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·18 de agosto de 2026

Osmar Stabile detalha acordo por Memphis, explica aprovação no CORI e relata ameaças durante negociação

Imagem do artigo:Osmar Stabile detalha acordo por Memphis, explica aprovação no CORI e relata ameaças durante negociação
  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, explicou os bastidores da renovação contratual de Memphis Depay após a reunião do Conselho de Orientação (CORI), realizada na última segunda-feira (17). O mandatário detalhou o processo que levou à aprovação do novo vínculo, falou sobre a redução dos valores negociados com o atacante e afirmou que a questão financeira foi determinante para a condução das conversas.

Segundo Stabile, a renovação precisou ser submetida ao CORI em razão do valor total da operação, que ultrapassa o equivalente a 40 mil salários mínimos. Após receber o aval necessário, o Corinthians encaminhou a formalização do novo contrato, que terá duração de mais dois anos.


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Foto: ©Rodrigo Coca / Ag. Corinthians

“Tudo certo. Deu trabalho, evidentemente, é um astro internacional assim que a gente consegue fazer muito rápido. Foi um processo demorado, como todos já sabem, mas, graças a Deus, levamos lá para o CORI. Precisaria passar pelo Conselho de Orientação. Quando passa o valor de 40 mil salários mínimos, é necessário passar pelo CORI. E nós passamos, graças a Deus, deu tudo certo. Conseguimos a votação necessária para a aprovação e nós fomos aí tranquilos. Conseguimos realizar. Conseguimos, primeiro, fazer um agradecimento especial às pessoas do CORI, que lutaram para que a gente pudesse chegar nesses números que nós chegamos. Também agradecer à equipe do Memphis Depay e a ele pessoalmente, que nós tivemos uma reunião pessoal e ele conseguiu reduzir números que a equipe dele não conseguia chegar. Nós fizemos o que foi melhor para o Corinthians, em todos os aspectos, principalmente na questão financeira.

Eu sempre falei que a questão financeira era a mais importante para o Corinthians, porque não adiantava eu fechar qualquer contrato se eu não comportasse pagar no futuro. Eu não estou pensando em mim, eu estou pensando em quem vem depois. Nós estamos fazendo um contrato de dois anos, não sei se eu estarei aqui nesses dois anos, então eu tinha que fazer o melhor para o Corinthians. Eu sempre pensei na instituição, sofria as consequências. Para mim seria muito mais fácil, muito melhor ter assinado qualquer contrato, como os que costumavam fazer aqui no Corinthians, e depois sair para o abraço, tirar a foto e correr o mundo. Era o mais cômodo para mim naquele momento. Mas eu quis, pensando na instituição, estendemos, sofremos as consequências, vazaram meus telefones, vazaram os telefones das minhas filhas, invadiram as minhas contas de banco, das minhas filhas, da minha esposa. Então, olha, foi uma situação difícil.

Eu estou aqui a custo zero para o Corinthians, não cobro nada para trabalhar, ninguém cobra aqui, os diretores que estão comigo, mas é uma situação que deixa muito triste saber que nós, no país, vivemos uma situação dessa. Não é possível a gente ter que fazer o melhor para a instituição, procurando fazer o melhor para a instituição, e receber esse tipo de retorno. Eu disse para vocês que o melhor que eu pudesse fazer pelo Corinthians, eu iria fazer, independentemente das consequências, mas a situação é assim.

Nós temos hoje 50% que queria que contratasse, até outros 50% que não queria que contratasse. Eu disse que, se não chegasse nos números que eu coloquei posteriormente para ele, para o Memphis, diretamente, e ele chegou nos números, foi possível. Eu levei para o CORI porque, volto a repetir, a questão dos 40 mil salários mínimos, que era necessário levar. Quase a gente não tem contrato desse tamanho, dessas contratações e, infelizmente, recebi toda essa questão aí das redes sociais, criticando o presidente o tempo todo.”

Stabile nega possibilidade de renúncia

Questionado sobre uma eventual renúncia em meio à pressão sofrida nos últimos dias, Stabile descartou a possibilidade. O presidente voltou a criticar a divulgação de informações pessoais e afirmou que outros integrantes da administração e do Conselho também tiveram dados expostos.

“Em hipótese alguma, em hipótese alguma, renúncia. Não foi falado sobre isso. As próprias redes sociais, teve um jornalista aí que usou ‘game over’. Não há necessidade de usar esse termo para incentivar a questão dos torcedores virem para cima do diretor, do presidente. Nós podemos acertar, nós podemos errar, isso vai acontecer numa gestão, acontece tudo isso, mas isso não é possível em um país onde a gente trabalha, faz com dedicação, procura fazer o melhor e a gente recebe esse tipo de coisa.

Vazamento das suas contas, não só minha. Pedro Soares, que é o diretor jurídico, principalmente as pessoas do CORI, pessoas do Conselho, várias pessoas receberam isso aí. Paulo Pedro, do CORI, que estava nervosíssimo, porque, veja só, ele não tinha nada a ver com essa história, nem participou, nem nada. Também foi vazado. Doutor Miguel Marques de Silva foi vazado. Não precisa disso, gente. Vamos conversar, vamos ser civilizados, pelo menos. É isso que eu falo para vocês. A gente tem que ser civilizado e a gente é civilizado, só que tem pessoas que passam por isso. E isso a gente não aceita, em hipótese alguma.”

Na sequência, ao ser perguntado se estava feliz após o desfecho das tratativas, o mandatário respondeu:

“Eu sou sempre feliz. A felicidade está dentro de cada um. A felicidade não está em coisas que você busca fora. Eu sou sempre feliz porque eu sempre entendi que a felicidade está dentro de cada um. E eu amanheço todo dia, primeiro agradecendo a Deus pelo dia que eu estou recebendo, porque, na hora que eu abro os olhos, eu vejo que eu recebi mais um dia. Então eu sou feliz por isso, por ter. E depois as consequências da gente tomar uma decisão aqui, acertada ou errada, mas são dia a dia, momento a momento, e eu estou feliz.”

Presidente explica comunicação interna sobre negociação

Stabile também foi questionado sobre a condução das tratativas, especialmente após jogadores e integrantes da comissão técnica terem, segundo relatos, tomado conhecimento da interrupção das negociações durante a viagem para a Argentina. O dirigente negou qualquer interferência política de conselheiros e disse que Fernando Diniz e o executivo Marcelo Paz já tinham conhecimento da situação.

“Em nenhum momento, nenhum conselheiro ligou e pediu para mim: ‘Faça isso, faça aquilo, faça isso, faça aquilo’. Em hipótese alguma. Isso foi invenção da própria mídia social. Não tem nada a ver com a mídia de vocês, que vocês trabalham como jornalistas. A mídia social é o pessoal que faz aquele tipo de mídia, de emboscada, daquelas coisas todas lá, que você já sabe. E acontece o seguinte: eles falam essas coisas, vão falando, falando, falando, e pode até virar verdade.

Eu quero dizer para você o seguinte: tanto o técnico como o Marcelo Paz já sabiam quando saíram do CT, e não cabe a mim ficar avisando para os jogadores. Eu tenho o departamento técnico, eu tenho o departamento executivo, são eles que tomam providência. Eles avisaram, sim. É que as pessoas falaram que não foram avisadas, não sei como, mas falaram, mas foram avisadas, sim.”

Contrato encaminhado para assinatura

Com o aval do CORI, Stabile explicou que o documento seria encaminhado ao sistema interno do clube para assinatura eletrônica. O presidente também demonstrou confiança na possibilidade de Memphis estar à disposição para o duelo contra o Rosario Central, pela Libertadores.

“Está subindo já para o documento, a gente assina todos os documentos hoje aqui. Eu quero dizer para você o seguinte: quando eu entrei aqui, você tinha pilha de documentos para assinar. Hoje a gente assina tudo através de sistemas. Então não há necessidade de eu estar aqui dentro para assinar. No momento em que subir para o sistema, eu vou assinar.”

Sobre a possibilidade de Memphis atuar na quinta-feira:

“Olha, tudo indica que sim. Não tem problema nenhum que ele não possa. A gente está fazendo o possível para que, o mais rápido possível, a gente assine o contrato, para que amanhã cedo ele se apresente lá às 9 horas da manhã.”

O presidente ainda esclareceu por que decidiu consultar o Conselho de Orientação mesmo após os departamentos financeiro e de marketing terem dado aval ao negócio.

“Porque o valor ultrapassava os 40 mil salários mínimos. Eu entendia dessa forma. No primeiro momento eu entendia que não, depois eu verifiquei através do presidente do Conselho Deliberativo também, perguntando, e ele orientou que passasse. Então eu realmente levei no intuito de que, independentemente da situação, ele tomasse decisão, sim ou não.

Foi muito rápido. O último contrato que eu recebi foi na madrugada de sexta para sábado. Então, no próprio sábado, eu pedi ao CORI e, na segunda-feira, eles fizeram a reunião. Eu pedi reunião de emergência e eles fizeram. Quero novamente agradecer ao CORI por ter feito essa reunião emergencial para que atendesse essa demanda.”

Memphis reduziu valores para viabilizar permanência

Outro ponto abordado foi a redução financeira feita durante a rodada final de negociações. Stabile confirmou que houve diminuição considerável no montante, mas evitou detalhar os números.

“Foi, foi. Ele abaixou bem. Eu não queria falar em números aqui para vocês, mas ele abaixou consideravelmente o contrato em virtude da necessidade, da vontade do jogador de ficar e da necessidade do Corinthians de arrumar uma forma da gente pagar. Porque o grande problema é o seguinte: fecha de qualquer jeito e depois não paga. Como fica? Pelo menos pelo que eu senti e pelo trabalho que nós fizemos, tanto no jurídico como no administrativo e também no financeiro, é possível a gente pagar esse contrato.”

O presidente também reconstruiu a sequência das conversas após o Corinthians ter comunicado, anteriormente, que as tratativas estavam encerradas. Segundo ele, as partes retomaram o contato por telefone e posteriormente realizaram uma reunião presencial.

“Nós demos o passo em conjunto, em conversa via telefone. Resolvemos nos encontrar na noite de quarta-feira. Nós resolvemos nos encontrar e fomos buscar uma alternativa. E eles ficaram de apresentar uma nova proposta. Quer dizer, a gente apresentou as propostas nossas, eles não atenderam. E aí a gente colocou a nota dizendo que não dava para atender dentro daquilo que tinha sido pré-estabelecido por eles.

‘Olha, não dá, a gente não vai, eu vou encerrar por aqui.’ Encerrei. Estava encerrado o caso. Independentemente do que ia acontecer, o caso estava encerrado. Aí houve essa conversa, telefonamos: ‘Vamos conversar, vamos conversar’. E, como eu disse para vocês que era uma questão financeira, então, se é financeira e alguém abre para negociar financeiramente, eu estou à disposição sempre.

No caso Nike, queria só colocar para você, eles correram da mesa e eu corri da mesa durante quatro vezes seguidas. E depois nós conseguimos entrar em um acordo. Então é natural que, quando você negocia, você quer o melhor para a instituição, o jogador quer o melhor para ele, para deixar os números que dá para a gente cumprir. Então é isso que nós trabalhamos.”

Perguntado sobre o que faria caso o CORI rejeitasse o acordo, Stabile evitou trabalhar com um cenário hipotético.

“Então, eu quero colocar para vocês que não dá para trabalhar no ‘se’. Foi aprovado e eu acelerei o contrato, já mandei subir o contrato e já vou assinar e acabou. Vamos tocar a vida para frente, mudar e vamos para frente.”

Stabile diz não se arrepender da condução

O presidente também afirmou não ter arrependimentos e defendeu que sua gestão está promovendo mudanças internas que, segundo ele, serão percebidas a longo prazo.

“Nenhum arrependimento. A situação é essa. Eu falo para vocês, perguntaram se eu estou feliz, não estou arrependido de nada. Eu acho que eu fiz o melhor pelo Corinthians, vou continuar fazendo o melhor pelo Corinthians, pode ter certeza absoluta disso. Ninguém faz mudar o foco. Eu tenho trabalhado incessantemente no Corinthians para que a gente mude as coisas que nós recebemos. Tem aí uma mudança que vocês não percebem, chama-se a mudança silenciosa que está acontecendo no Corinthians e que a gente só vai ver essa mudança silenciosa quando vocês vão verificar o que está acontecendo e como nós estamos plantando para o futuro.

A gente está semeando, como se fala, semeando, depois ela vai nascer, vai crescer, vai dar flores, vai dar frutos e lá na frente a gente vai colher. Pode ter certeza absoluta que é isso que nós estamos fazendo. Então, há uma mudança silenciosa dentro do Corinthians que vocês não percebem, mas que ela está acontecendo. Todos os departamentos na reestruturação administrativa, na reestruturação financeira. Lá na Arena, nós já estamos com a gestão ambiental, já passamos pela primeira fase. Dia 5 de setembro nós estamos pegando a certificação da gestão ambiental, uma coisa moderna, que é diferente, que foram implementados todos os documentos.

A base do Corinthians hoje, só para você ter uma ideia, ela mudou de patamar. Hoje é um outro tipo de filosofia, uma filosofia de trabalho diferente. Tudo isso nós estamos mudando, tudo isso nós estamos transformando. Então, há necessidade de esperar um pouco. A gente não planta agora, nasce hoje, amanhã dá flores, depois amanhã dá frutos, depois a gente vai colher.”

Corinthians será responsável pelo salário

Stabile afirmou ainda que o próprio Corinthians será responsável pelo pagamento dos salários de Memphis durante o novo vínculo. Apesar disso, o clube pretende buscar parceiros ao longo dos próximos dois anos.

“Não, o Corinthians vai bancar. O salário do Memphis é o Corinthians que vai bancar. Nós pretendemos encontrar parceiros nesse meio do caminho aí. Nós temos dois anos pela frente, não eu como presidente. Eu levo agora até o final do ano, evidentemente, que é o que eu tenho para oferecer agora, e não sei quem vem depois, não sei se sou eu, se vem alguém aí pela frente. Então a gente tem que tomar os cuidados necessários para entregar um Corinthians melhor.”

Questionado se a repercussão externa da decisão anterior de encerrar as tratativas havia pesado na retomada, o presidente negou.

“Em hipótese alguma, porque ela abriu na quarta-feira. Eu falei na terça, na quarta-feira à noite já teve conversa. Na terça-feira houve uma, como se diz, um começo de conversa, que não andou. Na quarta-feira a gente teve o encontro, e a gente acha que esse encontro foi primordial para a gente dar sequência ao fechamento desse contrato.”

Stabile revela conversa com Memphis

Depois da aprovação do CORI, o mandatário entrou em contato diretamente com o camisa 10. Segundo Stabile, a conversa serviu para comunicar ao jogador que o processo interno havia sido concluído. Ao detalhar o contato, acrescentou:

“Já, já falei com ele, já falei com ele. Foi muito boa. Dentro daquilo que a gente tinha combinado, eu fiz todo o processo dentro daquilo que nós combinamos, que nós conversamos, e, assim que terminou, a primeira coisa que eu fiz foi ligar para ele e dizer para ele o seguinte: ‘Olha, estamos juntos mais dois anos.’”

Stabile nega participação da Fatal Fans na negociação

O presidente também foi perguntado sobre uma eventual participação da Fatal Fans na composição financeira da renovação. Stabile afirmou que o assunto não fez parte das conversas conduzidas por ele.

“Não, não conversei com eles, não. A Fatal não conversou comigo sobre a questão de aumentar valores e tal. Isso é uma questão, primeiro, quando acontece isso, passa primeiro pelo marketing, aí faz avaliação no marketing, faz avaliação no jurídico, depois que sobe para o presidente. Então, a gente conversa. Eu tenho conversado sempre com o presidente da Atlas, que é o mesmo dono desse site, a gente conversa sempre, mas não tem problema nenhum. Não foi tratado desse assunto, o assunto Fatal não entrou nessa negociação.”

Apesar das idas e vindas nas tratativas, Stabile também negou que tenha ficado algum desgaste pessoal entre ele e Memphis.

“Tudo com profissionalismo, normal. Não teve problema nenhum. O dia que nós nos encontramos, a gente sorriu, como sorrimos sempre, brincamos sempre, como teve sempre. A gente trata, evidentemente, com a distância profissional, eu como dirigente, ele como jogador. Não teve problema nenhum, nunca teve e não terá. Tenho certeza absoluta, vai continuar dentro do que a gente fazia antes, vai continuar fazendo.

É uma questão aí financeira. Eu não tinha nenhum problema de relacionamento, não tenho nenhum problema de relacionamento com nenhum jogador. Todos eles me tratam com muito respeito, todos os jogadores. A gente conversa, fala das situações, conversa sobre assuntos sérios, às vezes tem aquelas brincadeiras no vestiário, eu participo, não tem problema nenhum quando a coisa terminou o jogo, mas antes do jogo é tudo sério, tudo levado da melhor forma possível, com o maior respeito.”

Por fim, o presidente afirmou que o novo acordo não contém uma cláusula específica relacionada à dívida que o Corinthians mantém com o atacante. Stabile destacou ainda que houve redução dos juros e de outras condições financeiras.

“Nenhuma cláusula específica. Ela está tudo dentro da lei. Específica igual tinha, por exemplo, do Roas, por exemplo, não tem, não tem nada. A gente conseguiu reduzir os juros, ele conseguiu fazer a redução dos juros, conseguiu diminuir uma série de situações que o Corinthians ficou tranquilo para que a gente possa cumprir esse contrato.

Eu ou outro presidente que vier aí, não ficando a situação que eu recebi, uma situação muito difícil que eu recebi, pagando vários transfer bans aí. Tem ainda mais três transfer bans para pagar, a gente já está planejando para o futuro, mas a situação é essa. A gente quer manter o elenco atual e estava difícil para a gente poder manter, mas, graças a Deus, deu tudo certo.”

Com a aprovação do CORI, o Corinthians encaminhou os últimos procedimentos para formalizar a permanência de Memphis Depay por mais duas temporadas. Conforme Stabile, a expectativa é que o atacante se apresente no CT Dr. Joaquim Grava nesta terça-feira (18), às 9h, enquanto o clube trabalha para deixá-lo à disposição para o confronto decisivo contra o Rosario Central, na quinta-feira (20), pela volta das oitavas de final da Libertadores.

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