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·18 de setembro de 2026

Por baixo dos panos, acordo e marmelada marcam acerto de contrato e absolvição de Presidentes

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Por baixo dos panos, acordo e marmelada marcam acerto de contrato e absolvição de Presidentes

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O presidente do São Paulo, Harry Massis Júnior, e o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior, chegaram a um acordo político para destravar a votação do contrato com a Ticketmaster.

A proposta será analisada pelo Conselho Deliberativo em 29 de setembro, às 18h30. A aprovação é necessária para que o acordo com a empresa avance.

O entendimento acontece em meio à reaproximação entre os dois dirigentes. Nesta sexta-feira, Massis desistiu da representação apresentada contra Olten na Comissão de Ética e solicitou o arquivamento do procedimento.

Massis retira representação

A representação apresentada por Massis estava relacionada à suspeita de falsidade ideológica envolvendo Olten Ayres e o processo de reforma estatutária do clube.

O presidente do São Paulo protocolou um requerimento no qual declara sua desistência da denúncia e pede o arquivamento do caso sem prosseguimento.

A medida ocorre poucos dias depois de o Ministério Público arquivar definitivamente a investigação criminal relacionada ao episódio.

A retirada da representação representa uma mudança significativa na relação entre Massis e Olten. Até recentemente, os dois dirigentes estavam em lados opostos da disputa política do clube, com acusações e processos internos.

Votação da Ticketmaster

O contrato com a Ticketmaster prevê a substituição da Total Acesso como responsável pela operação de ingressos do São Paulo.

O acordo também envolve o programa de sócio-torcedor e a antecipação de receitas futuras. A diretoria trata o contrato como uma das principais alternativas para reforçar o caixa e regularizar compromissos financeiros.

A votação no Conselho Deliberativo estava pendente, mas foi agendada após o acordo entre Massis e Olten.

O contrato já havia sido aprovado pelo Conselho de Administração, mas ainda precisava da aprovação do Conselho Deliberativo para entrar em vigor.

Dinheiro antecipado ao clube

A proposta prevê uma antecipação de aproximadamente R$ 140 milhões ao São Paulo.

O pacote inclui um empréstimo de R$ 110 milhões, que seria pago pelo clube em cinco anos, com correção pelo CDI mais 1,99% ao ano. Também estão previstos R$ 30 milhões ligados a acordos comerciais, além de investimentos em infraestrutura.ticketnews+1

A antecipação é vista pela diretoria como uma fonte emergencial de liquidez. O dinheiro poderia ser usado para quitar atrasos com jogadores, funcionários e fornecedores.

O contrato também prevê a administração da bilheteria do MorumBIS e do programa de sócio-torcedor pela Ticketmaster.

Contrato enfrenta questionamentos

Apesar do acordo político para levar a proposta a votação, o contrato ainda enfrenta questionamentos internos.

A NewC, empresa que também participou do processo de escolha, apresentou uma alternativa e sinalizou que poderia igualar as condições financeiras oferecidas pela Ticketmaster. A concorrente defende um modelo com recursos destinados diretamente ao pagamento de dívidas e outras obrigações do clube.

Também foram levantadas dúvidas sobre taxas de administração, prazo de amortização, garantias e impacto do acordo sobre receitas futuras.

O contrato analisado prevê taxas que podem chegar a 10% sobre ingressos digitais, 8% sobre ingressos físicos e 8% sobre o programa de sócio-torcedor.

Reaproximação política

O acordo entre Massis e Olten ocorre em um momento de forte instabilidade no São Paulo.

Olten enfrenta representações na Comissão de Ética e chegou a destituir integrantes do órgão que analisavam denúncias contra ele. Os afastamentos provocaram novas acusações de interferência e ampliaram a crise institucional.

Massis, por sua vez, tenta fortalecer sua posição política em meio a dificuldades financeiras, perda de confiança do elenco e pressão pela condução do futebol.

A retirada da representação contra Olten pode reduzir o conflito entre os dois grupos e facilitar a aprovação de medidas administrativas consideradas importantes para o clube.

Críticas ao “acordão”

O entendimento já é tratado nos bastidores como um “acordão” entre os dirigentes.

A aproximação pode ser interpretada como uma tentativa de priorizar a aprovação do contrato com a Ticketmaster em detrimento das disputas internas. Também pode provocar reação de conselheiros que defendem a continuidade das investigações contra Olten.

A Comissão de Ética ainda analisa outras representações contra o presidente do Conselho. A desistência de Massis encerra apenas o procedimento relacionado ao seu pedido.

Próximos passos

O Conselho Deliberativo analisará o contrato no dia 29 de setembro. Até lá, os conselheiros deverão receber detalhes sobre as condições financeiras, as garantias e o impacto do acordo para o São Paulo.

Caso seja aprovado, o contrato poderá liberar recursos antecipados ao clube e iniciar a transição da operação de ingressos.

A votação será acompanhada de perto pelos grupos políticos do São Paulo, principalmente por causa do momento financeiro delicado e da possibilidade de o dinheiro ser utilizado para quitar salários e direitos de imagem atrasados.

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