Calciopédia
·03 de junho de 2026
Os melhores da Serie A 2025-26

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·03 de junho de 2026

A superioridade demonstrada pela Inter ao longo da Serie A 2025-26 também se refletiu na nossa seleção da temporada. Campeões com três rodadas de antecedência e 11 pontos de vantagem sobre o vice-líder, os nerazzurri emplacaram o maior número de atletas no time escolhido por um colégio eleitoral formado pela equipe da Calciopédia, jornalistas esportivos e blogueiros especializados no futebol italiano. Roma e Como, que garantiram vagas na próxima Champions League após campanhas acima das expectativas, também colocaram mais de um nome na formação ideal. O nosso onze foi completado por jogadores de clubes que, mesmo sem alcançar os mesmos resultados coletivos, contaram com protagonistas capazes de se destacar individualmente ao longo do campeonato.
Além da seleção da temporada, escolhemos os jogadores que obtiveram maior destaque em oito categorias. Para toda a premiação, geralmente consideramos elegíveis apenas os atletas que entraram em campo em pelo menos metade das partidas da competição – ou seja, aqueles que somaram no mínimo 19 aparições na Serie A. Porém, o impacto de Donyell Malen (olha o spoiler!), reforço de janeiro da Roma, nos fez rever os critérios e tivemos que derrubar essa limitação.
Ao longo dos últimos dias, trouxemos uma lista das revelações do campeonato e uma retrospectiva com as avaliações das equipes que participaram da competição. Agora, é hora de premiar os melhores. Vamos conferir quem foram os grandes craques da Serie A, então?
Carnesecchi (Atalanta); Palestra (Cagliari), Mancini (Roma), Akanji (Inter), Dimarco (Inter); Da Cunha (Como), Çalhanoglu (Inter), Modric (Milan); Paz (Como); Lautaro (Inter), Malen (Roma).
Goleiros: Butez (Como), Caprile (Cagliari), De Gea (Fiorentina), Falcone (Lecce), Maignan (Milan) e Svilar (Roma); Laterais/alas: Çelik (Roma), Dodô (Fiorentina), Dumfries (Inter), Miranda (Bologna), Wesley (Roma) e Zappacosta (Atalanta); Zagueiros: Bisseck (Inter), Bremer (Juventus), Delprato (Parma), Gabbia (Milan), Gila (Lazio), Kalulu (Juventus), Mina (Cagliari), Muharemovic (Sassuolo), Ndicka (Roma), Østigard (Genoa), Pavlovic (Milan), Ramón (Como), Rrahmani (Napoli), Solet (Udinese) e Tiago Gabriel (Lecce); Meias: Alisson Santos (Napoli), Atta (Udinese), Barella (Inter), Baturina (Como), Éderson (Atalanta), Fagioli (Fiorentina), Koné (Roma), Locatelli (Juventus), Mandragora (Fiorentina), McTominay (Napoli), Perrone (Como), Rabiot (Milan) e Zielinski (Inter); Atacantes: Berardi (Sassuolo), Conceição (Juventus), Davis (Udinese), Douvikas (Como), Esposito (Inter), Højlund (Napoli), Krstovic (Atalanta), Laurienté (Sassuolo), Orsolini (Bologna), Rodríguez (Como), Scamacca (Atalanta), Simeone (Torino), Thuram (Inter), Yildiz (Juventus) e Zaniolo (Udinese).
Dimarco, da Inter (IPP)
Prêmios: melhor jogador e melhor lateral/ala
Escolha de Sofia. Definir o principal jogador da Serie A 2025-26 não foi tarefa simples, porque qualquer um dos dois candidatos que chegaram à reta final da votação teria sido um vencedor legítimo – falamos de Federico Dimarco e Lautaro Martínez, fundamentais para o scudetto da Inter. No desempate, porém, a honra ficou com o italiano. O ala participou de 25 gols em 35 partidas, com sete bolas na rede e um recorde histórico de 18 assistências no campeonato. Os números lhe renderam também outro feito impressionante: nenhum defensor participou de tantos tentos em uma única temporada das cinco grandes ligas europeias nos últimos 20 anos, desde que tal estatística começou a ser computada. Além disso, Dimarco criou 33 grandes chances, a quarta maior marca já registrada no período pelas cinco maiores ligas europeias. O camisa 32 ficou atrás apenas de três temporadas de Lionel Messi pelo Barcelona.
Ainda assim, Lautaro esteve muito perto de levar a honraria. Artilheiro da Serie A com 17 gols, o capitão nerazzurro foi a alma da equipe de Cristian Chivu, liderando dentro e fora da área e funcionando como o ponto de equilíbrio de um ataque que girava ao seu redor. Ambos foram unanimidades na eleição, assim como Nico Paz, principal estrela do Como em sua histórica classificação para a Champions League.
Entre os laterais e alas, também mereceram destaque Denzel Dumfries (Inter), cuja influência ficou ainda mais evidente durante os períodos em que esteve lesionado, e dois atletas da Roma. Wesley, que se encaixou de imediato nas ideias de Gian Piero Gasperini e foi um dos motores da Loba na caminhada rumo ao G4; e Zeki Çelik, protagonista de uma das reviravoltas individuais mais improváveis da temporada, passando de jogador frequentemente contestado a peça de absoluta confiança no sistema romanista.
Carnesecchi, da Atalanta (Getty)
Prêmio: melhor goleiro
Em plena ascensão na carreira, Marco Carnesecchi conquistou o prêmio de melhor goleiro da Serie A 2025-26. O arqueiro da Atalanta foi um dos principais responsáveis por classificar a Dea à Conference League após um início turbulento de temporada. Titular em 37 das 38 rodadas, mais do que qualquer outro jogador do elenco bergamasco, acumulou 115 defesas, pegou dois pênaltis, registrou 13 partidas sem sofrer gols e terminou o campeonato com uma média superior a sete tentos evitados em relação ao esperado. Para um time que não costuma conceder tantas oportunidades aos adversários, o volume de intervenções decisivas chama ainda mais atenção. Em diversos momentos, Carnesecchi sustentou resultados praticamente sozinho e produziu defesas memoráveis, incluindo numa cobrança de pênalti de Nico Paz, outro dos grandes protagonistas do campeonato.
A disputa, contudo, esteve longe de ser simples. Mile Svilar, da Roma, voltou a liderar uma das melhores defesas da Serie A e foi eleito pela própria liga como o melhor goleiro da temporada. Mike Maignan teve papel determinante para manter o Milan vivo na corrida pela Champions League até a última rodada, enquanto Elia Caprile confirmou seu crescimento com uma sequência de atuações de alto nível em um Cagliari frequentemente mais exposto defensivamente. Fechando a lista dos principais concorrentes, Jean Butez foi peça fundamental na campanha histórica do Como rumo à Champions League, liderando o campeonato em clean sheets, com 19, e participando ativamente da construção de jogo da equipe de Cesc Fàbregas. Ainda assim, pela combinação entre regularidade, impacto e dificuldade das intervenções realizadas, Carnesecchi terminou um degrau acima dos demais.
Akanji, da Inter (Getty)
Prêmio: melhor zagueiro
Num ano em que Alessandro Bastoni esteve abaixo de seu habitual altíssimo nível, a Inter encontrou em Manuel Akanji um novo líder para sua retaguarda. Contratado já com a temporada em andamento para ocupar o espaço deixado por Benjamin Pavard, o suíço precisou de pouco tempo para se tornar peça indispensável do sistema de Cristian Chivu. Seguro nos duelos, impecável no posicionamento, dominante pelo alto e extremamente eficiente nas coberturas, o atleta emprestado pelo Manchester City – já adquirido em definitivo pela Beneamata – praticamente eliminou erros graves de sua atuação ao longo do campeonato. A versatilidade também contou a seu favor: embora tenha atuado também pela direita na linha de três defensores, consolidou-se sobretudo como o homem central da zaga campeã, transformando-se em um dos pilares da campanha que devolveu o scudetto aos nerazzurri.
A concorrência esteve à altura. Gianluca Mancini foi um dos símbolos da Roma e ainda marcou dois gols em dérbis contra a Lazio, enquanto Evan Ndicka manteve o elevado padrão de regularidade que ajudou os giallorossi a retornarem à Champions League. Bremer foi novamente o defensor mais confiável de uma Juventus que desperdiçou a vaga continental na reta final, Strahinja Pavlovic aliou solidez e presença ofensiva em um Milan irregular, e Jacobo Ramón despontou como uma das revelações do campeonato ao liderar a melhor defesa da Serie A pelo surpreendente Como. Ainda assim, nenhum deles reuniu tantas qualidades e tão poucos pontos vulneráveis quanto Akanji ao longo da temporada.
Paz, do Como (Getty)
Prêmio: melhor meio-campista
O brilho de Nico Paz foi tão intenso que seu posto de melhor meio-campista da Serie A jamais pareceu realmente ameaçado. Nem mesmo temporadas de altíssimo nível como as de Hakan Çalhanoglu, peça-chave do scudetto da Inter pelos gols decisivos e pela centralidade na circulação de bola nerazzurra, Luka Modric, cérebro do Milan aos 40 anos, Adrien Rabiot, incansável no meio-campo rossonero, ou Nicolò Barella, cuja irregularidade ocasional não apagou sua importância para a campeã italiana, foram suficientes para superar o argentino. Mais do que brilhar individualmente, Paz ainda potencializou o rendimento de dois companheiros fundamentais na histórica campanha do Como: Máximo Perrone, responsável por dar equilíbrio defensivo ao setor central, e Lucas Da Cunha, outro dos pilares da classificação inédita dos lariani para a Champions League.
Aos 21 anos, Nico Paz confirmou tudo aquilo que se imaginava de um dos maiores talentos surgidos recentemente no futebol mundial. Foram 12 gols e seis assistências em uma temporada marcada por atuações decisivas contra adversários de peso. O meia comandou vitórias sobre Juventus, Lazio e Torino, manteve o nível mesmo diante de rivais mais fortes – como numa grande atuação contra a Inter, apesar da derrota – e só teve uma pequena queda física na reta final do campeonato. Dono de visão de jogo refinada, excelente capacidade de finalização e uma técnica rara para alguém com quase 1,90 m de altura, transformou-se na referência criativa de um dos projetos mais fascinantes da Serie A. Não por acaso, o Real Madrid já monitora de perto seu retorno: em 2025-26, poucos jogadores combinaram tanto talento, influência e capacidade de decidir partidas quanto o argentino, que vai para a Copa do Mundo.
Lautaro, da Inter (Getty)
Prêmio: melhor atacante
Falando em argentinos, Lautaro Martínez era a única escolha possível como melhor atacante da Serie A. Como já mencionado anteriormente, o capitão da Inter disputou com Federico Dimarco o posto de melhor jogador do campeonato e terminou a temporada como artilheiro, com 17 gols. Mais do que isso, voltou a ser a alma de uma equipe que conquistou o scudetto com ampla vantagem. A influência do camisa 10 vai muito além das finalizações: El Toro participa da construção das jogadas, pressiona sem descanso, lidera emocionalmente o grupo e eleva o rendimento dos companheiros ao seu redor. O camisa 10 somou ainda seis assistências e uma longa lista de atuações decisivas. Foi protagonista em vitórias importantes sobre Bologna, Atalanta, Lazio, Pisa, Torino e Roma, além de manter alto nível mesmo convivendo com problemas físicos na segunda metade da temporada, quando uma lesão na panturrilha o afastou de diversas partidas.
Num ano em que os atacantes produziram menos do que o habitual na Serie A, poucos conseguiram se aproximar de seu impacto. O principal concorrente acabou sendo Donyell Malen, cuja chegada em janeiro transformou o ataque da Roma e impulsionou a arrancada que levou os giallorossi à Champions League. Também merecem destaque Tasos Douvikas, peça importante na campanha histórica do Como, Marcus Thuram, parceiro de Lautaro no ataque da Inter e novamente muito eficiente quando a pressão se intensificou, e Kenan Yildiz, que carregou boa parte da responsabilidade criativa da Juventus ao longo da temporada. Ainda assim, nenhum deles conseguiu combinar liderança, regularidade, produção ofensiva e influência coletiva na mesma medida que o craque argentino.
Wesley, da Roma (Getty)
Prêmio: melhor jogador brasileiro
Nenhum brasileiro foi tão importante na Serie A 2025-26 quanto Wesley. Desejado por Gian Piero Gasperini desde os tempos de Atalanta, o maranhense finalmente desembarcou na Itália para defender a Roma e rapidamente se tornou uma das peças mais valiosas do sistema giallorosso. Curiosamente, brilhou sobretudo em uma função diferente daquela que o consagrou no Flamengo. Embora tenha atuado algumas vezes pelo lado direito, passou a maior parte da temporada aberto pela faixa esquerda e respondeu com a mesma intensidade, capacidade de progressão e influência ofensiva. Foram cinco gols, vários deles decisivos: marcou na estreia contra o Bologna, fez o da vitória sobre o Como, deixou sua marca diante da Juventus e participou da goleada sobre a Fiorentina. E a expulsão após uma discussão com Nicolò Rovella no dérbi da capital, contra a Lazio, acabou sendo recebida quase como um símbolo de identificação com a causa romanista. Não por acaso, irá à Copa do Mundo.
Outro brasileiro da Serie A que vai ao Mundial é Bremer, que foi uma das referências defensivas da Juventus, combinando solidez, força aérea e presença ofensiva – ainda que tenha cometido mais erros do que o habitual. Éderson até poderia ter feito parte do grupo de Carlo Ancelotti, pois manteve o padrão elevado que o transformou em um dos meio-campistas mais consistentes da Atalanta, mas não foi convocado. Outro canarinho que atuou em alto nível foi Dodô, um dos poucos pontos de estabilidade na turbulenta temporada da Fiorentina, cuja importância na recuperação da equipe se fez notar. Pelo Como, Diego Carlos liderou uma das melhores defesas do campeonato com a experiência de quem já enfrentou os maiores palcos do continente. Já Alisson Santos chegou ao Napoli no segundo turno e trouxe uma dose de dinamismo que faltava ao ataque partenopeo, enquanto Giovane teve bons momentos pelo Verona antes de perder protagonismo após a transferência para Nápoles. No fim das contas, nenhum deles conseguiu reunir impacto, regularidade e peso nos resultados da mesma forma que Wesley.
Chivu, da Inter (Getty)
Prêmio: melhor técnico
Foi uma temporada que premiou treinadores jovens e, nesse contexto, a disputa pelo posto de melhor técnico da Serie A ficou naturalmente concentrada entre Cristian Chivu e Cesc Fàbregas. A escolha acabou recaindo sobre o romeno. E não foi difícil entender por quê. Em sua primeira temporada completa como treinador de elite, o ex-defensor conduziu a Inter à dobradinha nacional, algo que o clube não alcançava desde os tempos de José Mourinho, em 2010 – com o próprio comandante em campo, como titular da lateral esquerda. Ele foi também o primeiro professor a conquistar o campeonato e a Coppa Italia logo em seu ano de estreia à frente da equipe nerazzurra.
É verdade que Chivu herdou um elenco fortíssimo de Simone Inzaghi, mas também recebeu um grupo emocionalmente abalado após perder todos os títulos da temporada anterior e sofrer a traumática goleada por 5 a 0 para o Paris Saint-Germain na final da Champions League. Além disso, precisou administrar problemas físicos, tensões internas e desconfianças iniciais de sua capacidade por parte da torcida e da imprensa, já que havia chegado ao cargo com apenas 13 partidas como treinador profissional no currículo. O romeno reorganizou o vestiário, recuperou a confiança coletiva, fez a Inter voltar a jogar em alto nível e construiu o melhor ataque do campeonato, com sobras, conduzindo a equipe a um scudetto conquistado com 11 pontos de vantagem – margem que poderia ter sido ainda maior, já que os campeões reduziram o ritmo após a confirmação matemática do título.
Isso não diminui os méritos de Fàbregas. O espanhol transformou o Como em uma das equipes mais interessantes de se assistir na Europa, consolidando uma identidade baseada na posse de bola, na circulação rápida e em conceitos pouco usuais dentro do contexto italiano. Com o quarto elenco mais jovem da Serie A e sem a tradição dos gigantes do país, levou os lariani à primeira classificação para competições europeias e logo através da Champions League. Também merece menção Gian Piero Gasperini, que devolveu a Roma à principal competição continental após oito anos de ausência. Curiosamente, os dois principais candidatos ao prêmio foram justamente os nomes que figuravam na lista da Inter para suceder Inzaghi meses antes. Giuseppe Marotta escolheu Chivu. E, pelo menos em 2025-26, a aposta se mostrou absolutamente certeira.
Aldir Junior (Atalanta Brasil) Aldo Luiz (Band) Alexandre Branco, o Alezudo (Cazé TV) Andersinho Marques (Sport TV) Anderson Moura (Calciopédia) André Donke (ESPN) Arthur Barcelos (Calciopédia) Braitner Moreira (Calciopédia) Caio Alves (ESPN) Caio Bitencourt (Calciopédia/SportyNet) Caio Dellagiustina (Calciopédia) César Costa (Calciopédia) Charley Moreira (Calciopédia/AC Milan Brasil) Deivis Chiodini (ESPN) Felipe Lobo (Meiocampo) Gian Oddi (ESPN) Gustavo Hofman (ESPN) Henrique Mathias (Cazé TV/O Jogo Direto) João Soares (AC Milan Brasil) Júlio Ceolin Machado (Calciopédia) Laura Luzzi (Cazé TV) Leonardo Alves (Napoli Brasil) Leonardo Bertozzi (ESPN) Luca Henrique (Calciopédia) Luís Filipe Zanetti Lemos (Calcionalizando) Luiz Augusto (Inter de Milão Brasil) Marcelo Bechler (TNT Sports) Mauro Cezar Pereira (UOL/Jovem Pan/Canal do Mauro Cezar) Nelson Oliveira (Calciopédia) Pedro Oliveira (Xsports) Raí Monteiro (Xsports/Jovem Pan) Ubiratan Leal (ESPN) e Victor Canedo (Canal do Canedo).







































