Os três reforços que podem pintar no Inter em alguns dias
O Internacional está claramente olhando para o ataque nesta janela de transferências. Paulo Pezzolano já deixou aberta a possibilidade de chegarem até três jogadores, embora também tenha feito questão de dizer que pode não chegar ninguém. E, conhecendo a situação financeira do clube, não dá para trabalhar com otimismo exagerado. O Inter precisa negociar até o último momento, encontrar oportunidades de mercado e, principalmente, jogadores que caibam no orçamento. Mas existe movimento, e hoje há três nomes que aparecem com força nas negociações do Colorado.
O primeiro é Cédric Bakambu, centroavante congolês de 35 anos que está livre no mercado. É um jogador que passou por clubes importantes da Europa, como Villarreal, Olympique de Marseille, Olympiacos e Galatasaray, além de ter atuado no futebol chinês. Não é um centroavante goleador daqueles que vivem dentro da área. Nos últimos três anos, por exemplo, soma 80 jogos, 15 gols e sete assistências. É muito mais um atacante de movimentação, que procura espaço e pode jogar em velocidade.
E é justamente aí que aparece uma característica interessante: Bakambu tem um perfil que lembra um pouco o Borré. Não é necessariamente o centroavante de referência que fica esperando a bola dentro da área. É um jogador que se movimenta, procura espaços e pode participar mais do jogo. O Inter está avançando nessa negociação e, como ele está livre, a operação é mais simples. Não existe clube para negociar direitos econômicos: é basicamente acertar salário, contrato, luvas e condições com o próprio jogador. Por isso, a situação já é considerada avançada.
Só que o Inter não abandonou Alex Arce. Pelo contrário. O paraguaio continua sendo uma possibilidade importante e, na minha visão, até mais próxima daquilo que o elenco colorado precisa em termos de característica. Arce é mais centroavante, mais jogador de posicionamento, mais referência. Bakambu seria uma alternativa mais móvel, enquanto Arce seria aquele atacante para ocupar a área e dar uma referência ofensiva que o Inter muitas vezes não tem.
O problema, claro, é dinheiro. O Inter está tentando juntar recursos de todos os lados para viabilizar a contratação de Arce. O clube sabe que precisa pagar o Independiente Rivadavia e está tentando encontrar uma maneira de fazer a operação caber no orçamento. Existe até a leitura de que a direção pode estar esperando os confrontos do Rivadavia contra o Fluminense para ver o que acontece na Libertadores. Se o time argentino for eliminado, a negociação pode ficar mais fácil. Se avançar, a situação tende a ficar mais complicada.
Então eu vejo o cenário da seguinte maneira: o Inter tenta garantir Bakambu, que está mais próximo e representa uma oportunidade de mercado, enquanto continua trabalhando por Arce, que é uma negociação mais difícil, mas entrega uma característica diferente e muito necessária. São dois centroavantes, mas não são dois jogadores iguais. E isso é importante.
Também apareceu uma alternativa para o lado do campo: Nicolas Eliasson, brasileiro-sueco que atua pelo AEK Atenas. É um ponta canhoto que joga pela direita, rápido e com capacidade de atuar pelos dois lados. O Inter teria enviado uma proposta de empréstimo sem custos, assumindo o salário, com opção de compra fixada. É uma operação difícil porque o clube grego precisaria aceitar liberar o jogador nessas condições, e ainda existe concorrência de Atlético-MG e Botafogo.
E aqui dá para entender perfeitamente a lógica da direção. O Inter perdeu jogadores de ataque, Bernabei passou a ser utilizado mais avançado, Carbonero não vem entregando o melhor futebol e Vitinho está sendo obrigado a cumprir várias funções diferentes. Ele joga como lateral, aparece como ponta e, em determinados momentos, até como falso nove. Não dá para montar uma temporada inteira dependendo dessa improvisação.
Por isso, a busca por Eliasson também faz sentido. Ele é um ponta de origem, joga pela direita, tem velocidade e poderia dar ao time uma alternativa que hoje falta. Não é simplesmente contratar por contratar. O Inter está procurando justamente jogadores que possam solucionar problemas específicos do elenco.
E existe outro detalhe interessante: Eliasson tem ligação com o Brasil. Ele é sueco e brasileiro, tem mãe brasileira, fala português e mantém relações com o país. Isso pode ser um elemento facilitador em uma eventual negociação, embora o negócio ainda seja considerado difícil.
No fim das contas, o mercado colorado hoje parece bastante claro: dois centroavantes e um ponta estão no radar. Bakambu é a alternativa mais avançada, Alex Arce continua sendo uma prioridade pelo perfil de centroavante e Eliasson aparece como uma tentativa para qualificar o lado do campo.