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·30 de agosto de 2026

Palmeiras não joga bem e deixa rival carioca encostar

Imagem do artigo:Palmeiras não joga bem e deixa rival carioca encostar

Abel Ferreira passou a semana dizendo que não ia poupar ninguém contra o Mirassol. Cumpriu. Escalou a força máxima possível, com o capitão recém-liberado pelo departamento médico e um volante improvisado na lateral esquerda, três dias antes de decidir uma vaga na semifinal da Copa do Brasil. E aí, no minuto 87 de um jogo empatado que ele precisava vencer, parou de mexer.

Foram três substituições em cinco possíveis. Lucas Evangelista e Khellven aos 70, Heittor aos 87 — e o Palmeiras terminou a partida com duas trocas guardadas no bolso, tentando o gol da vitória contra um adversário que estava com 35 cortes na conta e defendia com o estádio inteiro dentro da área.


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É aí que a promessa da coletiva encontra o que aconteceu em campo.

Já vos disse: não vou descansar ninguém. Vamos apostar tudo em todas as competições e no final vamos ver o que é que nos toca

Abel Ferreira, na coletiva após o 3 a 0 no Santos

Não poupar titulares e não usar o banco são a mesma frase

Existem duas leituras honestas para aquelas duas trocas que não vieram, e eu acho que as duas terminam no mesmo lugar.

A primeira: Abel guardou pernas para a Vila Belmiro. Seria coerente com o calendário e incoerente com o que ele próprio disse na quarta — poupar no fim de um jogo é poupar do mesmo jeito, só que mais tarde. A segunda: ele olhou para o que sobrava no banco e não viu ninguém que mudasse aquele jogo. Sobravam Erick Belé, Larson, Luis Pacheco, André Lucas, Miguel Bilong, Riquelme. Seis garotos e uma decisão de Copa do Brasil na quarta-feira.

Nas duas leituras, a conclusão é a mesma: o “não vou poupar ninguém” do Abel não foi uma escolha de estilo, foi uma constatação de estoque. Ele não poupou porque não tinha quem poupar. Cinco jogadores no departamento médico — Jhon Arias, Piquerez, Jefté, Ramón Sosa e Paulinho —, um lateral esquerdo de origem operado e fora até 2027, e um zagueiro reserva que sequer foi relacionado, sem explicação do clube.

O que o cartão do Arthur diz sobre o elenco

Arthur é volante. Jogou 98 minutos de lateral esquerdo porque não havia lateral esquerdo. Tomou o primeiro amarelo aos 90+6, o segundo aos 90+8, os dois por falta — que é como costuma terminar a noite de quem passa noventa minutos defendendo um corredor que não é o seu, contra um time que cruzou 25 vezes.

Não estou dizendo que ele jogou mal. Estou dizendo que a expulsão dele é um sintoma, não um acidente: agora o Palmeiras perde, por suspensão, o improviso que estava tapando o buraco. Contra o Botafogo, dia 6, Abel vai precisar improvisar o improviso.

Três chutes no alvo é o número que interessa

O Palmeiras teve a bola (51,9%), teve mais passes (464 a 424) e finalizou mais (14 a 11). Acertou o alvo três vezes. O Mirassol acertou cinco em onze. Esse é o jogo inteiro num par de números: um time que chega e não conclui contra um time que chega pouco e resolve.

E o gol que salvou o ponto não veio de nenhum dos dois centroavantes escalados. Veio de Maurício, um meia, no único chute palmeirense que acertou o gol no segundo tempo inteiro. Vitor Roque saiu aos 70 sem balançar a rede. Flaco López ficou os 90. Os dois juntos, no jogo em que o Palmeiras precisava de um gol para manter a vantagem na liderança, não produziram uma finalização no alvo.

O ponto não foi ruim. O mês que vem é que preocupa

Não vou tratar um empate fora de casa como tragédia. O Palmeiras segue líder, com 52 pontos, quatro à frente do Flamengo. Sair do Campos Maia com um ponto depois de sair atrás no placar é um resultado que, em abril, ninguém discutiria.

O que me incomoda não é o placar de domingo. É que setembro tem decisão de Copa do Brasil, tem Libertadores contra a LDU, tem Data Fifa no meio, e o Palmeiras vai chegar nisso tudo com o mesmo time — porque é o único que tem. Quando o técnico diz que aposta tudo em todas as competições, ele está descrevendo uma estratégia. Quando ele termina o jogo com duas substituições na mão, está descrevendo o elenco.

Quarta-feira, na Vila Belmiro, a vantagem de 3 a 0 dá margem para Abel finalmente fazer o rodízio que ele negou. Vai ser interessante ver se ele faz — e, principalmente, com quem.

Os números completos da partida estão na ficha de Mirassol x Palmeiras, e a avaliação das atuações está aberta em dê sua nota aos jogadores.

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