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·19 de setembro de 2026
Palmeiras desponta e deixa Corinthians, São Paulo e Santos no desespero absoluto

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·19 de setembro de 2026

Em duas noites, três dos quatro grandes de São Paulo perderam o que ainda tinham de temporada grande. O Palmeiras foi o único que saiu vivo. E foi quem jogou pior.
Escrevo isso sabendo como soa. O Verdão perdeu por 3 a 2 em Quito, viu a vantagem construída no Nubank Parque evaporar em três minutos de acréscimo e só se classificou porque o goleiro pegou dois pênaltis. Foi a atuação mais sofrida das três partidas paulistas da semana — e a única que terminou com alguém avançando. É exatamente aí que mora a diferença que o torcedor sente e nem sempre consegue explicar: ela não depende de noite inspirada.
Não dá para dizer que faltou torcida. Foram 55.724 pagantes no estádio que o próprio clube vende como caldeirão. O que faltou foi um time capaz de fazer dois gols em um Boca Juniors que entrou em campo para administrar o 1 a 0 da Bombonera — e administrou. O São Paulo empatou em 1 a 1, com gol de Domingos Duarte aos 43 do segundo tempo, quando a eliminação já estava escrita, e saiu pelo agregado de 2 a 1.
Estádio cheio não decide mata-mata. Elenco decide. E o São Paulo chegou a setembro na 11ª posição do Brasileirão, sem nenhuma outra competição pela frente.
O Corinthians teve, nos acréscimos, o lance que empatava o confronto e levava a decisão para os pênaltis. Memphis Depay pegou a bola e mandou na arquibancada. É a imagem da noite, mas não é a explicação dela: o holandês chegou a setembro com um gol em 20 jogos pelo clube em 2026 — menos da metade do que Paulinho fez em nove partidas pelo Palmeiras, todas elas espremidas entre lesões.
A explicação veio da própria Neo Química Arena, no dia seguinte, pela boca do executivo de futebol do clube.
No futebol, não são os 11 que começam, são os 11 que terminam.
Marcelo Paz, executivo de futebol do Corinthians
Quando o diretor do rival explica a própria eliminação pelo tamanho do elenco do Palmeiras, a discussão acabou. O Corinthians não chega a uma semifinal de Libertadores desde 2012. O Palmeiras acaba de carimbar a sexta em sete anos.
Aqui é preciso corrigir uma impressão que ficou, inclusive na minha cabeça: o Palmeiras não atropelou o Santos. Foi 0 a 0 na Vila Belmiro, com Gustavo Gómez, Piquerez e Vitor Roque no banco e com o time abrindo mão da bola de propósito, calculando o calendário até novembro.
E é justamente isso que diz mais do que uma goleada diria. Há cinco, seis anos, entrar na Vila com o time desfalcado por opção, num mata-mata, seria irresponsabilidade. Em 2026, é planejamento — e deu certo. O Santos ainda perdeu duas vezes na mesma fase no ano: caiu para o Atlético-MG nos pênaltis pela Sul-Americana e para o Palmeiras na Copa do Brasil.
O que aconteceu entre terça e quarta não criou nada. Cobrou uma conta antiga. O Palmeiras entra na 28ª rodada do Brasileirão como vice-líder, com 56 pontos, um atrás do Flamengo, e com três competições abertas: Libertadores, Copa do Brasil e o próprio Brasileirão, além do Paulistão já conquistado em março.
21
pontos separam o Palmeiras do melhor colocado entre Santos, São Paulo e Corinthians no Brasileirão
Brasileirão 2026, antes da 28ª rodada
Santos (35 pontos), São Paulo (33) e Corinthians (32) somam, juntos, 100 pontos — pouco mais do que os 56 que o Palmeiras fez sozinho, no mesmo número de rodadas. Nenhum dos três briga por título em nada. Para dois deles, a distância que passou a importar é a de baixo. O Portal já tinha colocado os quatro lado a lado, e o retrato não melhorou desde então.
E a conta não é só de campo. Enquanto os rivais discutem folha e dívida, o Palmeiras discute qual modelo de gestão sustenta um clube de futebol no Brasil e vê o controle da própria arena mudar de mãos sem que isso vire crise institucional. São conversas de andares diferentes.
Faço questão da ressalva, porque o texto sem ela é torcida, não análise: nada disso é taça. O Palmeiras pode chegar a dezembro com o Paulistão e mais nada. A semifinal da Libertadores começa no Maracanã, contra um Fluminense que está em quarto no Brasileirão, e o time entra nela sem Abel Ferreira no banco, suspenso. A Copa do Brasil só volta em novembro. O Flamengo lidera.
Mas há uma diferença entre não ganhar e não disputar. Corinthians, São Paulo e Santos já sabem, em 19 de setembro, que não vão disputar. O Palmeiras não sabe de nada ainda — e é esse o privilégio.
A superioridade do Palmeiras sobre os rivais de São Paulo em 2026 não está no placar de uma noite. Está no fato de o Verdão ter feito a partida mais sofrida da semana e, mesmo assim, ser o único dos quatro ainda vivo em mais de uma competição. Isso não se constrói em uma semana, e não se desmonta em uma também.
Os três vão voltar. Corinthians, São Paulo e Santos são clubes grandes demais para viver de passado para sempre, e quem acha que essa distância é permanente não presta atenção na história do futebol paulista. Só que hoje, 19 de setembro de 2026, ela existe, é grande e foi construída com escolhas — não com sorte. O Verdão tem passado, tem presente e está montando o que vem. Quem viver, verá.
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