O verdadeiro motivo que fez a direção buscar o Renato novamente
Renato Portaluppi está de volta ao Grêmio e, nos bastidores, a direção trata a escolha como a melhor opção possível para este momento. Nesta quarta-feira, contra o Botafogo, Felipão será o treinador à beira do campo, mas Renato estará junto, participando diretamente e iniciando essa nova passagem. E a explicação da direção para ter ido novamente atrás dele é simples: precisava demitir Luís Castro e precisava de alguém que desse resposta imediatamente.
Alguns dirigentes foram ainda mais longe nas conversas com jornalistas no Rio. Um deles chegou a brincar que, para este momento específico, Renato seria uma opção melhor até do que Guardiola. Evidentemente não é uma comparação técnica entre os dois treinadores. A ideia era explicar o contexto. Mesmo que aparecesse um grande técnico estrangeiro, na primeira derrota começaria o questionamento, ele precisaria conhecer o clube, os funcionários, o vestiário, os jogadores e entender todo o ambiente. Renato não precisa de absolutamente nada disso. Ele sabe onde está chegando. Conhece o Grêmio, conhece a Arena, conhece boa parte do grupo e entende como funciona a pressão do clube.
E tem mais: Renato estava assistindo aos jogos. Não chega completamente por fora da temporada, precisando de um mês para descobrir quem joga bem, quem está mal ou qual jogador pode exercer determinada função. Ele já tem uma leitura do elenco e agora vai adaptar aquilo que existe ao seu jeito de jogar. A dúvida passa a ser qual formação utilizará. Pode montar um tripé de meio-campo, pode ir num 4-2-3-1 com dois volantes mais alinhados e um meia adiantado, mas provavelmente veremos aquele básico do Renato. E básico aqui não significa necessariamente ruim. Significa simplificar funções, colocar cada jogador onde se sente confortável e tentar recuperar confiança rapidamente.
Se Arthur estivesse no Grêmio, Renato provavelmente não teria deixado sua saída acontecer. Se Cebolinha ainda estivesse disponível, também certamente faria força pela contratação. Mas não estão. Então ele trabalhará com aquilo que recebeu. E a vantagem é que já comandou alguns dos principais jogadores do grupo. Kannemann, Braithwaite, Gustavo Martins e Villasanti, entre outros, conhecem sua forma de trabalhar. Renato chegou abraçando jogadores, conversando, brincando e fazendo aquilo que sempre fez para criar ambiente. Falou com Felipão, tirou onda dizendo que gostaria de ter um zagueiro como ele pela frente e rapidamente começou a recuperar aquela relação mais leve dentro do vestiário.
A relação com alguns dirigentes também terá que ser reconstruída. Renato e Pelaipe não possuem exatamente uma grande proximidade, mas o próprio Pelaipe teria se convencido de que, neste momento, a melhor solução para o Grêmio era Renato. Rafael Lima também terá que administrar questões anteriores e trabalhar normalmente com o treinador. No fim, a ideia é colocar diferenças de lado porque a situação esportiva não permite muita vaidade. O Grêmio está perto da zona de rebaixamento e, ao mesmo tempo, a apenas 180 minutos de uma final de Copa do Brasil.
E Renato já começou com aquele discurso bastante conhecido do torcedor gremista. Disse que esse grupo precisa de carinho e que, com ele, vai jogar. É típico. Renato gosta de trabalhar confiança, gosta de dizer ao jogador que acredita nele e normalmente tenta tirar peso do ambiente. Depois de meses de cobrança com Luís Castro, a direção entende que esse choque pode ser importante. Não quer dizer que os problemas técnicos desaparecerão da noite para o dia, mas o objetivo é recuperar rapidamente um grupo que vinha cada vez mais pressionado.
A própria comissão técnica mostra esse resgate do passado. Rogerinho está sendo buscado novamente na base para trabalhar junto. Mário Pereira, que participava da preparação física e saiu quando Renato deixou o clube em 2024, também retorna. Mauri Lima volta para trabalhar com os goleiros. Ou seja, não é somente Renato voltando. O Grêmio está remontando parte daquela estrutura que já funcionava com ele anteriormente. É praticamente uma volta ao passado para tentar resolver o presente.
E existe uma razão bastante objetiva para fazer isso agora. O clube olha para a tabela e pensa: faltam poucos jogos para garantir a permanência na Série A e apenas dois jogos contra o Atlético-MG para conseguir uma vaga na final da Copa do Brasil. Passando pelo Galo, o Grêmio já garante pelo menos uma possibilidade muito importante de Libertadores e fica a uma partida do título. Se terminar o ano permanecendo na Série A e conseguindo uma vaga na Libertadores, mesmo que seja pela campanha na Copa, já muda completamente a avaliação de uma temporada que estava caminhando para ser muito ruim.
Foi por isso que a direção não quis apostar num treinador que precisasse de meses para conhecer tudo. A avaliação é que não existe tempo. Renato chega sabendo onde está entrando, conhece os jogadores, conhece o clube, consegue conversar com o torcedor e tem capacidade de mobilizar imediatamente um ambiente que estava cada vez mais pesado. É esse o grande motivo pelo qual a alta cúpula gremista entende que ele era a melhor escolha disponível.
Depois, em dezembro, é outra história. Renato tem contrato até o final da temporada. O que acontece em 2027, se haverá renovação ou se o Grêmio vai procurar novamente outro perfil de treinador, fica para depois. Agora o objetivo é bem mais simples: não cair, recuperar o time e tentar chegar à final da Copa do Brasil. Para isso, o Grêmio decidiu voltar para alguém que não precisa de manual de instruções. Renato conhece a casa. E a aposta é justamente que consiga fazer esse conhecimento virar resultado imediatamente.