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·27 de agosto de 2026
Palmeiras supera Barcelona e Real Madrid em vendas de jogadores desde 2022/23

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·27 de agosto de 2026

O Palmeiras ultrapassou a marca de R$ 2 bilhões em vendas de jogadores desde a temporada 2022/23 e alcançou um patamar que o coloca à frente de alguns dos maiores clubes do futebol mundial no mesmo período.
Segundo levantamento publicado pelo Estadão nesta quinta-feira (27), o Verdão acumulou aproximadamente 371,09 milhões de euros em negociações de atletas no recorte analisado.
O valor supera as receitas obtidas no mercado por Barcelona e Real Madrid durante o mesmo intervalo.
A venda mais recente a ampliar a conta foi a de Allan para o Manchester City, fechada por 37,5 milhões de euros fixos e outros 2,5 milhões de euros em bônus.
Com a operação, o Palmeiras consolidou uma transformação construída principalmente sobre um ativo que ganhou enorme importância na última década: as categorias de base.
O levantamento publicado pelo Estadão coloca o Palmeiras com aproximadamente 371,09 milhões de euros em vendas desde 2022/23.
No mesmo recorte:
Os números consideram os valores divulgados das transferências dentro do período analisado.
Isso significa que não representam necessariamente o dinheiro líquido que entrou no caixa de cada clube.
Percentuais pertencentes a outros times, bônus, comissões, impostos e diferentes formas de pagamento podem alterar o valor efetivamente apropriado em cada operação.
Ainda assim, a comparação mostra o volume atingido pelo Palmeiras no mercado.
Entre os dois gigantes espanhóis, o Barcelona é quem aparece mais próximo.
O clube catalão movimentou 342,70 milhões de euros em vendas no período.
A diferença favorável ao Palmeiras é de aproximadamente 28,39 milhões de euros, cerca de R$ 170 milhões na conversão utilizada pelo levantamento.
O valor isolado da diferença é quase equivalente a uma grande transferência do futebol brasileiro.
Contra o Real Madrid, a distância é ainda maior.
O clube espanhol arrecadou € 294,50 milhões no mesmo intervalo, deixando uma diferença de € 76,59 milhões em favor do Palmeiras.
Em reais, o Estadão calcula uma distância próxima de R$ 459 milhões.
É importante observar que a comparação trata exclusivamente das receitas obtidas com vendas de jogadores. Ela não significa que o Palmeiras tenha faturamento, orçamento ou poder financeiro superiores aos dos gigantes espanhóis.
O que os números mostram é outra coisa: a eficiência recente do clube na geração de receitas com transferências.
A última operação importante foi a transferência de Allan ao Manchester City.
O clube inglês acertou o pagamento de 37,5 milhões de euros garantidos, além de outros € 2,5 milhões vinculados ao cumprimento de metas.
O teto do negócio chega a € 40 milhões, cerca de R$ 240 milhões.
A transferência colocou Allan entre as negociações mais valiosas da história do clube.
Considerando somente as parcelas fixas, a Cria da Academia superou inclusive Endrick.
O Portal do Palestra mostrou como Allan entrou no Top 2 das maiores vendas do Palmeiras considerando os valores garantidos.
O levantamento completo pode ser consultado no ranking atualizado das maiores vendas da história do Palmeiras.
O recorte utilizado pelo Estadão começa justamente em uma temporada decisiva para essa transformação.
Em dezembro de 2022, o Palmeiras chegou a um acordo para negociar Endrick com o Real Madrid.
A operação poderia alcançar 60 milhões de euros considerando os valores esportivos e os bônus previstos no contrato.
Endrick ainda permaneceu no Palmeiras até completar 18 anos, mas aquela negociação representou o início de uma sequência extraordinária.
Pouco depois vieram outros negócios milionários.
Estêvão protagonizou a maior transferência da história palmeirense considerando o teto total divulgado da operação.
O Chelsea acertou uma negociação que pode alcançar 61,5 milhões de euros.
O modelo teve semelhanças com o utilizado na venda de Endrick: o acordo aconteceu enquanto o jogador ainda era muito jovem e previa a permanência no Palmeiras até que pudesse seguir definitivamente para a Europa.
A valorização das duas Crias colocou a Academia alviverde definitivamente no radar dos principais compradores do continente.
Outro caso emblemático foi Vitor Reis.
O zagueiro formado integralmente na base do Palmeiras foi comprado pelo Manchester City depois de uma passagem relativamente curta pelo profissional.
O negócio ficou na casa dos 35 milhões de euros, colocando um defensor entre as maiores transferências já realizadas pelo clube.
Esse tipo de recorrência ajuda a mostrar um fenômeno importante.
Os grandes clubes europeus deixaram de observar a Academia apenas em busca de uma promessa específica.
Passaram a acompanhar o processo de formação do Palmeiras de maneira constante.
Grande parte das principais transferências recentes tem exatamente a mesma origem.
São jogadores formados pelo clube.
Entre os nomes estão:
Há ainda negociações importantes de jogadores contratados já adultos, como Richard Ríos e Artur.
Mas a base é o principal motor dessa transformação.
O próprio Estadão ouviu Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management no Brasil, empresa responsável pela carreira de Vitor Reis.
Segundo o executivo, o mercado internacional passou a observar a Academia do Palmeiras com respeito semelhante ao dedicado a grandes centros formadores europeus.
Para Fiorito, a combinação de tecnologia, metodologia de formação e capacidade de escolher o momento da venda permite ao clube maximizar o valor de seus jogadores.
Os números reforçam um levantamento proprietário publicado pelo Portal do Palestra no início do ano.
Na reportagem especial A Fábrica de Bilhões: Palmeiras e os R$ 2 bilhões da Academia, o Portal analisou individualmente as principais transferências de jogadores formados pelo clube.
O estudo mostrou como o investimento realizado na estrutura das categorias inferiores se transformou em uma das principais fontes de receitas da instituição.
Depois da negociação de Allan, o Portal atualizou outro recorte e mostrou que as vendas de Crias da Academia já superam R$ 2,1 bilhões na era Abel Ferreira.
Os levantamentos utilizam metodologias diferentes.
Por isso, os valores não devem ser comparados diretamente sem considerar período, origem dos atletas e critérios utilizados para contabilizar cada transferência.
Dentro do Brasil, a diferença também chama atenção.
Segundo o levantamento do Estadão, o Flamengo arrecadou € 161,38 milhões no período analisado, aproximadamente R$ 966 milhões.
É o principal perseguidor brasileiro.
Mesmo assim, a distância para o Palmeiras é de € 209,71 milhões, aproximadamente R$ 1,26 bilhão.
Ou seja: dentro do recorte adotado, a diferença entre Palmeiras e Flamengo é maior do que toda a receita obtida pelo clube carioca com vendas.
O dado reforça o grau de concentração que as grandes negociações recentes produziram.
A força no mercado aparece mesmo quando a janela temporal é alterada.
Um levantamento publicado pelo UOL nesta semana mostrou que, considerando apenas as transferências realizadas desde o meio de 2024, o Palmeiras arrecadou € 282,9 milhões, aproximadamente R$ 1,7 bilhão.
Nesse período, nenhum clube de fora da Europa vendeu mais jogadores.
O Botafogo aparecia em segundo, com € 139,8 milhões, seguido pelo River Plate.
A posição muda quando os clubes europeus são incluídos: naquele recorte de dois anos, o Palmeiras aparece na 25ª colocação global, mas ainda acima de gigantes como Manchester United, Juventus, Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique e Arsenal.
Os números reforçam que não se trata apenas de uma grande negociação isolada.
Existe uma sequência.
Durante décadas, uma reclamação recorrente entre os palmeirenses era a perda precoce de jovens por valores considerados baixos.
O cenário mudou.
O clube passou a utilizar contratos longos, multas elevadas, maior participação econômica sobre os jogadores e uma postura mais agressiva durante as negociações.
Também passou a resistir às primeiras ofertas.
O caso de Allan é um exemplo recente.
O Manchester City fez uma investida inicial inferior ao valor considerado adequado pelo Palmeiras.
A proposta foi recusada.
Os ingleses retornaram até chegar aos € 37,5 milhões garantidos e € 2,5 milhões em bônus.
A mesma lógica apareceu em outros negócios.
O objetivo deixou de ser apenas vender uma promessa.
Passou a ser maximizar o ativo antes de permitir sua saída.
A questão agora é saber por quanto tempo esse modelo continuará produzindo transferências desse tamanho.
O Palmeiras ainda possui jogadores jovens observados internacionalmente.
Riquelme Fillipi, Benedetti, Luis Pacheco e outras promessas continuam no radar de equipes estrangeiras.
O Portal analisou justamente esse próximo ciclo no levantamento sobre as joias da Academia que podem protagonizar novas vendas milionárias.
João Paulo Sampaio também já indicou publicamente que novas operações importantes devem acontecer.
O desafio será manter o equilíbrio.
A base precisa gerar jogadores para o profissional, produzir retorno esportivo e, eventualmente, financiar parte dos investimentos realizados no próprio futebol.
Os valores mostram uma mudança estrutural no Palmeiras.
O clube continua investindo alto em contratações — Vitor Roque, Jhon Arias e Paulinho estão entre os exemplos recentes —, mas construiu simultaneamente uma capacidade de venda pouco comum no futebol brasileiro.
É essa combinação que tornou possível uma comparação que pareceria improvável há alguns anos.
No recorte desde a temporada 2022/23, o Palmeiras vendeu mais jogadores do que Barcelona e Real Madrid.
Não significa que o clube tenha se tornado financeiramente maior do que os gigantes espanhóis.
Significa que, no mercado de transferências, o Palmeiras criou um dos modelos mais eficientes e rentáveis do futebol recente.
E grande parte dessa história começa alguns quilômetros distante do time profissional, nos campos das categorias de base da Academia de Futebol.







































