liderança para permanecer competitivo em alto nível. Ainda que as declarações polêmicas e os confrontos em clássicos continuassem fazendo parte de sua personalidade, dentro de campo apresentava um jogo mais controlado do que aquele que o havia tornado conhecido na Europa.

Em dezembro de 2021, assinou com o Fluminense, onde repetiu esse processo de adaptação a partir da temporada de estreia, em 2022. Utilizado principalmente como zagueiro, agregou experiência a um elenco que buscava voltar ao protagonismo nacional e continental. Embora sua participação em campo fosse naturalmente mais pontual devido à idade, integrou o grupo campeão do Campeonato Carioca e da Libertadores de 2023, conquistando pela terceira vez o principal torneio da América do Sul e encerrando a carreira com mais um capítulo vitorioso. No início de 2025, Melo anunciou sua aposentadoria, aos 41 anos e, em seguida, se tornou comentarista esportivo do Grupo Globo.

O fim da carreira no Brasil, cercado por títulos e pela identificação construída com Palmeiras e Fluminense, contrasta com a lembrança que o volante deixou na Itália. Se nos gramados brasileiros conseguiu transformar sua personalidade em um símbolo de liderança e competitividade, na Serie A ela frequentemente impediu que seu potencial fosse plenamente realizado. Havia qualidade suficiente para se firmar por muitos anos entre os grandes atletas da posição no campeonato, mas sua trajetória acabou oscilando constantemente entre o sucesso e a frustração. Em parte, pelas circunstâncias encontradas em clubes que atravessavam períodos de instabilidade; em parte, pelo próprio destempero, que tantas vezes falou mais alto nos momentos decisivos. Se tivesse sido um jogador mais estável, talvez sua história no futebol italiano tivesse seguido outro rumo – basta pensar que, se tivesse permanecido na Juventus por um mísero ano, teria sido campeão nacional. Mas, se tivesse sabido conter os próprios excessos, não seria Felipe Melo.

Felipe Melo de Carvalho Nascimento: 26 de junho de 1983, em Barra Mansa (RJ) Posição: volante e zagueiro Clubes: Flamengo (2001-03), Cruzeiro (2003-04), Grêmio (2004), Mallorca (2005), Racing de Santander (2005-07), Almería (2007-08), Fiorentina (2008-09), Juventus (2009-11), Galatasaray (2011-15), Inter (2015-17), Palmeiras (2017-21) e Fluminense (2022-24) Títulos: Campeonato Carioca (2001 e 2023), Copa dos Campeões (2001), Campeonato Brasileiro (2003 e 2018), Copa do Brasil (2003 e 2020), Campeonato Mineiro (2003 e 2004), Copa das Confederações (2009), Süper Lig (2012, 2013 e 2015), Supercopa da Turquia (2012, 2013 e 2015), Copa da Turquia (2014 e 2015), Campeonato Paulista (2020), Copa Libertadores (2020, 2021 e 2023), Taça Guanabara (2022 e 2023) e Recopa Sul-Americana (2024) Seleção brasileira: 22 jogos e 2 gols

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