O que teve de Cebolinha, desaforos no Barradão e o fato que pode até rebaixar o Grêmio | OneFootball

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JB Filho Repórter

·09 de setembro de 2026

O que teve de Cebolinha, desaforos no Barradão e o fato que pode até rebaixar o Grêmio

Imagem do artigo:O que teve de Cebolinha, desaforos no Barradão e o fato que pode até rebaixar o Grêmio
  • Everton Cebolinha não deve voltar ao Grêmio. Nas últimas horas surgiu uma matéria da ESPN, assinada pelo repórter Bruno Andrade, colocando o atacante entre Grêmio e Krasnodar, da Rússia, para deixar o Flamengo. Cebolinha inclusive chegou a ser liberado recentemente de uma partida para tratar de assuntos pessoais e ali ficou claro que existia uma negociação em andamento. Só que, pelo lado gremista, a resposta foi completamente diferente. Uma pessoa importante da direção foi taxativa: “Esqueçam essa história”. Chegou a dizer que estavam usando o nome do Grêmio para “farmar like”. Ou seja, oficialmente o clube nega qualquer possibilidade de contratar Cebolinha neste momento.
  • E, pelo que aparece nas últimas informações, talvez nem Grêmio nem Krasnodar sejam o destino. O Santos ganhou força e pode montar um ataque com Neymar, Arthur e agora Everton Cebolinha. Há uma versão da Rádio Gaúcha de que o problema para o Grêmio nem seria exatamente o salário. Cebolinha recebe pouco mais de R$ 1 milhão por mês no Flamengo e esse valor até poderia ser trabalhado. A dificuldade estaria nas luvas: algo na casa dos R$ 5 milhões para assinar um contrato até 2028. Quando tu fatia isso ao longo do vínculo, acrescenta mais uma bela parcela mensal e leva o pacote para um patamar que o Grêmio hoje diz que não quer pagar. Ainda mais num momento em que a direção repete que acabou o “show do milhão”. E tem uma curiosidade: para o Grêmio se falava em contrato de dois ou três anos. No Santos, a possibilidade seria permanecer apenas até o fim da temporada. Tem o fator Neymar, claro, mas também parece que o Santos encontrou uma forma de negociar que os outros clubes não conseguiram.
  • Só que o assunto mais pesado envolvendo o Grêmio nas últimas horas veio justamente depois da derrota para o Vitória. Fábio Mota, presidente do clube baiano, falou abertamente depois da partida que seria injusto o Vitória perder para um “time de caloteiros”. É uma declaração pesadíssima, mas ela vem de uma cobrança real. O Vitória ainda tem valores a receber do Grêmio pela negociação de Wagner Leonardo, com parcelas importantes em aberto. A dívida discutida gira em torno de US$ 2,5 milhões e o clube baiano reclama há algum tempo da falta de pagamento. O Grêmio chegou a tentar devolver o jogador numa negociação anterior, mas o movimento não avançou. Então existe uma mágoa enorme do Vitória com a forma como essa operação foi conduzida.
  • E não é um caso completamente isolado no futebol brasileiro. O próprio Cuiabá já reclamou publicamente de clubes que lhe devem enquanto também precisa pagar seus credores. É aquele ciclo ruim: um clube não paga o outro, o outro deixa de pagar um terceiro e todo mundo começa a viver de acordo, renegociação e cobrança. Só que, neste caso, estamos falando especificamente do Grêmio e a fama começa a incomodar porque aparecem cada vez mais credores dizendo publicamente que não receberam aquilo que estava combinado.
  • Mas talvez a declaração mais pesada da noite nem tenha sido a do presidente do Vitória. Caíque , volante da equipe baiana, falou pela primeira vez de maneira muito forte sobre a negociação frustrada que teve com o Grêmio. Ele estava praticamente acertado, com contrato de três anos e salário na casa dos R$ 280 mil mensais. O negócio acabou não acontecendo e, naquele momento, o Grêmio justificou oficialmente a desistência com uma questão médica no joelho do jogador. Caíque nunca engoliu isso.
  • Agora, depois de vencer o Grêmio, ele disparou. Disse que foi a melhor coisa que aconteceu não ter ido para Porto Alegre, chamou de “sacanagem” aquilo que fizeram com ele e chegou a desejar que, se o Grêmio entrar na zona do rebaixamento, não saia mais. Também exaltou o Vitória como um clube que paga em dia. É evidente que existe muita mágoa nessa fala, mas dá para entender de onde ela vem. Na visão do jogador, o Grêmio colocou em dúvida publicamente uma condição física que já estava resolvida e poderia ter prejudicado sua carreira. O médico que realizou sua cirurgia também sustentava que o joelho estava recuperado. Então Caíque ficou com essa história atravessada e resolveu colocar tudo para fora.
  • E aí chegamos ao campo, porque Luís Castro também falou depois da derrota no Barradão e escolheu olhar para um recorte positivo. O treinador destacou que, nos últimos oito jogos, o Grêmio tem quatro vitórias, dois empates e duas derrotas. É verdade. Olhando friamente, é uma campanha boa. Só que tem uma estatística que assusta muito mais: o Grêmio ainda não venceu uma única partida fora de casa neste Campeonato Brasileiro.
  • Esse dado precisa ligar um alerta. Historicamente, no Brasileirão de pontos corridos, os times que terminaram a competição sem nenhuma vitória como visitante acabaram rebaixados. Pode existir exceção futura, estatística serve também para ser quebrada, mas é um sinal importante. O São Paulo já teve uma temporada em que quase passou por isso, conseguiu se sustentar com uma campanha muito forte no Morumbi e ainda arrancou uma vitória fora na reta final. Só que o Grêmio não tem na Arena uma campanha tão absurda a ponto de compensar completamente aquilo que não faz longe de casa.
  • Hoje o Tricolor está somente três pontos acima da zona de rebaixamento. A situação do Inter é muito pior, evidentemente, porque está dentro do Z4 e respirando por aparelhos. Mas isso não significa que o Grêmio esteja tranquilo. A classificação na Copa do Brasil, principalmente depois daquele 3 a 0 histórico no Gre-Nal, deu uma anestesiada em todo mundo. E com razão. Foi uma classificação enorme. Só que o Campeonato Brasileiro continua mostrando outra realidade.
  • Então são vários sinais acontecendo ao mesmo tempo. Cebolinha, neste momento, não vem. A direção diz que não existe negócio e o custo também não encaixa na nova política financeira. O Vitória cobra uma dívida importante e seu presidente vai a público chamar o Grêmio de caloteiro. Caíque Gonçalves aproveita a vitória para expor toda a mágoa de uma negociação que quase aconteceu. E, dentro de campo, Luís Castro tenta encontrar números positivos num time que ainda não venceu fora de casa e está apenas três pontos acima da zona da confusão.
  • A Copa do Brasil está bonita. O Gre-Nal foi histórico. Mas o Brasileirão está longe de estar resolvido. E se o Grêmio quiser parar de olhar para o outro lado da rua e perguntar se vai entrar ou não na confusão, vai precisar começar a ganhar longe da Arena. Porque hoje a distância para o problema ainda é pequena demais.
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