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·17 de setembro de 2026
Picagli em 1943: as memórias de um pioneiro do Palestra Italia

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Em 18 de setembro de 1943, A Gazeta devolveu Antonio Picagli ao centro da memória esportiva. A página apresentava o antigo médio como um dos grandes nomes alviverdes e reproduzia uma entrevista originalmente publicada por Leopoldo Sant’Anna em Veteranos e Campeões. O resultado é um relato raro em primeira pessoa sobre os anos de formação do futebol paulista.
O documento, preservado no acervo histórico do Portal do Palestra, exige leitura de época: grafia, avaliações e recordações pertencem ao entrevistado e ao jornal. Justamente por isso, ele oferece algo que uma súmula não alcança — a voz de quem ajudou a construir os primeiros anos do clube.
A Gazeta, 18 de setembro de 1943, página 13: entrevista histórica com Antonio Picagli.
Ficha do documento
Publicação: A Gazeta | Data: 18 de setembro de 1943 | Página: 13 | Personagem: Antonio Picagli | Fonte reproduzida: Veteranos e Campeões, de Leopoldo Sant’Anna | Temas: formação, Palestra Italia, Seleção Brasileira e futebol sul-americano | Acervo: Portal do Palestra.
Picagli contou que começou a jogar em 1906, passou por equipes da Água Branca e ajudou a fundar o Ruggerone, do qual foi capitão e diretor esportivo. A narrativa mostra um futebol anterior à profissionalização, organizado por clubes de bairro, ligas diferentes e relações comunitárias.
No Palestra, situou sua estreia oficial no fim de 1916, em uma partida contra o Guarani. Começou no ataque e, em 1917, passou para a linha média. A temporada de 1916 e a temporada de 1917 ajudam a localizar esse deslocamento dentro dos primeiros campeonatos do Palestra.
O ex-jogador relembrou o Sul-Americano de 1917, em Montevidéu. Falou da recepção no Uruguai, da força de argentinos e uruguaios e da falta de treinamento do combinado brasileiro. Também recordou a partida contra os anfitriões, na qual o Brasil ficou com dez homens após a saída de Paula Ramos.
Ao citar nomes como Neco, Lagreca, Arnaldo, Scarone e Romano, Picagli desenhou uma geografia continental do futebol. A entrevista permite enxergar o Palestra ligado desde cedo às seleções e ao intercâmbio internacional, dimensão central na história do Palmeiras.
No encerramento, escolheu três partidas: o primeiro Palestra x Corinthians de 1917, vencido por 3 a 0; um triunfo sobre o Paulistano; e a vitória do selecionado paulista diante de um combinado uruguaio em 1918. São lembranças pessoais, registradas décadas depois, e devem ser confrontadas com fichas e periódicos. Ainda assim, revelam quais partidas um protagonista considerava definidoras de sua carreira.
A página acrescenta biografia oral aos registros de jogos. Ela também ajuda a compreender o ambiente do Parque Antarctica, as ligas paulistas e o nascimento das rivalidades. Na Enciclopédia Alviverde, Picagli pode ser apresentado como jogador, capitão de outros clubes, internacional brasileiro e testemunha privilegiada do começo do século.







































