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JB Filho Repórter

·06 de setembro de 2026

O que acontece no Inter vai além da parte técnica e tática dos jogadores e do Pezzolano

Imagem do artigo:O que acontece no Inter vai além da parte técnica e tática dos jogadores e do Pezzolano
  • O presidente Alessandro Barcellos vai conseguir rebaixar o Internacional? Hoje, infelizmente para o torcedor colorado, essa pergunta já não parece nenhum exagero. É praticamente a única coisa que falta acontecer nesta gestão para completar um cenário absolutamente melancólico. O Inter já rompeu faz tempo com o topo do futebol brasileiro, já deixou de disputar títulos com regularidade, acumulou fracassos esportivos e agora está colocando em risco até a permanência na Série A. Depois da derrota por 3 a 2 para o Santos no Beira-Rio, restam apenas 12 jogos e o Colorado precisa de mais de uma rodada para conseguir sair do Z4. Mesmo se tivesse vencido neste domingo, ainda terminaria a rodada na zona de rebaixamento. O buraco é desse tamanho.
  • E não adianta olhar para o segundo tempo e sair dizendo: “Ah, se jogar assim não cai”. Não sejamos tolos. O Inter fez praticamente a mesma coisa contra o Grêmio. Estava tomando 3 a 0 e aí resolveu jogar. Contra o Santos, de novo: 3 a 0 no placar e aí aparecem intensidade, correria, pressão, indignação. Quando a partida já está quase perdida, o time começa a mostrar aquilo que deveria ter mostrado desde o primeiro minuto. Contra o Grêmio conseguiu fazer um gol. Contra o Santos buscou dois e transformou o placar em 3 a 2. Bonito para quem olha só os últimos minutos, mas insuficiente para esconder a realidade. Hoje o Inter está tomando roda de praticamente todo mundo. Em casa ou fora, qualquer adversário chega e consegue colocar o Colorado em enormes dificuldades. Eu me arriscaria a dizer que, neste momento, o Inter joga um dos piores futebóis da Série A.
  • Paulo Pezzolano, pelo menos, tentou simplificar a escalação desta vez. Depois de tantas mudanças, linhas de cinco, linhas de quatro, jogadores improvisados e desenhos diferentes a cada partida, o treinador montou algo muito mais próximo de um 4-2-3-1 básico. Dois laterais, dois zagueiros, Ronaldo e Thiago Maia como volantes, Vitinho de um lado, Carbonero do outro, Alan Patrick centralizado e Sanabria na frente. Villagra começou no banco. Nada mirabolante, nada muito diferente. O problema é que aí aparece outra parte dessa história: os jogadores do Inter também não estão entregando.
  • Se o time é limitado, pelo menos joga com a faca entre os dentes. Só que o Inter entrou a passos de formiga. Lento, modorrento, sem intensidade e cometendo erros inacreditáveis. O primeiro gol do Santos nasce com Félix Torres tentando sair jogando e entregando a bola para Gabigol, que fica na frente do goleiro e faz 1 a 0. Depois Matheus Bahia perde uma bola, volta para tentar consertar, faz pênalti em Gabigol e ainda acaba expulso. Para completar, num cruzamento em que o Inter tinha uma quantidade enorme de jogadores dentro da própria área contra poucos santistas, a bola encontra justamente um adversário. 3 a 0. Num tapa. O torcedor piscou e o Santos já tinha construído uma vantagem enorme no Beira-Rio.
  • A reação das arquibancadas mostrou o tamanho da desilusão. Mais de 20 mil colorados foram ao estádio tentando empurrar o time e, antes mesmo do intervalo, muita gente já estava indo embora. Faixas começaram a ser recolhidas, a banda da Popular parou e vieram as manifestações. E é difícil cobrar outra reação de quem paga ingresso, comparece e assiste ao time entrar numa partida decisiva para a sobrevivência no campeonato com aquela passividade.
  • Alguma coisa aconteceu no intervalo porque o Inter voltou completamente diferente. Mesmo com um jogador a menos, passou a competir, acelerou as jogadas e começou a pressionar. Aguirre entrou pela esquerda e fez um golaço de fora da área para diminuir. A partir dali veio uma pressão forte e novamente surge a pergunta: por que não jogou assim desde o começo? É verdade que existe também o outro lado. Com 3 a 0, o Santos naturalmente recua, relaxa um pouco e oferece campo. O Inter, completamente desesperado, passa a acelerar porque não tem mais nada a perder. Mas ainda assim chama atenção essa mudança tão grande de postura.
  • A pressão perdeu força no decorrer do segundo tempo por dois motivos. O primeiro foi físico. Era natural que um time com dez jogadores, correndo atrás do placar, cansasse. O segundo veio do próprio Santos. Quando percebeu que o Inter crescia, o Santos colocou Arthur em campo justamente para fazer aquilo que ele sabe: segurar a bola, controlar a posse e tirar velocidade do jogo. Toque para um lado, toque para o outro e a pressão colorada foi diminuindo. Já no final, Vitinho conseguiu cavar um pênalti numa jogada que começou até em cobrança de lateral. Bruno Henrique bateu e fez 3 a 2, dando algum drama aos minutos finais.
  • Só que é uma grande ilusão utilizar essa reação para dizer que as coisas estão melhorando. O Inter continua jogando muito mal e suas individualidades também estão entregando pouco. Félix Torres chegou depois de não conseguir se firmar no Corinthians e não está dando resposta. Mateus Cunha também não consegue passar segurança. Niclass Eliasson chegou para acrescentar no ataque e até agora pouco mudou. Sanabria é outro reforço caro que ainda entrega muito pouco como centroavante. Carbonero consegue produzir em alguns momentos, Alan Patrick tenta organizar, mas muitas vezes olha para frente e simplesmente não encontra para quem jogar.
  • E essa talvez seja a maior preocupação. O Inter tem problema de direção, problema financeiro, problema de montagem de elenco, problema de treinador e problema de jogador. É coisa demais para um clube que agora tem apenas 12 partidas para salvar o ano. A reação contra o Santos veio tarde. A reação contra o Grêmio também veio tarde. Não adianta começar a jogar quando está 3 a 0. Na luta contra o rebaixamento, os pontos vão embora do mesmo jeito.
  • Agora também existe uma dúvida inevitável sobre Paulo Pezzolano. No momento, ele segue como treinador do Internacional. Mas até quando? Ele já mudou demais, tentou simplificar e mesmo assim viu o time levar 3 a 0 dentro do Beira-Rio. Tem responsabilidade? Claro que tem. Os jogadores também. A direção mais ainda, porque foi ela que montou tudo isso.
  • O cenário hoje é muito claro. O Inter está no Z4, precisa de pelo menos duas rodadas para começar a imaginar uma saída e faltam somente 12 jogos. Já não existe mais Copa do Brasil para dividir atenção. Não existe mais sonho de título nacional para maquiar a situação. A missão é uma só: não cair.
  • E talvez seja justamente isso que mais assuste. Depois de tudo que já aconteceu durante a gestão Alessandro Barcellos, a única grande vergonha que ainda faltava era um novo rebaixamento. Hoje, ninguém pode mais tratar essa possibilidade como exagero. Ela está cada vez mais real, cada vez mais desenhada e cada vez mais próxima.
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