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·17 de setembro de 2026

Palmeiras e clubes paulistas publicam manifesto contra restrição às bets

Imagem do artigo:Palmeiras e clubes paulistas publicam manifesto contra restrição às bets

O Palmeiras publicou, na noite desta quinta-feira (17), um manifesto contrário a possíveis mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas no Brasil. A nota, intitulada “O fim do futebol brasileiro”, foi divulgada pela Federação Paulista de Futebol e compartilhada também por Corinthians, Santos e São Paulo.

No documento, as entidades reconhecem os impactos sociais provocados pela expansão das apostas e defendem o aprimoramento de medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção. O grupo, entretanto, argumenta que a proibição do mercado regulamentado poderia prejudicar o futebol brasileiro e favorecer plataformas clandestinas.


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“O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba”, afirma a parte final do manifesto.

Palmeiras alerta para impacto sobre contratos

A nota sustenta que empresas de apostas autorizadas se transformaram em uma das principais fontes de receita do esporte brasileiro. Segundo o texto, os recursos ajudam a financiar não apenas as equipes profissionais, mas também estruturas administrativas, centros de treinamento, categorias de base, projetos sociais e o futebol feminino.

Palmeiras e demais entidades demonstram preocupação especialmente com contratos comerciais assinados após a regulamentação do setor.

“Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado”, diz um trecho.

O Palmeiras tem a Sportingbet como patrocinadora máster. O contrato, válido até dezembro de 2027, prevê o pagamento de R$ 100 milhões fixos por temporada, além de valores variáveis que podem elevar o total anual para aproximadamente R$ 170 milhões.

Além da equipe masculina, a parceria envolve o time feminino, as categorias de base e os naming rights da TV Palmeiras Sportingbet e do Palmeiras Cast.

Clubes defendem fiscalização, mas rejeitam proibição

O manifesto afirma que a regulamentação permitiu ao Estado fiscalizar empresas, cobrar impostos e estabelecer obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores de idade e ao combate à manipulação de resultados e à lavagem de dinheiro.

Para os clubes, extinguir ou inviabilizar o mercado regulamentado não faria com que as apostas deixassem de existir. O movimento poderia, segundo a nota, direcionar consumidores para empresas clandestinas, que não recolhem impostos nem seguem mecanismos de proteção.

As entidades defendem o combate às operadoras ilegais e o aperfeiçoamento da fiscalização. Também se colocaram à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional e das autoridades estaduais e municipais para discutir medidas de educação e conscientização.

Por que os clubes publicaram o manifesto?

A manifestação acontece após notícias sobre uma possível medida do Governo Federal para restringir o mercado de apostas. Ainda não há, porém, uma decisão definitiva ou um texto oficial publicado.

A Reuters informou que uma das propostas estudadas atingiria as operações de cassino on-line, mas preservaria as apostas esportivas e os patrocínios relacionados ao futebol.

Outras informações divulgadas nesta quinta mencionam uma possibilidade mais abrangente, com restrições à publicidade e à exposição das marcas. De acordo com o UOL, 13 clubes da Série A têm empresas de apostas como patrocinadoras principais, em acordos que movimentam aproximadamente R$ 1 bilhão.

Como ainda não existe uma proposta oficial apresentada pelo Governo Federal, não é possível determinar se os contratos atualmente vigentes seriam proibidos, preservados durante um período de transição ou submetidos apenas a novas regras publicitárias.

Reunião na FPF antecedeu manifestação

O posicionamento conjunto ocorre poucos dias depois de representantes de Palmeiras, Corinthians, Santos, São Paulo e Juventus se reunirem na sede da Federação Paulista de Futebol.

O encontro contou com profissionais dos departamentos de marketing, comunicação e jurídico dos clubes, além de representantes de empresas de apostas. Na ocasião, o grupo discutiu projetos municipais, estaduais e federais voltados à restrição da publicidade do setor.

Segundo o ge, os contratos de Palmeiras, Corinthians e São Paulo com empresas de apostas representam, juntos, cerca de R$ 350 milhões por ano.

A nota desta quinta-feira amplia a mobilização e transforma a preocupação dos clubes em um posicionamento público contra uma eventual proibição.

Veja aqui a nota publicada na íntegra:

O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO

O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.

Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.

O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.

Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul-Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.

Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitas destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.

Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não geram recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.

Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.

Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.

Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.

A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado.

O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado.

O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.

O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA.

SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM.

O FUTEBOL É QUEM ACABA.

FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL

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