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·30 de setembro de 2026

Palmeiras sofre metade dos gols depois dos 75 minutos

Imagem do artigo:Palmeiras sofre metade dos gols depois dos 75 minutos

O Palmeiras tem a defesa menos vazada do Brasileirão e chega às duas semifinais com o melhor sistema defensivo do país. Mas há um trecho do jogo em que essa defesa deixa de existir. Um levantamento do Portal do Palestra sobre o minuto a minuto de 24 partidas da temporada mostra que metade dos gols sofridos pelo time chega depois dos 75 minutos.

São 19 gols sofridos no recorte. Dez até os 75 minutos, nove dos 76 em diante. Como o primeiro intervalo é quase quatro vezes mais longo que o segundo, a diferença real é maior do que a divisão sugere: até os 75, o Palmeiras sofre um gol a cada 180 minutos jogados; depois dos 75, um a cada 53.


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53 minutos

é o intervalo médio entre os gols que o Palmeiras sofre depois dos 75 minutos de jogo. Até os 75, o time leva um gol a cada 180 minutos — mais de três vezes menos frequente

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Nos acréscimos, o placar só anda contra

O dado mais duro do levantamento está no tempo que o árbitro acrescenta. Nos acréscimos do segundo tempo, o Palmeiras sofreu quatro gols e não marcou nenhum em toda a amostra. O time chegou a balançar as redes seis vezes dos 80 minutos em diante, mas nenhuma delas depois dos 90.

E não foram gols de consolação. Contra o Cerro Porteño, aos 90’+3, o empate tirou uma vitória que estava em pé desde os 82 minutos, em casa, pela Libertadores. Contra o Fluminense, aos 90’+2, o gol completou a virada do adversário no Rio. Em Quito, aos 90’+3, foi o tento que mandou a vaga para os pênaltis. Só o do Vasco, aos 90’+4, pegou um jogo já resolvido.

Os nove gols que o Palmeiras sofreu no fim

  1. 1 Jacuipense, aos 88' Copa do Brasil, 13 de maio: gol de honra num 4 a 1 já resolvido
  2. 2 Atlético-MG, aos 77' Brasileirão, 26 de julho: o Palmeiras tinha empatado aos 74 e perdeu em casa por 2 a 1
  3. 3 Fortaleza, aos 87' Copa do Brasil, 5 de agosto: estava 2 a 2 e terminou 3 a 2, com a vaga garantida pelo 3 a 0 da ida
  4. 4 Cerro Porteño, aos 90'+3 Libertadores, 12 de agosto: o Palmeiras vencia desde os 82 e cedeu o empate no Nubank Parque
  5. 5 Fluminense, aos 85' Brasileirão, 15 de agosto: o time tinha virado aos 82 e levou o empate três minutos depois
  6. 6 Fluminense, aos 90'+2 Brasileirão, 15 de agosto: o segundo no mesmo fim de jogo, que transformou vitória em derrota
  7. 7 Vasco, aos 90'+4 Brasileirão, 23 de agosto: gol do adversário num 4 a 1 já definido
  8. 8 LDU, aos 90' Libertadores, 16 de setembro: o Palmeiras vencia por 2 a 1 em Quito desde os 73
  9. 9 LDU, aos 90'+3 Libertadores, 16 de setembro: a virada que levou a vaga para os pênaltis

O jogo em Quito é o retrato do padrão

Nenhuma partida resume melhor o que o levantamento mostra. Aos 75 minutos, o Palmeiras vencia por 2 a 1 na altitude e administrava uma classificação encaminhada. Levou aos 90 e aos 90’+3, perdeu por 3 a 2 e viu a vaga ir para os pênaltis — onde Carlos Miguel defendeu duas cobranças e salvou a semifinal.

Não é um caso isolado de altitude ou de cansaço de viagem. Os nove gols tardios estão espalhados pelas três competições: três em jogos de Brasileirão, dois na Libertadores, dois na Copa do Brasil, e os outros dois no mesmo jogo contra o Fluminense.

Onde o time é praticamente intransponível

O outro lado do levantamento explica por que a defesa alviverde tem a melhor estatística do Brasileirão. Entre os 16 e os 30 minutos de jogo, o Palmeiras não sofreu um único gol na amostra inteira. Até o intervalo, são apenas seis dos 19 — pouco menos de um terço.

A leitura que sai daí é de um time que controla o jogo enquanto tem pernas e concentração, e que se abre quando o placar já está construído ou quando precisa se defender de um adversário empurrando. É o retrato de uma equipe que termina metade dos jogos sem ser vazada e, quando é vazada, costuma ser no pior momento.

Por que isso pesa agora

O calendário transforma o detalhe em risco. O Palmeiras disputa a semifinal da Libertadores contra o Fluminense, com a ida em 21 de outubro, e a da Copa do Brasil contra o Vasco, em 1º e 8 de novembro. Mata-mata em ida e volta é exatamente o formato em que um gol aos 90 muda a conta inteira do confronto.

No Brasileirão, a conta já foi cobrada duas vezes. Contra o Atlético-MG, o Palmeiras empatou aos 74 e levou o gol da derrota aos 77, em casa. Contra o Fluminense, virou o jogo aos 82 e saiu de campo derrotado por 3 a 2. São dois jogos em que o time não estava perdendo depois dos 74 minutos e terminou sem nenhum ponto — para uma equipe que hoje está a três pontos do Flamengo.

Como o levantamento foi feito

O Portal do Palestra cruzou o minuto a minuto das 24 partidas de 2026 que têm registro completo de eventos na base do portal: 13 do Brasileirão, seis da Libertadores e cinco da Copa do Brasil. São 43 gols marcados e 19 sofridos, e o placar de cada uma das 24 partidas confere exatamente com a soma dos eventos registrados — o que valida a cronologia usada aqui.

Vale a ressalva: o recorte não cobre a temporada inteira, e sim os jogos com minuto a minuto auditado. É por isso que o número de gols sofridos aqui não bate com o total do Palmeiras no Brasileirão, que soma 21 em 28 rodadas.

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