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·09 de setembro de 2026
Palmeiras troca celular por livro na base, e a BBC Sport repercute

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·09 de setembro de 2026

A decisão do Palmeiras de proibir o celular nas dependências da Academia de Futebol 2, em Guarulhos, e de colocar estantes de livros no lugar dos aparelhos chegou ao público internacional. A BBC Sport apresentou a medida aos seus seguidores em publicação nas redes sociais neste fim de semana, dois meses depois de a regra passar a valer nas categorias de base do clube.
A restrição está em vigor desde o começo de julho e vale para atletas e funcionários. O aparelho fica guardado a partir da entrada no centro de treinamento e só volta às mãos depois da portaria, na saída. A regra foi criada pelo Centro de Formação de Atletas e alcança as áreas comuns do CT: refeitório, departamento médico e os intervalos entre uma atividade e outra.
Quem explicou o motivo foi João Paulo Sampaio, coordenador geral da base. A publicação da BBC reproduziu justamente o argumento dele sobre o efeito das telas na rotina dos garotos.
Estamos vendo uma epidemia de ansiedade e depressão nos jovens, e muito disso tem a ver com as telas. Resolvemos proibir o uso de celular no CT por parte de atletas e funcionários nas áreas comuns, para que todos tenham convivência social e foco nas tarefas.
João Paulo Sampaio, coordenador geral da base do Palmeiras
Tirar o aparelho era metade da ideia. A outra metade foram os espaços de leitura inaugurados na Academia de Futebol 2 no dia 2 de julho, com estantes espalhadas pelos pontos onde os jovens costumavam matar o tempo olhando para a tela — o almoço, a espera pelo treino da tarde e o tratamento no departamento médico.
As estantes receberam o nome de Espaço de Leitura Professor Abel Ferreira. A homenagem tem razão de ser: o treinador é embaixador da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias e um dos autores de Cabeça Fria, Coração Quente, publicado em 2022. Abel participou da inauguração e conversou com garotos do Sub-12 e do Sub-13.
Na ocasião, o português resumiu o que enxerga no projeto: “No Palmeiras, também se educa o homem, não só o atleta… Entender que a leitura pode te ajudar a crescer também como jogador é algo que me fascina”, afirmou. Ele acrescentou que a preocupação vale mesmo para quem não chegar ao profissional: “Fico muito satisfeito de ver que o Palmeiras não procura apenas formar o jogador, mas também preparar o jovem para a vida, independentemente de seguir carreira no futebol. Afinal, nem todos se tornam atletas”.
Como funcionam as estantes
O acervo é comunitário e cresce por doação: qualquer pessoa que frequente a Academia de Futebol 2 pode deixar um livro, sem restrição de gênero literário. A leitura não é obrigatória. O projeto se soma a outra política do Centro de Formação de Atletas, que matricula todos os jogadores na escola e mantém convênio com um colégio particular para os jovens alojados.
A repercussão não nasceu do nada. O clube é hoje o único brasileiro no top 10 mundial de formação segundo o levantamento do CIES, e as Crias da Academia se espalharam pelos maiores clubes da Europa — a ponto de Real Madrid e Barcelona terem camisas 9 saídas de Guarulhos.
Do lado financeiro, a conta é igualmente pesada: as vendas de formados na Academia passaram de R$ 2,1 bilhões na era Abel Ferreira. É esse retrospecto que faz uma regra interna de CT interessar a uma redação em Londres.
Sampaio já indicou que o Palmeiras deve seguir fazendo negócios com garotos da casa, e a fila de joias do Sub-20 prontas para a vez continua andando. A aposta do clube é que os livros também entrem nessa formação.
Sobre a homenagem ao treinador, o coordenador foi direto: “Esperamos ter uma boa colheita no futuro e que nossos atletas se acostumem a ler. Não será nada forçado, os livros estarão à disposição. Quem sabe não formamos também grandes leitores no futuro, além de grandes jogadores?”


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