Deus me Dibre
·06 de agosto de 2026
O rei da Copa do Brasil voltou a agir como rei

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·06 de agosto de 2026

Há times que entram em campo para disputar uma classificação. O Cruzeiro entrou no Mineirão para buscá-la. E há uma diferença enorme entre uma coisa e outra.
Depois do empate sem gols na Arena Condá, quando preferiu guardar combustível a gastar energia à toa, a Raposa fez exatamente o que se esperava diante de mais de 30 mil torcedores: mostrou por que ninguém levantou mais vezes a taça da Copa do Brasil do que ela.
Arthur Jorge mudou quatro peças, mas não mudou a ideia. Pelo contrário. O Cruzeiro entrou acelerando, pressionando a saída de bola, empurrando a Chapecoense para trás e deixando claro que o empate em Santa Catarina fazia parte do roteiro. A classificação seria escrita no Mineirão.
E foi.
A primeira recompensa nasceu da insistência. Fabrício Bruno mostrou que zagueiro também pode vestir terno de garçom. Deu um corte elegante no marcador, cruzou na medida e encontrou Matheus Henrique. Anderson, velho conhecido da torcida celeste, fez uma defesa espetacular. Pena para ele que rebote não tem dono. Matheus Henrique teve tempo de levantar, agradecer à gravidade e empurrar para as redes.
O problema é que o gol custou caro. Na sequência da jogada, o volante levou uma pancada violentíssima no rosto, fraturou o nariz e deixou o gramado coberto de sangue. Dói só de assistir ao replay. Curiosamente, a arbitragem tratou o lance quase como um acidente de percurso. Em tempos em que reclamar rende cartão mais rápido do que acertar o rosto do adversário, ficou difícil entender o critério.
A Chapecoense ainda conseguiu complicar a própria vida antes do intervalo. Uma entrada duríssima em Gabriel Rojas terminou com expulsão. Se já era difícil jogar contra o Cruzeiro no Mineirão, com um jogador a menos a missão passou a ser praticamente um curso intensivo de sobrevivência.
No segundo tempo, o jogo virou ataque contra defesa. O Cruzeiro cercava por todos os lados, finalizava de todo jeito e parecia participar de um treinamento de ataque contra defesa. Foram mais de 30 conclusões, uma pressão constante e a sensação de que o segundo gol era questão de tempo, não de competência.
E o relógio confirmou.
Kaio Jorge, que já começava a ouvir aquela velha pergunta inconveniente — “esqueceu como faz gol?” — tratou de responder da melhor maneira possível. Sofreu o pênalti e ele mesmo cobrou para fazer 2 a 0, colocar fim ao pequeno jejum de três partidas e, principalmente, encerrar qualquer esperança da Chapecoense.
Daí para frente, o Cruzeiro fez aquilo que os times maduros sabem fazer. Tirou o pé do acelerador, administrou o relógio, evitou desgaste desnecessário e começou a pensar no que realmente importa. Domingo tem Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro. Na sequência, começa o duelo gigantesco contra o Flamengo pelas quartas de final da Libertadores. É o tipo de calendário que não permite romantismo. Energia também faz parte da estratégia.
Como se a classificação não bastasse, a semana ainda trouxe boas notícias fora das quatro linhas. Wesley já desembarcou na Toca, enquanto Lucho Rodríguez e João Costa estão muito próximos de reforçar um elenco que, apesar da boa fase, ainda precisava de mais alternativas para enfrentar um segundo semestre tão pesado.
No fim da noite, ficou uma impressão difícil de contestar: o Cruzeiro não apenas venceu. O Cruzeiro lembrou ao futebol brasileiro que existe competição em que camisa pesa. E quando o assunto é Copa do Brasil, poucas camisas pesam tanto quanto a azul estrelada.
A Chapecoense vendeu caro a classificação. O Cruzeiro, porém, pagou à vista.
Angel Drumond







































