O terceiro mandato de Leila Pereira: o jogo político que pode redefinir o Palmeiras pós-Abel | OneFootball

O terceiro mandato de Leila Pereira: o jogo político que pode redefinir o Palmeiras pós-Abel | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Portal do Palestra

Portal do Palestra

·09 de abril de 2026

O terceiro mandato de Leila Pereira: o jogo político que pode redefinir o Palmeiras pós-Abel

Imagem do artigo:O terceiro mandato de Leila Pereira: o jogo político que pode redefinir o Palmeiras pós-Abel

Desde dezembro de 2025, uma frase circula em silêncio entre os conselheiros do Palmeiras. Não é sobre contratação, sobre tática ou sobre título. É sobre poder: “O Real Madrid tem o mesmo presidente há quase 20 anos. O Real Madrid é um clube pequeno e nada vitorioso?”

Quem disse isso foi Leila Pereira, em reunião com o Conselho Deliberativo, em 17 de dezembro de 2025. O argumento estava pronto, era direto e tinha destinatário certo: os conselheiros que, discretamente, já vinham sinalizando que a ideia de um terceiro mandato consecutive não era bem-vinda.


Vídeos OneFootball


O encontro não terminou bem. O conselheiro José Corona Netto respondeu às críticas, o embate escalou, seguranças precisaram intervir, e o Palmeiras acordou com uma crise política pequena nos noticiários esportivos, mas real nos bastidores do maior clube do Brasil em atividade.

O que o estatuto diz, e por que ele precisa mudar para Leila continuar

O estatuto atual do Palmeiras é claro: mandatos de três anos, com direito a uma única reeleição. Ou seja, o máximo permitido pelas regras em vigor são seis anos consecutivos no cargo.

Leila Pereira foi eleita pela primeira vez em 20 de novembro de 2021 — a primeira mulher a presidir o clube em mais de um século de história. Tomou posse em 15 de dezembro de 2021. Três anos depois, em novembro de 2024, foi reeleita com 72% dos votos válidos, superando Savério Orlandi. Seu segundo mandato vai até o final de 2027.

Pelas regras vigentes, ela não pode disputar a eleição de 2027. Ponto final.

Para que isso mude, é preciso alterar o estatuto. Isso exige aprovação do Conselho Deliberativo — e, em seguida, de uma assembleia de associados. O conselho tem, conforme a última eleição realizada em fevereiro de 2025, 85 membros eleitos. Segundo a CNN Brasil, seriam necessários aproximadamente 144 votos de conselheiros — entre eleitos e natos — para atingir o quórum de 50%+1. O número exato de votos depende da composição total do colegiado, que inclui conselheiros natos além dos eleitos.

Quem está por trás da articulação — e quem nunca deveria ser

A figura mais improvável da história recente do Palmeiras voltou à cena: Mustafá Contursi, 85 anos, ex-presidente do clube entre 1993 e 2005 — o período de maior instabilidade financeira da história moderna do Verdão, que chegou ao rebaixamento à Série B.

Segundo apuração de O Estado de S. Paulo e confirmado por múltiplas fontes, Contursi está trabalhando nos bastidores para costurar os votos necessários para a mudança estatutária. O paradoxo é evidente: Contursi e Leila estavam sem se falar desde 2017. A presidente soube do apoio dele de forma discreta, e aparentemente aceitou.

Além de Contursi, outro ex-presidente histórico, Arnaldo Tirone, também aparece como influente no grupo que apoia a continuidade de Leila. Juntos, os dois têm trânsito significativo entre conselheiros da antiga guarda.

O presidente do Conselho Deliberativo, Alcyr Ramos, é alinhado com Leila — eleito com o apoio dela em votação recente, considerada um ensaio de força política para exatamente esse momento.

Quem é contra — e por que a oposição é maior do que parece

A oposição mais barulhenta é a de José Corona Netto, o conselheiro que protagonizou o bate-boca com Leila em dezembro. Mas o quadro real é mais complexo.

Nem todos os aliados da situação estão confortáveis. Segundo levantamento da ESPN Brasil, há conselheiros que caminharam com Leila desde o início — mas que avaliam que “nove anos é tempo demais” e que uma alteração estatutária nesse sentido “afetaria a credibilidade do clube no mercado”.

Em julho de 2025, numa primeira tentativa mais discreta, a ideia chegou a ser abortada. Conselheiros próximos à presidente sinalizaram que o momento não era favorável, e Leila recuou. A percepção era de que mudar o estatuto logo após ser reeleita passaria a imagem errada.

Mas o tema voltou em dezembro de 2025 — desta vez, de forma mais explícita e com Leila defendendo abertamente a mudança pela primeira vez em reunião formal.

A oposição organizada tem no nome de Maurício Galiotte, ex-presidente do clube, sua figura mais aguardada. Galiotte não se posicionou publicamente sobre o terceiro mandato nem declarou candidatura, mas fontes da ESPN Brasil e do Bolavip apontam que ele ganha força nos bastidores como alternativa para 2027 — justamente entre conselheiros desconfortáveis com a mudança estatutária.

A aliança com Paulo Buosi, vice-presidente do clube, é citada como possível base de uma chapa. Procurado, Galiotte não se manifestou publicamente até a publicação desta reportagem.

A questão que ninguém está fazendo — e que pode ser a mais importante

Abel Ferreira renovou contrato com o Palmeiras até dezembro de 2027. O contrato não tem multa rescisória. O salário e as premiações são os mesmos do vínculo anterior.

A coincidência de datas é tudo menos acidental: o mandato de Leila termina em dezembro de 2027. O contrato de Abel termina em dezembro de 2027. A eleição presidencial do Palmeiras está marcada para novembro de 2027.

O que acontece se Leila não conseguir o terceiro mandato — e um novo presidente assumir em dezembro de 2027, exatamente quando o contrato de Abel vence?

Cenário 1 — Leila consegue mudar o estatuto e vence a eleição: continuidade política e, provavelmente, nova renovação de Abel. O projeto segue.

Cenário 2 — Galiotte vence: segundo fontes, ele já sinalizou disposição de oferecer um ano a mais a Abel. A continuidade técnica estaria preservada, mas o DNA político mudaria completamente.

Cenário 3 — A disputa política se acirra, o clube entra em crise interna em 2027 e Abel decide não renovar, buscando um projeto europeu ou de seleção nacional: o Palmeiras perde, ao mesmo tempo, sua maior liderança técnica e enfrenta uma eleição sem o principal argumento de gestão.

É o cenário 3 que ninguém está monitorando — e deveria.

O argumento do Real Madrid funciona?

Leila usou Florentino Pérez como exemplo de longevidade bem-sucedida. É um argumento inteligente, mas incompleto.

Florentino preside um clube com estrutura de S/A, financiamento privado e estatuto próprio de associação civil espanhola — um modelo completamente diferente do Palmeiras. No Real Madrid, não há limitação estatutária de mandatos: o presidente é eleito pelos sócios sem limite de reconduções, desde que vença a eleição. A comparação serve para o argumento emocional, mas juridicamente é uma comparação entre modelos incompatíveis.

O que o argumento de Leila não responde: por que, se a gestão é boa, ela não pode ser avaliada por um candidato de continuidade — alguém da sua base — que carregue o mesmo projeto sem a necessidade de mudar as regras do jogo?

O que vem a seguir

O calendário político do Palmeiras é o seguinte:

  • 2026–2027: período de articulação e definição sobre a mudança estatutária
  • Antes de novembro de 2027: votação no Conselho Deliberativo para eventual mudança no estatuto, seguida de assembleia de associados
  • Novembro de 2027: eleição presidencial do Palmeiras
  • Dezembro de 2027: posse do novo (ou mesmo) presidente e vencimento do contrato de Abel

A janela para Leila agir é 2026. Deixar para 2027 é arriscar demais — a pressão política aumenta conforme a eleição se aproxima, e a oposição tem tempo para se organizar.

O Palmeiras está em plena temporada, disputando Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil. Os holofotes estão no campo. Mas nas salas dos conselheiros, a temporada mais decisiva do clube pode ser outra — e o placar, por enquanto, está em aberto.

Perguntas frequentes

Leila Pereira pode mesmo ficar até 2030?

Somente se o estatuto do Palmeiras for alterado. Pelas regras atuais, que limitam a presidência a dois mandatos consecutivos de três anos, o mandato de Leila termina em dezembro de 2027 e ela não pode se candidatar à reeleição novamente.

Quantos votos são necessários para mudar o estatuto do Palmeiras?

A mudança exige aprovação de pelo menos 50%+1 dos conselheiros em exercício no Conselho Deliberativo, seguida de ratificação em assembleia de associados. O Palmeiras tem atualmente 85 conselheiros eleitos (quadriênio 2025–2029), além de conselheiros natos.

O contrato de Abel Ferreira termina junto com o mandato de Leila?

Sim. Abel renovou contrato até dezembro de 2027 — a mesma data em que vence o mandato de Leila e quando ocorre a eleição presidencial do clube. A coincidência torna 2027 o ano mais decisivo da história recente do Palmeiras.

Quem pode ser presidente do Palmeiras se Leila não conseguir o terceiro mandato?

O nome mais citado como candidato da oposição é Maurício Galiotte, ex-presidente do clube, que rompeu com Leila Pereira e sinalizou interesse na eleição de 2027. Paulo Buosi também aparece como possível aliado.

Mustafá Contursi é aliado de Leila Pereira?

Sim, apesar de ambos não se falarem desde 2017. Contursi, que presidiu o Palmeiras entre 1993 e 2005, está articulando nos bastidores a mudança estatutária que abriria caminho para um terceiro mandato de Leila.

Veja também

Carregando notícias…

+ Siga-nos no X+ Siga-nos no TikTok+ Siga-nos no Instagram+ Inscreva-se no YouTube+ Inscreva-se no WhatsApp+ Entre no canal do Telegram+ Curta a página no FacebookVeja mais notícias do Palmeiras, acompanhe os jogos do Verdãohistória e títulos da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Saiba mais sobre o veículo