Jornal do Fla
·21 de maio de 2026
Os jogadores burros que me perdoem, mas inteligência é fundamental

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·21 de maio de 2026


Inteligência é um conceito amplo e que pode ser interpretado de diversas formas. Ainda que normalmente se associe o termo a fins acadêmicos ou culturais, estudiosos consideram diversos tipos e formas de inteligência, que vão da inteligência motora até a espacial, da musical até a lógico-matemática, entre outras.
Daí podemos concluir que, mais adequado do que trabalhar com conceitos monolíticos e binários como “inteligente” ou “burro”, faz mais sentido abordar a questão da inteligência em termos de diferentes graus de manifestação dos diferentes tipos de inteligência, alguns mais ou menos adequados para certas atividades.
Um grande jogador de futebol, por exemplo, tende a exigir uma combinação de diversos tipos específicos de inteligência. Você precisa saber encontrar espaços, saber executar movimentos, o emocional e o psicológico também tendem a ser exigidos. E não possuir essa combinação não torna uma pessoa necessariamente burra, mas faz com que ela não seja inteligente em termos de futebol.
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E toda essa contextualização é para reforçar o fato de que, na vitória desta quarta-feira diante do Estudiantes, apesar da classificação garantida para a próxima fase da Libertadores da América, ficou claro, mais uma vez, que o Flamengo vem escalando uma quantidade excessiva de jogadores que não sinalizam essa combinação de inteligências necessárias para a prática do futebol.
Alguns exemplos? Ayrton Lucas, um lateral que é fraco no ataque, calamitoso na defesa, mas que talvez pudesse ser um grande engenheiro, um incrível cardiologista, quem sabe o maior chef de cozinha que o mundo já conheceu. Mas infelizmente ele optou pelo futebol e todos nós pagamos o preço.
O que dizer de Luiz Araújo, que tem toda a atleticidade necessária para o futebol mas em dados momentos parece ter a cognição de uma criança pequena que tenta encaixar triângulo no buraco do círculo e círculo no buraco do quadrado? Ou mesmo Carrascal, que alterna plasticidade, indolência, qualidade técnica e absoluta displicência, que tornam impossível saber se ele é um bom jogador num dia ruim ou um jogador ruim num dia bom?
Porque sim, o Flamengo conseguiu a vitória e não correu tantos riscos na defesa, mas só conseguiu realmente articular algo no ataque com a entrada de Paquetá, que adicionou ao meio campo um pouco mais da tão famosa inteligência. Antes o que tínhamos era um também inteligente mas solitário Jorginho no meio-campo, tentando colocar a bola no chão enquanto seus colegas de equipe, não tão inteligentes, corriam desorientadamente pelas pontas e cruzavam bolas, ainda menos inteligentes, da linha da intermediária.
Então é preciso, mais uma vez, entender que por mais voluntariosos que sejam os nossos pontas, por mais que eles saibam correr e às vezes chutar, o Flamengo não consegue criar jogadas sem ter ao menos um jogador dotado dessa inteligência na área de criação. Jorginho está muito recuado para essa função, Carrascal visivelmente não consegue sustentar essa atividade e se faz essencial então a presença de Paquetá em campo – ao menos enquanto Arrascaeta segue lesionado.
Que essa lição não apenas seja aprendida, mas que o Flamengo – e Leonardo Jardim – entendam o quão essencial é, no futebol como um todo, ter em campo gente que não apenas sabe correr, chutar ou marcar, mas que também sabe pensar, entender e enxergar espaços. Sem querer chamar ninguém de burro, mas é a inteligência que vai decidir se vamos ganhar campeonatos ou não.
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