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·25 de maio de 2026

Os cabeçudos de ocasião da comunicação desportiva portuguesa

Imagem do artigo:Os cabeçudos de ocasião da comunicação desportiva portuguesa

Há um fenómeno curioso em Portugal. Sempre que o Sporting não conquista um título, uma parte significativa da comunicação desportiva nacional sofre uma transformação digna de estudo científico. As cabeças incham, os corredores ficam intransitáveis e alguns optam mesmo pelo teletrabalho para esconder a euforia mal disfarçada. Aconteceu outra vez.

Antes da final, os elogios ao Rui Borges caíam como chuva de Verão, intensos e passageiros. Que o treinador apresentava bom futebol, que não tinha problemas em ser o que é. Tudo muito bem.


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Depois veio o pior. Um director de publicação afirmou em podcast do próprio grupo que o Sporting de Varandas era factualmente o melhor da história do clube. Factualmente. Uma palavra pesada para ser usada em pleno modo adepto disfarçado de jornalista. Não há nada de factual numa opinião partidária apresentada como verdade absoluta. Só que esses mesmos elogios vinham de quem, semanas antes, pedia investigações a árbitros depois de resultados adversos. A coerência é, claramente, uma virtude escassa neste meio.

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E os chamados benfiquistas de serviço? Também não ficaram de fora. Aproveitaram a conquista da Taça para atirar ao Benfica a acusação de ter perdido o segundo lugar por incompetência, ignorando convenientemente a questão das arbitragens. O contexto incomoda quando a narrativa já está construída.

Mas o momento mais revelador veio nas medalhas imaginárias do Record. Palhinha como exemplo de sucesso, Samu Costa como alvo fácil depois da descida do seu clube. Um vai ao Mundial, o outro vai de férias, disseram com gozo. Ninguém, porém, encontrou espaço nem tempo para analisar a abordagem de Gonçalo Inácio no lance que originou o segundo golo do Torreense. Aquela entrada que qualquer adepto viu. Se fosse António Silva a cometer aquele erro, a capa de amanhã já estava escolhida antes do apito final.

Isto não é uma queixa. É um registo. A comunicação desportiva portuguesa tem o direito de celebrar o que quiser e com quem quiser. O que não tem é o direito de fingir que o faz com isenção. Os cabeçudos de Torres Vedras são inofensivos e fazem parte da tradição. Estes outros crescem só quando convém e encolhem quando a realidade bate à porta.

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