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Central do Timão

·14 de maio de 2026

Osmar Stabile detalha contratação emergencial de empresa de segurança e comenta reorganização administrativa do Corinthians

Imagem do artigo:Osmar Stabile detalha contratação emergencial de empresa de segurança e comenta reorganização administrativa do Corinthians
  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, concedeu entrevista exclusiva à Central do Timão para comentar a contratação emergencial da Mega Assessoria Operacional Ltda, empresa citada em investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após atuar na segurança do clube entre setembro e outubro de 2025 sem contrato formal e sem autorização da Polícia Federal.

Durante a conversa, o mandatário explicou o contexto vivido pelo Corinthians após a invasão ao quinto andar do Parque São Jorge, relembrou os problemas internos de segurança enfrentados durante o período de transição política no clube e detalhou as mudanças administrativas implantadas desde então.


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Foto: Reprodução / Central do Timão

Além disso, Osmar também comentou a atuação do diretor administrativo Fábio Soares, falou sobre o atual sistema de controle de materiais do clube e abordou a situação financeira do Corinthians, incluindo os pagamentos ligados ao Regime Centralizado de Execuções (RCE).

Osmar iniciou a entrevista explicando como ocorreu a decisão de trocar a segurança do clube após os episódios registrados no Parque São Jorge em maio de 2025.

“Então, aí eu até fiz um comentário de que no dia 31 de maio eu estive aqui no clube, acho que no dia 30, a torcida organizada pediu para vir até aqui para falar comigo. No dia 31, às 16 horas, eu recebi aqui e nós estávamos conversando sobre o que a gente pretendia para o futuro, que forma a gente ia administrar o Corinthians a partir dali. A gente escutou tocar o hino, gritarias e tal, e teve uma evasão aqui no Quinto Andar. Foi muito difícil aquele momento.”

Segundo o presidente, os profissionais responsáveis pela segurança naquele momento não atendiam às ordens da nova administração.

“A gente teve dificuldade de relacionamento com os seguranças que estavam aqui contratados pelo ex-presidente e nós não conseguimos, dando ordens, fazer cumprir as ordens. Eles disseram para mim que só cumpriam ordens do ex-presidente e que a minha ordem não seria cumprida.”

O mandatário afirmou que decidiu agir rapidamente para modificar o cenário interno.

“Então nós trocamos, trouxemos pessoas novas para cá para poder também, em determinado momento… você viu a dificuldade que eu tive aí, você acompanhou. Nós passamos por dificuldades em virtude de falarem até em crime organizado aqui dentro. Não sei se tinha ou não tinha, mas eu estava com medo, risco até de vida aqui que eu passei naquele momento.”

Ainda sobre o período, Osmar relatou problemas relacionados ao controle de acesso dentro do clube social.

“Chegou o momento que nós tivemos até 800 pessoas entrando aqui no Parque São Jorge sem carteirinha, sem nada. Entravam pelo P3, quando a gente fala P3 é o Portão 3. Eles entravam por ali, faziam festa aqui dentro. A gente teve que ir cortando isso e, para isso, precisamos trazer novas seguranças.”

Segundo o presidente, a mudança ajudou a trazer sensação de segurança para associados e funcionários.

“Isso deu tranquilidade, os associados começaram a se sentir mais seguros, eu também. Eu andava com quatro seguranças, na verdade, com medo, porque, veja só, eles toda hora ligavam aqui para mim, falavam que ia acontecer alguma coisa comigo. Mas eu segurei firme naquele momento ali e foi a dificuldade que nós passamos e o medo que nós passamos também, porque a situação não era fácil.”

Ao comentar a participação de Fernando José da Silva, atual gerente operacional do CT Dr. Joaquim Grava e responsável pela empresa investigada, Osmar negou ter solicitado diretamente a abertura da Mega Assessoria Operacional Ltda, mas confirmou ter concedido autorização temporária para atuação operacional emergencial.

“Não, para a empresa não. Eu fiz uma autorização aqui que eu fiz, eu até leio para você, que é aqui, de sete dias. Está aqui: ‘Por meio dessa, na qualidade de presidente do Sport Club Corinthians Paulista, no uso das minhas atribuições legais e estatutárias, concedo poderes ao Fernando José da Silva, escrito no CPF e tal, coordenador operacional, para que atue em nome da instituição em todas as esferas administrativas operacionais representativas, ter acesso às entradas físicas dependentes da portaria do Parque São Jorge, Neo Química Arena, Centro de Treinamento, Base e Profissional’. Então, essa autorização é válida por sete dias que eu coloquei aqui.”

Osmar explicou que a autorização acabou sendo ampliada devido ao período político vivido pelo Corinthians.

“Depois, então, como houve essa invasão, isso que foi no dia 26, houve a invasão, eu renovei isso por mais tempo, para poder a gente passar pelo período da questão da votação dos associados e também a votação dos conselheiros.”

O presidente ainda afirmou que, após assumir oficialmente o cargo, o clube realizou novas mudanças no setor de segurança.

“Passando esse período aí, eu me tornei presidente. Aí contratamos as pessoas, já tinham pessoas na parte administrativa, já tinham pessoas na parte jurídica, já tinham pessoas para ajudarem. Eles resolveram contratar uma outra empresa e essa outra empresa está até hoje aqui conosco.”

Segundo Osmar, o reforço na segurança também ocorreu nos centros de treinamento do clube.

“Tomando os cuidados necessários para evitar a questão da invasão de empresários lá na Base, que a gente tinha muito. A Base hoje está tranquila, não se fala mais em problema na Base.”

O mandatário também citou mudanças implantadas no CT profissional.

“No profissional, nós tivemos um problema de saída de materiais, fizemos um controle rigoroso também lá. As câmeras, a gente abriu um boletim de ocorrência, porque mexeram nas câmeras de controles, a gente passou a não ter controle mais. Então, precisamos melhorar lá também.”

Ao comentar o trabalho do diretor administrativo Fábio Soares, Osmar afirmou que houve uma reorganização interna no controle patrimonial do clube.

“Então, ele tem feito um trabalho bom naquele período que a gente tem acompanhado aí. O trabalho dele é feito no controle rigoroso dos materiais aqui do Parque São Jorge.”

O presidente explicou que decidiu dividir o controle de materiais entre diferentes setores do clube. No momento, segundo Osmar, atualmente qualquer movimentação de materiais exige autorização formal.

“Eu modifiquei, fiz uma mudança, que o material hoje controlado no Parque São Jorge é pelo administrativo e, no CT profissional, é controlado por Marcelo Passi. Então, eu dividi isso para evitar que os materiais saíssem lá sem autorização. Todo material que sai hoje é por autorização por escrito, senão não sai.””

O presidente também comentou a situação financeira do Corinthians e os pagamentos relacionados ao RCE.

“Muita gente fala que a reestruturação administrativa tinha acabado. Ela não acabou, porque existiam várias outras pessoas trabalhando lá, ela continua. A reestruturação financeira tem tudo já dentro do planejamento para poder efetuar os pagamentos.”

O mandatário garantiu que os compromissos financeiros do clube estão sendo reorganizados.

“Todos os pagamentos que ficaram do passado, nós estamos organizando todos, está organizado, na verdade, e vamos efetuar no determinado momento necessário.”

Osmar ainda comentou o atraso recente no pagamento dos salários do elenco masculino profissional.

“A gente ficou pontualmente com atraso de três dias no pagamento do salário dos atletas. Aqui no Parque São Jorge tinha sido pago já na quinta-feira e pagamos os atletas na terça-feira, antes do meio-dia já estava tudo pago. Espero que daqui para frente a gente continue dessa forma.”

Na reta final da entrevista, o presidente reforçou que a contratação emergencial ocorreu devido ao cenário enfrentado pelo clube naquele período.

“Houve essa necessidade naquele momento. A gente deu autonomia para o Fernando naquele momento fazer por sete dias, foi colocado para ele, ele tomou as providências junto com o administrativo, junto com todo o pessoal aí.”

Segundo Osmar, posteriormente o Corinthians passou a seguir os processos previstos internamente pelo estatuto.

“Depois houve a necessidade de mudanças, foram feitas mudanças que eles entenderam que eram melhores para o Corinthians, cumprindo o pré-estabelecido no estatuto.”

O mandatário ainda voltou a citar o clima de insegurança vivido internamente.

“O associado estava afastado do clube porque não tinha segurança, o presidente estava pressionado, com medo. Eu estava com quatro seguranças andando o dia todo comigo, porque era perigoso, a situação aqui do Corinthians não era brincadeira naquele momento.”

Ao ser questionado sobre a ausência de autorização da Polícia Federal para atuação da empresa de segurança citada nas investigações, Osmar afirmou que tomou conhecimento da situação após a repercussão do caso.

“Então, eu tomei esse conhecimento, vou tomar providências e responsabilizar quem tem que ser responsabilizado.”

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