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·04 de abril de 2025

Parceiro do São Paulo por Cotia, magnata grego é acusado de associação criminosa após assassinato de policial

Imagem do artigo:Parceiro do São Paulo por Cotia, magnata grego é acusado de associação criminosa após assassinato de policial

Marinakis está perto de ser oficializado 'sócio' da base tricolor (Carl Recine/Getty Images)

RAFAEL EMILIANO@rafaelemilianoo


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Muito próximo de ser anunciado como parceiro do São Paulo em investimentos prioritários nas categorias de base, o bilionário grego Evangelius Marinakis foi indiciado nesta sexta-feira (4) pela Justiça de seu país por associação criminosa.

O processo ainda pode culminar em outra acusação contra o magnata, de homicídio e atos de violência praticados pela torcida do Olympiacos, clube do qual ele é dono, além do Nottingham Forest, da Inglaterra, e o Rio Ave, de Portugal.

Marinakis vai ser julgado junto de outros quatro membros do conselho de administração do clube grego, cujo centenário foi felicitado pelo Tricolor nas redes sociais, mês passado.

As investigações arrancaram quando um policial morreu em 2023 em confrontos com torcedores do Olympiacos após um jogo de vôlei contra o Panathinaikos, seu maior rival: 140 desses torcedores, detidos desde abril, também vão ser julgados.

“A acusação é totalmente infundada”, afirmou o advogado de Marinakis, Vassilis Dimakopoulos, à Agência Reuters.

Por meio de comunicado divulgado à imprensa grego, o magnata se manifestou sobre o caso e defendeu que se trata de uma guerra contra a liberdade de Imprensa, a democracia e o seu grupo de media, já que é um magnata da comunicação social, entre outros negócios.

"O processo em todas as suas fases é um pesadelo para a democracia de um país ‘supostamente’ europeu. São duas acusações contra-ordenacionais que não se baseiam em um único elemento factual, numa confissão, num diálogo, em nada de real e verdadeiro", diz o texto.

"Baseiam-se em saltos de ‘lógica do absurdo’ e em invenções de algumas pessoas que cumpriram a ordem do Primeiro-Ministro Kyriakos Mitsotakis para nos processar, com base em teorias da conspiração e em suposições impensáveis de que alegadamente demos algumas dezenas de convites a adeptos (algo que todas as equipas fazem e em muito maior escala) como fazemos a políticos, juízes, polícias! Sem qualquer prova de que aqueles que receberam os nossos convites tenham feito algo de ilegal. Trata-se de um esforço coordenado, mas desesperado, para me silenciar", completa.

O Olympiacos também se manifestou em defesa de seu dono e atual torcedor mais ilustre, falando em “jogos políticos” e “manipulação desde o início do caso, sem qualquer prova substancial para chegar a uma acusação à medida”.

“Após o termo deste procedimento antidemocrático, não haverá grego que não esteja informado sobre todos os aspectos do caso e sobre todos os protagonistas (independentemente do seu estatuto) que participaram nesta nova e impensável conspiração contra o Olympiacos, o nosso Presidente, a administração e os nossos torcedores”, prossegue o duro e extenso comunicado do clube grego.

“Tanto o Primeiro-Ministro em pânico e o seu governo, que conceberam e executaram este plano sombrio, como os interesses empresariais e editoriais, que se alinharam com eles e apresentaram voluntariamente como um caso real e como uma acusação real uma acusação fabricada e vulgar, foram agora expostos a todos torcedores do Olympiacos, a todos os gregos pensantes. A partir de hoje, a família do Olympiacos inicia uma luta para que a verdade venha à luz”, conclui o comunicado do Olympiacos.

O PARÇA

A diretoria do São Paulo assinou um memorando de entendimento com o grupo do magnata grego Evangelius Marinakis para encaminhar (ainda mais) a parceria pelo recebimento de investimentos em sua grande parte para as categorias de base do Tricolor.

Conforme apurou o AVANTE MEU TRICOLOR, o documento oficializa o entendimento entre as partes para cláusulas de divisão da verba de US$ 100 milhões (cerca de R$ 600 milhões) que o clube do Morumbi receberá para os próximos cinco anos.

O memorando estabelece de que forma a grana será gasta pelo TricolorA reportagem apurou que ficou acertada que parte desse montante (aproximadamente R$ 100 milhões) será despedida em reforços para o time profissional. Mas há teto para gasto com jogadores de até 25 anos.

O restante será mesmo para investimentos em jovens talentos para as categorias de base. O São Paulo teve que aceitar a contrapartida de Marinakis, de que parte dos investimentos será obrigatório para a aquisição de promessas dos outros países sul-americanos.

Outras cláusulas do memorando já eram conhecidas: a maior delas é que o grupo de Marinakis terá direito a percentual dos jogadores da base pelos próximos dez anos a partir da assinatura oficial do acordo. Também há itens que preveem o repasse de talentos direito aos outros clubes do magnata na Europa.

O documento, que serve basicamente pelo lado do São Paulo para ser apresentado ao Conselho Deliberativo, estabelece que não há multa rescisória nessa etapa das negociações. Ou seja, qualquer um dos dois lados pode desistir antes da assinatura do contrato oficial.

O São Paulo já deu demonstração pública de que o negócio com Marinakis talvez realmente esteja mais próximo de ser fechado do que parece.

O texto foi postado em três idiomas (português, grego e inglês).

"Ao gigante Olympiacos, é com grande respeito que parabenizamos o maior campeão grego pela linda trajetória construída nestes 100 anos de história e conquistas. Que as próximas temporadas sejam ainda mais gloriosas", diz.

parceria entre São Paulo e Marinakis praticamente foi selada após o grego avisar que seu conglomerado desistiu oficialmente da compra do SAF do Vasco, até então maior concorrência para que ele abrisse mão da parceria pelas categorias de base tricolores. O acordo agora está com caminho aberto para ser concretizado.

Conforme o AVANTE MEU TRICOLOR revelou em dezembro, Marinakis enfrentava a resistência do filho para sacramentar de vez o negócio com o clube do Morumbi. O herdeiro sonhava com a aquisição do Vasco, com ele sendo o CEO e tomando as principais decisões, além de estabelecer moradia no Rio de Janeiro (RJ).

Acontece que o bilionário foi convencido por seu novo funcionário, o ex-volante e ex-coordenador da Seleção Brasileira, Edu Gaspar, de que focar os investimentos no Brasil apenas nas categorias de base são-paulinas seria melhor negócio.

Além de se livrar de eventuais problemas jurídicos no time carioca, provenientes da rescisão conturbada com a 777, primeira dona da SAF vascaína, a opção São Paulo se torna mais barata. As negociações para a aquisição do clube de São Januário beiravam R$ 1 bilhão. Enquanto que a parceria com o Tricolor pela base resultará em um gasto pouco maior que R$ 600 milhões.

No São Paulo, o grego atuaria principalmente como investidor. Ou seja, o controle total das coisas em Cotia ficaria com o São Paulo. Diferente de uma possível SAF do Vasco.

Marinakis chegou a estudar a possibilidade de fazer as duas coisas (assumir o Vasco e selar a parceria com o São Paulo), mas foi alertado pelo próprio Gaspar de que poderia ser algo não bem visto pelas autoridades nacionais.

Apesar das pressões do filho, Marinakis já parecia decidido a encaminhar a parceria com o São Paulo desde a virada do ano. O AMT revelou, inclusive, que o grego pediu a seus advogados para acelerar as minutas do acordo após o título são-paulino da Copinha.

Ainda de acordo com o que já foi revelado pela nossa reportagem, quem 'enrola' no andamento para selar a parceria é o próprio São Paulo.

Primeiro, porque o clube tem proposta também da Galápagos. A companhia de investimentos, parceira tricolor no fundo de investimentos, vem realizando uma série de contra-ofertas ao presidente Julio Casares.

Depois, e mais importante, é a resistência interna. Mesmo aliados de Casares estão desconfiados da 'privatização' da base. Enxergam um princípio de SAF no clube e dificultam o andamento das coisas no Conselho Deliberativo.

As tratativas de Marinakis com o São Paulo estão em estado avançado. A parceria entre o Tricolor e o bilionário deverá ter dez anos de duração. E certamente o item mais polêmico é a preferência que o clube do Morumbi dá a Marinakis para que ele compre a SAF tricolor caso essa seja colocada à venda.

Marinakis ficaria com 35% de futuras vendas de jogadores de Cotia e, em contrapartida, investiria os US$ 100 milhões na base do Tricolor.

Não se trata de uma venda ou passagem de controle de Cotia para Marinakis, mas sim uma discussão para aumentar o poder de investimento da base, com promoção de intercâmbio de jogadores e profissionais das camadas jovens são-paulinas.

E quem é esse Marinakis?

Evangelos Marinakis é um empresário e investidor de 57 anos nascido em Pireu, na Grécia, e principal acionista de diversas empresas que operam nos setores de transporte marítimo, mídia e futebol.

A família de Marinakis é dona da Capital Maritime Group, empresa marítima que possui frota de dezenas de navios e tem patrimônio avaliado em R$ 22 bilhões.

Foi em 2010 que começou a se aventurar no maior esporte do mundo. Primeiro comprou o Olympiacos, um dos gigantes de seu país, conquistando grandes resultados, como o título da Liga Grega por sete temporadas sucessivas, quatro taças da Copa Nacional e a Conference League da última temporada.

Em 2017, entrou no gigante Campeonato Inglês ao se tornar sócio-majoritário do Nottingham Forest, que retornou à Premier League em 2022. Enfim, em 2023, Marinakis comprou também o Rio Ave, de Portugal.

A ideia de fechar parceria com o São Paulo é de Edu Gaspar, que elaborou projeto semelhante para o Arsenal, que recusou a ideia.

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