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·28 de julho de 2026
Polémica à vista: áudios de Proença divulgados e APAF reage com veemência

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·28 de julho de 2026

Foi um dia que deu que falar ao nível da arbitragem portuguesa e não pelos melhores motivos. Tudo começou com a divulgação de excertos de áudios explosivos de Pedro Proença, atual presidente da FPF, com mais de dois anos, a deixar duras críticas à qualidade da arbitragem em Portugal. A APAF já reagiu.
Vamos por partes.
Tudo começou com a tal divulgação de três excertos de áudios de uma conversa mantida por Pedro Proença. Não é possível ouvir qualquer outro interlocutor, mas na conversa o atual dirigente refere «Seara», que se pode especular tratar-se de Fernando Seara, antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica.
Nestas conversas, agora divulgadas, Pedro Proença critica o nível dos árbitros em Portugal, fala em tom pouco elogioso sobre José Fontelas Gomes, que acabou por escolher como seu vice-presidente, e recorda ainda os muitos processos judiciais do Benfica.
«Os árbitros são fracos, são todos muito fracos. E tu consegues ter três, quatro gajos minimamente competentes... (...) o Artur [Soares Dias], o [João] Pinheiro, metes o tipo do Algarve [Nuno Almeida], e depois metes ali o [Luís] Godinho ou uma coisa qualquer assim... O resto é tudo muito fraco», pode ouvir-se num dos áudios.
«Aquilo é um produto do Pedro [Proença] que, a determinada altura, o [Tiago] Craveiro obrigou a que o gajo fingisse alguma guerra comigo. O Zé [Fontelas Gomes] é o que é. Não estejas à espera do Zé [Fontelas Gomes]... um gajo competitíssimo como eu, porque o Zé [Fontelas Gomes] tem o 12.º ano, pá, é um gajo que nasceu no bairro da lata, pensa só no futebol», ouve-se noutro, que se refere a José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem nos tempos de Fernando Gomes, que passou para a direção da FPF, como primeiro vice-presidente, com Pedro Proença.
«Queres jogar esse jogo comigo? Das 32 vezes em que fui chamado à Polícia Judiciária, 27 foram processos do Benfica. Sabes onde é que se faz a instrução dos processos? A instrução dos processos é na Liga. Queres jogar esse jogo comigo, Seara? Não brinques comigo, c******», ouve-se no terceiro, que se refere aos processos judiciais afetos ao Benfica.
De acordo com a imprensa nacional, estes áudios terão sido gravados há cerca de dois anos, numa reunião com o Benfica, onde, alegadamente, estariam presentes Rui Costa, o chefe de gabinete Nuno Costa e Fernando Seara, além de Pedro Proença e Filipe Pais, na altura seu chefe de gabinete. O então presidente da Liga Portugal estava em campanha pelos clubes para garantir apoios para concorrer à presidência da FPF.
Horas depois da divulgação destes áudios, já no decorrer desta noite de terça-feira, a APAF ( Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol) reagiu, em forma de comunicado, ao sucedido, condenando «de forma inequívoca este tipo de discurso que coloca em causa a competência, a credibilidade e a dignidade de uma classe que trabalha diariamente com enorme profissionalismo.»
«A APAF espera que o atual Presidente da Federação Portuguesa de Futebol esclareça de forma clara o contexto, o conteúdo e o motivo das declarações atrás referidas, relativas aos árbitros portugueses, proferidas quando ocupava outro importante cargo no futebol em Portugal. A defesa da honra, da credibilidade e da dignidade da arbitragem portuguesa é um dever da APAF, mas também é uma responsabilidade de todas as instituições do futebol e, principalmente, de todos os seus dirigentes», pode ler-se na nota.
«Os árbitros continuarão a desempenhar a sua missão com independência, rigor, competência e dedicação, mas exigem respeito por tudo aquilo que têm feito em beneficio do prestígio do futebol português», finaliza o comunicado.
Recorde-se que toda esta polémica surge cerca de um mês depois de Duarte Gomes, antigo árbitro, ter anunciado a demissão do cargo de diretor técnico nacional da arbitragem da FPF. O antigo árbitro estava no exercício de funções desde julho de 2025.
Toda esta polémica vai ganhando cada vez mais contornos. Pouco depois da divulgação dos referidos áudios, Marco Ferreira, antigo árbitro português, partilhou uma intensa mensagem na sua conta pessoal do Facebook. Nela, refere-se à «queda dos Moicanos» e de uma «organização secreta liderada pelo atual presidente da FPF» para «promover o ego do líder.»
«Iniciou-se a queda dos últimos Moicanos... Uma organização secreta liderada pelo atual presidente da FPF, na altura Árbitro, onde era tudo discutido e decidido com a APAF. Greves, boicotar cursos de arbitragem, profissionalismo à medida do chefe, tabelas de prémios, etc...», começou por escrever o antigo árbitro, de 49 anos.
«Grupo era constituído só por Árbitros Internacionais, onde tive a infelicidade de participar alguma vezes, o suficiente para não aceitar fazer parte de seitas para promover o ego do líder e dos seus eternos seguidores. Justiça seja feita, alguns internacionais na altura recusaram fazer parte de uma organização cujo objetivo nunca foi defender a arbitragem nem o futebol português», acrescentou.
Marco Ferreira refere mesmo que esses «seguidores» foram premiados com lugares na FPF: «Os eternos seguidores tiveram a sua recompensa com cargos na FPF. Desde diretor técnico da arbitragem, assessores de arbitragem e Conselho de Arbitragem. Aqueles que se opunham aos arranjinhos e bateram com a porta dos Moicanos, simplesmente foram afastados da arbitragem e da FPF. Tic Tac Tic Tac. Está na hora de acabar com esta palhaçada toda. Investiguem.»







































