Pezzolano se emociona e também abre o jogo sobre o que acontece com o time do Inter
A entrevista coletiva de Paulo Pezzolano após o empate em 1 a 1 com o Flamengo trouxe uma das explicações mais completas desde que o treinador chegou ao Internacional. A coletiva foi marcada também pela emoção, o uruguaio falou sobre a perda recente da mãe, se emocionou ao receber mensagens de solidariedade dos jornalistas e, depois disso, respondeu de forma bastante aberta sobre o momento vivido pelo clube e as escolhas táticas da equipe.
Na avaliação do treinador, o empate teve gosto amargo pelo desempenho apresentado. Pezzolano afirmou que o Internacional fez uma partida competitiva e acredita que poderia até ter saído com a vitória. O treinador destacou que o plano de jogo funcionou praticamente durante toda a partida e que o gol sofrido acabou surgindo mais por erros individuais do que por superioridade do Flamengo.
O técnico também detalhou como armou a equipe no Beira-Rio. Segundo ele, o Inter atuou com uma linha de cinco defensores quando estava sem a bola. Vitinho recuava para formar a linha ao lado de Bruno Gomes, Mercado, Maripán e Mateus Bahia, enquanto Villagra, Bruno Henrique e Bernabei protegiam o meio-campo. Já Alan Patrick e Carbonero tinham uma função diferente da habitual: em vez de atuar como pontas, fechavam os espaços sobre os volantes do Flamengo para dificultar a construção das jogadas.
A principal revelação da entrevista veio quando Pezzolano admitiu que, hoje, o Internacional rende melhor atuando em bloco baixo, com as linhas próximas e apostando nos contra-ataques. Na visão do treinador, essa é a maneira em que a equipe consegue competir em alto nível contra adversários tecnicamente superiores. No entanto, ele também explicou por que esse modelo não pode ser repetido em todos os jogos.
Segundo Pezzolano, equipes que enfrentam um Inter muito recuado acabam encontrando liberdade para cruzar bolas na área durante os 90 minutos. Em algum momento, essa pressão tende a resultar em gol. Por isso, dependendo do adversário, o time precisa adiantar suas linhas, pressionar mais alto e impedir que o rival tenha liberdade para atacar. Ou seja, a estratégia utilizada diante do Flamengo não é uma receita que possa ser aplicada automaticamente em todas as partidas.
Essa explicação reforça uma percepção que já vinha sendo debatida sobre o trabalho do treinador. Pezzolano sempre construiu sua carreira comandando equipes ofensivas, de marcação alta e pressão constante, mas encontrou um elenco que não possui exatamente essas características. Ainda assim, ao invés de insistir em seu estilo original, vem adaptando sua ideia para tentar tornar o Internacional mais competitivo.
Essa capacidade de adaptação acabou sendo um dos pontos mais destacados da coletiva. O treinador reconheceu que prefere equipes jogando mais à frente, pressionando o adversário e dominando a posse de bola, mas deixou claro que o momento do Internacional exige outro caminho. Na prática, Pezzolano vem abrindo mão da própria filosofia para tentar potencializar aquilo que considera ser o melhor para o elenco atual.
Outro jogador bastante elogiado foi Carbonero. O treinador revelou que o atacante evoluiu significativamente nos índices físicos e principalmente na intensidade sem a bola. Segundo Pesolano, a participação defensiva e o comprometimento coletivo cresceram bastante nas últimas partidas, algo que vinha sendo cobrado internamente desde sua chegada ao clube.
Vitinho também recebeu destaque durante a entrevista. O treinador explicou que vê o atacante como uma alternativa importante para atuar como falso nove quando necessário. Durante a intertemporada, essa função foi bastante treinada. No entanto, Pezzolano explicou que hoje encontra dificuldades para utilizá-lo mais vezes nessa posição porque o elenco perdeu opções pelos lados do campo, principalmente após a lesão de João Victor, atleta das categorias de base que vinha sendo preparado para ocupar essa função.
Ao falar sobre reforços, o comandante colorado demonstrou compreender o cenário financeiro vivido pelo clube. Pezzolano reconheceu que o Internacional atravessa o momento econômico mais delicado de sua história recente e afirmou que sabe das dificuldades enfrentadas pela direção. Mesmo assim, disse confiar que o departamento de futebol está fazendo tudo o que é possível dentro da realidade financeira para buscar novos jogadores.
Ao mesmo tempo, fez questão de assumir parte da responsabilidade pelo momento da equipe. O treinador afirmou que seu principal compromisso é fazer o time render com o elenco disponível, sem esperar que a solução venha exclusivamente através da janela de transferências.
Pezzolano também comentou a sequência recente de resultados. Na avaliação dele, apenas a derrota para o Bragantino aconteceu por um erro claro de estratégia, responsabilidade que assumiu publicamente. Nas demais partidas, entende que o Internacional competiu, criou condições para conquistar resultados melhores e acabou sendo castigado principalmente por falhas individuais.
Os exemplos mais recentes reforçam essa leitura. Contra o Athletico-PR, os erros da defesa foram determinantes para a derrota. Já diante do Flamengo, apesar da boa atuação coletiva, a jogada do gol começou com uma perda de bola de Alan Patrick e terminou com uma falha de Matheus Bahia, que furou na tentativa de afastar o cruzamento antes da finalização de Samuel Lino.
A entrevista deixou uma mensagem clara: Pezzolano acredita ter encontrado um caminho competitivo para o Internacional, mas sabe que esse modelo precisa ser adaptado conforme o adversário. O treinador não esconde que prefere um futebol mais ofensivo, porém entende que, neste momento, o elenco rende melhor atuando de forma reativa. Agora, o desafio passa a ser manter a intensidade e a organização demonstradas diante do Flamengo também contra equipes que oferecem um tipo diferente de jogo, justamente o cenário em que o Inter mais tem sofrido ao longo da temporada.