Jogada10
·17 de julho de 2026
Os segredos da Espanha e o que a finalista pode ensinar ao Brasil

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A Espanha chegou à final da Copa do Mundo de uma forma silenciosa. Enquanto os holofotes estavam direcionados para o domínio da França e centrados nas dramáticas viradas da Argentina, a Fúria foi passando pelos adversários e, em um piscar de olhos, assegurou a vaga na decisão de domingo (19), contra Messi e companhia, às 16h (horário de Brasília), no MetLife, em Nova Jersey. No percurso pelo bicampeonato, a Roja eliminou seleções de peso, como Uruguai, Portugal, Bélgica e os próprios Bleus. Mas, afinal, qual é o segredo desta potência futebolística e o que ela pode ensinar a um Brasil que se despediu dos Estados Unidos nas oitavas.
Antes das táticas, escalações e de assumir um estilo de jogo, o país ibérico começou o trabalho por uma filosofia, priorizando a mentalidade coletiva. A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) entregou, então, esta cartilha nas mãos de Luis de la Fuente, técnico que plantou sementes nas categorias inferiores da Espanha (sub-19, sub-21 e sub-23) antes de colher os resultados como o comandante da seleção principal. Afinal, em 2024, ele ganhou a Eurocopa e, agora, está prestes a repetir a façanha de Vicente Del Bosque, campeão mundial (2010) após ganhar o Velho Continente (2008) pela Fúria.
Na última quinta-feira (16), o Jogada10 acompanhou o treino da Espanha em East Hannover e confirmou que, de fato, não há vaidades. O ambiente era leve e extremamente descontraído. Nem parecia que aqueles atletas disputariam uma decisão de Copa do Mundo nas próximas horas, conforme os jornalistas ibéricos ressaltaram em conversa com a reportagem.

De La Fuente é o grande arquiteto da Espanha finalista – Foto: Divulgação/RFEF
“Você os vê treinar e parece uma família. Parece um grupo de amigos na risada, na zoeira. Estão na final de um Mundial e fazem piada em um bobinho. Eles quase não falam de futebol. Para mim, é isso. Vão todos juntos. Se você vê o jogo contra a França, custa destacar um jogador. Mesmo tendo Yamal, um dos melhores jogadores do mundo, custa destacar um craque. Eles vão todos juntos, pressionam lá em cima e compram a ideia do treinador. A força do coletivo é a grande virtude da Espanha”, colocou Adrian Herrero, repórter da “RTVE”, o maior grupo audiovisual daquele país.
A outra grande característica reside justamente na base, onde os futebolistas, ainda meninos, aprendem o estilo de jogo para aprimorá-lo no futuro. Esta compreensão de futebol, aliás, é mais importante do que os títulos nas inferiores. A Fúria, por exemplo, perdeu, em 2021, o ouro olímpico para o Brasil. No entanto, formou vários jogadores que estão no time profissional, fiéis a um estilo. Ao contrário da Seleção Brasileira de Carlo Ancelotti e dos seus 34% contra a Noruega, a Espanha não abre mão da posse de bola e de ser protagonista durante os jogos, independentemente do oponente do outro lado: pode ser a França de Mbappé, Cabo Verde de Vozinha ou a Argentina de Messi.
“Estenderia a ideia, inclusive, aos diferentes clubes. Trabalha-se, desde muito cedo, com a bola. E, a partir daí, tentar dominar os jogos e ainda ser um time vistoso. A Espanha entende que controlar a bola é uma forma de defender e também de tornar o esporte mais atraente. É quase uma ideia de escola, que vai de cima a baixo: nasce nas primeiras equipes de formação e termina na seleção principal”, avaliou, ao J10, Javier Lázaro, da “Rádio Marca”.

“A Espanha, agora, tem possibilidades reais de título em uma final enorme e uma forma clara de jogar. É uma equipe sólida, que precisava rodar os jogadores durante a Copa até virar uma fortaleza de competir, apesar de não ter começado o Mundial bem. Pouca gente tem batido nesta tecla. Mas a seleção sofreu apenas um gol em sete jogos, pois não permite ao rival ficar com a bola”, acrescentou David Álvarez, do jornal “El País”.
Yamal, Rodri, Pedri, Merino e Olmo vão repetindo os passos daquela Espanha de Xavi e Iniesta, os grandes executores do tiki-taka da época de Pep Guardiola no Barcelona (2008-2012). Na África do Sul, em 2010, com o título mundial e a ótima fase do Barça, a Espanha galgou parâmetros e passou a ditar a regra no futebol internacional: uma estratégia dinâmica de movimentação constante, passes curtos, precisos e, claro, posse de bola com porcentagens elevadas. Os espanhóis, no entanto, não gostam de comparar as duas gerações.

Espanha de 2010 está na história – Foto: Divulgação
“A perspectiva é muito diferente. Não sei se é justo. Acho que o tempo vai nos responder melhor. Aquele time tinha mais estrelas e futebolistas entre os dez melhores do mundo: seguramente Villa, Xavi, Iniesta, Busquets e Piqué. Havia um domínio internacional no plano individual. A questão real é que a Espanha segue por esse caminho, de buscar a perfeição com a bola, desde a Eurocopa de 2024”, filosofou Javier Lázaro.
No futebol, porém, não há unanimidades. O estilo espanhol também angariou “haters”. Gente que considera a seleção monótona e cansativa. Goste ou não, a Fúria defenderá a sua ideia até o último segundo da grande final contra os hermanos.







































