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JB Filho Repórter

·31 de julho de 2026

Os outros motivos que seguram Luís Castro no Grêmio

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  • O dia seguinte da eliminação deixou ainda mais claro que o Grêmio não pretende trocar o comando técnico neste momento. A permanência de Luís Castro não passa apenas por confiança no trabalho. Ela é consequência de uma decisão estratégica e financeira.
  • Internamente, a eliminação para o Bolívar foi tratada como um enorme balde de água fria. Existia a expectativa de que o treinador finalmente tivesse encontrado uma formação mais consistente depois do jogo contra o Fluminense. Só que aquela atuação acabou sendo um ponto completamente fora da curva. Contra o Bolívar, o time voltou a apresentar os mesmos problemas que já vinham preocupando durante a temporada.
  • Mesmo assim, Luís Castro segue respaldado por Odorico Roman e Paulo Pelaipe. Os dois principais responsáveis pelo futebol entendem que uma demissão agora significaria praticamente admitir o fracasso de todo o planejamento feito para 2026. Não se trata apenas do treinador. As contratações da janela, o perfil dos reforços e até jogadores promovidos da base foram escolhidos pensando no modelo de jogo que ele pretende implantar.
  • Esse talvez seja o principal motivo da manutenção. O Grêmio montou um elenco para Luís Castro. Demiti-lo agora significaria recomeçar praticamente do zero, procurando outro treinador que aceite trabalhar com um grupo pensado para outra ideia de futebol.
  • É claro que a multa também pesa — e muito. Com contrato longo e salário elevado, a rescisão representa um custo milionário. Ninguém no clube faz questão de admitir isso publicamente, mas é impossível ignorar que esse fator influencia diretamente a decisão.
  • Outro aspecto importante é que algumas movimentações do elenco mostram que o treinador continua tendo força. A negociação para a saída de William, por exemplo, acontece porque ele deixou de fazer parte dos planos da comissão técnica. O mesmo vale para outros jogadores que perderam espaço nas últimas semanas. Ou seja, Luís Castro continua participando ativamente das decisões sobre quem fica e quem sai.
  • O problema é que essa confiança tem prazo de validade. Se a eliminação na Sul-Americana foi absorvida, uma queda para o Mirassol na Copa do Brasil pode mudar completamente o cenário. A direção ainda sustenta o projeto, mas uma nova frustração tornaria muito difícil defender publicamente a continuidade do trabalho.
  • No fim das contas, o Grêmio parece preso à própria escolha. Investiu pesado em um treinador, reformulou parte do elenco com base nas indicações dele e agora entende que trocar o comando seria admitir que todo esse planejamento falhou antes mesmo de ter tempo para mostrar resultado. Só que, no futebol, o tempo costuma ser curto. E, se as vitórias não aparecerem rapidamente, nem planejamento, nem multa, nem respaldo político serão suficientes para conter a pressão que cresce a cada rodada.
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