Zerozero
·25 de setembro de 2026
O ponto de viragem de Isak em Anfield: o verdadeiro significado de <i>You'll Never Walk Alone</i>

In partnership with
Yahoo sportsZerozero
·25 de setembro de 2026

Na vida de um futebolista, amador ou de alto rendimento, nem sempre é fácil explicar o motivo das dificuldades de adaptação. Por vezes aponta-se a falta de qualidade, outras vezes a falta de confiança, algumas vezes a não aposta do treinador e ainda existe aquela narrativa que se aborda muito nos dias que correm - 'o jogador não tem características para o modelo de jogo da equipa'.
Abordemos um caso com contornos bem diferentes - o infortúnio das lesões e, sobretudo, o peso de se ser a transferência mais cara de sempre, no país onde se começaram a dar os primeiros pontapés na 'redondinha'. No arranque da segunda temporada no Liverpool, com quatro golos nas primeiros seis jornadas da Premier League, Alexander Isak é, até ao momento, o most improved player do campeonato.
Oriundo do Newcastle e depois de se ter recusado a participar na pré-temporada 2025/26 dos magpies, o internacional sueco assinou em definitivo pelos reds no deadline day do principal escalão do futebol inglês.
Falamos de 145 milhões de euros (cerca de 125 milhões de libras), um número pesado e de difícil verbalização. Soletrando pode ser mais fácil, ou então observando o valor total dos direitos televisivos do futebol português, ou ainda as inúmeras casas decimais nos Relatórios e Contas da Galp ou da EDP. Não é fácil encontrar tais valores na nossa realidade.
O ex-Benfica, Enzo Fernández, acabou por igualar o custo de Isak, depois de consumada a mudança do Chelsea para o Manchester City neste mercado de verão.
Isak passou por um período conturbado no ano de estreia na cidade dos Beatles, com Arne Slot, o treinador de então, a apostar primordialmente em Hugo Ekitiké como homem mais avançado do terreno, visto ter sido o primeiro a chegar. A verdade é que o internacional francês começou em grande com três golos nos três primeiros jogos em Anfield.
Contudo, o ponta de lança de 26 anos foi atuando, mas nunca com a regularidade que era esperada e que se tinha visto em Newcastle. Uma fratura no tornozelo afastou o sueco entre o final de dezembro e início de abril de 2026.
Por coincidência (ou talvez não), o regresso do natural de Solna acabou por contrastar com o início da lesão de Ekitiké, após rotura do tendão de aquiles - uma das lesões mais graves pela qual um futebolista pode passar. A partir daí, Isak foi sendo o titular, mas continuando muito abaixo face à expetativa.
Em grande evidência e com quatro golos marcados no arranque da temporada em vigor, Isak igualou o registo da época passada. Ao leme de Andoni Iraola num invicto Liverpool até ao momento na Premier League - em sexto lugar -, o ponta de lança marcou em três dos cinco jogos dos reds - bis diante do Ipswich Town, e um tento nos jogos frente ao Nottingham Forest e ao Bournemouth.
No dia anterior ao jogo na casa do Bournemouth (0-1) do passado fim de semana, Isak afirmou, em declarações ao programa The Football Interview da rede inglesa BBC Sport, que a fase menos positiva já tinha passado.
«A fratura na perna foi algo difícil e qualquer pessoa que sofreu uma lesão longa sabe o que isso pode prejudicar. No entanto, quando estás num bom lugar e te sentes bem, não olhas para trás, porque isso não vai te ajudar em nada. Estou focado no futuro e sinto-me otimista e confiante para esta temporada», confessou.
Apesar das circunstâncias, o futebolista afirmou que não sentiu qualquer arrependimento na transferência para Anfield, ao afirmar: «Não, nunca. Jamais pensei na questão dessa forma.»
O 'primeiro defesa' do Liver é prata na pódio de melhores marcador do campeonato, estando apenas atrás do inevitável matador dos citizens, Erling Haaland.
O contexto de Alexander Isak é mais um dos múltiplos exemplos no mundo do desporto-rei, de que o tempo cura tudo e a paciência dita o sucesso. Infelizmente, nem todos têm a mesma sorte (ou capacidade) de 'partir a loiça toda' logo no arranque ou, em contrapartida, de conseguir relançar a carreira depois de períodos mais caóticos.
No último caso, com adeptos fervorosos e apaixonados como os de Anfield Road, a verdade é que You'll Never Walk Alone.
* por Guilherme Moreno







































