Trétis
·21 de fevereiro de 2026
Perene, até a página dois (ou um rebaixamento)

In partnership with
Yahoo sportsTrétis
·21 de fevereiro de 2026

Nessa sexta-feia (20), o Athletico decidiu anunciar qual seria seu passo para o retorno do time feminino, já que voltou à elite do futebol nacional e, de acordo com a obrigatoriedade imposta pela CBF, desde 2019 todos os times da série A do Campeonato Brasileiro devem manter uma equipe feminina. A decisão prevê, ainda, que até 2027 todas as divisões deverão também seguir a ordem. A medida veio de uma ideia de que, assim, a entidade ajudaria no desenvolvimento do futebol feminino no país – o que também carrega outros problemas, mas isso é debate pra outra hora.
O foco aqui é na decisão do Athletico e por que a nota escrita para anunciar tem inúmeros problemas. Contradições, hipocrisias e inverdades. Pois bem, o Furacão decidiu que para voltar com o time feminino em 2026 fará uma parceria com o Imperial Futebol Clube. O Imperial já trabalha com o futebol feminino há algum tempo, fechou parceria com o Coritiba, quando o rival também iniciou sua categoria. O time feminino do Athletico teve início em 2018, pois a Conmebol já exigia dos clubes que participavam de suas competições possuíssem ou associassem-se à equipes femininas. Na época, o rubro-negro iniciou parceria com o Foz Cataratas, porém, em 2020, tomou a decisão de formar e manter o próprio time feminino.
Desde que foram criadas, as Gurias Furacão foram pentacampeãs do Campeonato Paranaense, conquistando consecutivamente todos os títulos. No meio disso, conquistaram vaga para a série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino, sendo vice-campeãs em 2022 e conquistando o inédito acesso para a série A1 em apenas três anos de existência. Em 2023 acabaram sofrendo o descenso e em 2024 voltaram à caminhada para tentar de novo o acesso à elite. Em todos esses anos, o Athletico parecia interessado em fazer o projeto dar certo, contratando nomes importantes da categoria no cenário nacional, como Mayara Bordin, Vantressa Ferreira e Rosana Augusto, como supervisora e técnicas respetivamente. Todas ex-atletas e com conhecimento no futebol feminino. Mayara ajudou na formação do time feminino do Corinthians, maior potência nacional, além de ter sido atleta e supervisora também da Seleção Brasileira. Vantressa foi campeã da Copa do Mundo e da Copa das Nações com a Seleção Brasileira em 2019 no fut7. Já Rosana, ex-lateral e meio campista da Seleção, vice-campeã mundial e medalhista de prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008.
Quando assumiu cargo como diretor, Felipão chegou a dizer que daria atenção especial ao futebol feminino, pensando até em ser um clube revelador de jogadoras para a Seleção Brasileira. Na final do campeonato A2 contra o Ceará, o Athletico até abriu as portas da Arena da Baixada para que as mulheres jogassem e mais de 28 mil pessoas acompanharam o jogo, numa linda festa. Em novembro de 2024, após conquistarem o pentacampeonato, em novembro, as Gurias Furacão deram uma volta olímpica na Arena com a taça, recebendo aplausos de toda torcida. Tudo para um mês depois, com o rebaixamento do time masculino para a série B, o clube decidir acabar com o time feminino.
Sem explicações, o clube nunca se explicou oficialmente nem à publico nem para as próprias atletas. As jogadoras receberam a notícia pela internet, com a Trétis trazendo a notícia em primeira mão em pleno natal. Após isso, apenas uma mensagem da comissão técnica, confirmando a decisão. Simples assim. Nem um muito obrigado, sem reconhecimento, sem qualquer consideração ou ética profissional. Se desfizeram de um projeto que caminhava bem, já era a maior potência do estado, com bons resultados e um objetivo traçado no cenário nacional. Tudo pela provável desculpa de corte de gastos depois do rebaixamento do masculino. Sendo que, sabemos bem, um salário de um jogador do masculino mais que cobre um ano inteiro do feminino. Os gastos são irrisórios para o clube, tanto que não aparecem descritos no balanço financeiro. Este que, apesar do rebaixamento, terminou em mais um superávit.
A decisão foi corretamente criticada por muitos veículos e torcedores que acompanhavam a categoria. O clube deveria – e conseguiu – ficar apenas um ano na série B, ou seja, teria que retomar a equipe feminina em 2026, então pra que acabar com o caminho das Gurias Furacão que já caminhavam pela evolução? Tudo para tomar a decisão de, agora, voltar com o time feminino na estratégia de parceria com outro clube, dando passos atrás inexplicáveis. Ou melhor, podemos encontrar explicações, na verdade que o clube sempre enxergou a equipe feminina como uma mera obrigatoriedade a cumprir, sem interesse em realmente desenvolver e fortalecer o futebol feminino.
E é aí que a nota publicada na sexta-feira brinca com a inteligência do torcedor, mais uma vez. O Athletico usa argumentos no anúncio da volta do feminino que são claramente hipócritas após tudo o que fizeram com as Gurias em 2024. Destaco aqui aspas importantes da minha crítica:
E por fim, termino jogando a pá de cal. Para um clube que sempre se disse pioneiro, está ficando atrás do seu próprio rival no futebol feminino. Mesmo com mais anos na série B, o Coritiba continuou com a equipe feminina e aumentou os esforços e compromisso em desenvolver a categoria. Contratou muitas das atletas que antes jogavam aqui, sob regime de contrato CLT, não por temporada como fazia o Athletico. Respeitam os direitos de suas atletas profissionais. As tratam como profissionais, que são o que elas são e merecem. Fazem o mínimo que o rubro-negro não fez.
Estou aqui para relembrar o que foi feito. Não deixar que mentiras sejam ditas. Para que as palavras utilizadas signifiquem, realmente, algo. Não só para parecer bonito na foto. O futebol feminino merece respeito. Merece, sim, ser tratado conforme o escrito na nota. Merece planejamento, merece fortalecimento, desenvolvimento, compromisso. Merece respeito. E, mais do que tudo, merece mesmo ser perene.









































