AVANTE MEU TRICOLOR
·10 de agosto de 2026
Por nota, Caboclo oficializa o que já se sabia: vai ser o candidato de Olten às eleições do São Paulo

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·10 de agosto de 2026

Depois de ter seu nome lançado de maneira extraoficialmente pelo presidente do Conselho Deliberativo Olten Ayres de Abreu, o ex-mandatário da CBF Rogério Caboclo oficializou sua corrida à sucessão de Harry Massis no São Paulo na manhã desta segunda-feira (10), nas eleições que irão ocorrer no final do ano.
Por meio de nota, Caboclo diz que “a construção de sua candidatura terá como principais fundamentos a experiência acumulada como dirigente e os resultados obtidos nos diferentes cargos que ocupou no futebol”.
O texto fala nas pretensões de “disputar internamente a indicação da oposição, que avalia ter condições de chegar fortalecida à eleição diante do atual cenário de crise reputacional, financeira e esportiva do clube”.
Importante ressaltar que na verdade a oposição a que se refere Caboclo trata-se apenas de um pleonasmo, visto que a verdadeira oposição são-paulina, chamada popularmente de ‘oposição raiz’ deve oficializar até o final desta semana o nome de Marcelinho Portugal Gouvêa como seu candidato (leia mais abaixo).
“Caboclo tem intensificado as conversas com conselheiras e conselheiros. A estratégia é utilizar experiência administrativa, conhecimento das estruturas do futebol e resultados de gestão como elementos de diferenciação na disputa interna”, aponta o texto.
O candidato revela que seu projeto para o clube está organizado em cinco frentes: governança, finanças, futebol profissional, categorias de base e clube social.
Entre as propostas estão o fortalecimento das estruturas de compliance e gestão de riscos, a reorganização do perfil da dívida, a utilização de tecnologia e inteligência de mercado na formação e contratação de atletas e a adoção de maior responsabilidade financeira na condução do futebol. A plataforma de gestão será oportunamente divulgada.
Advogado e administrador de empresas, Caboclo é sócio do São Paulo desde 1990 e conselheiro vitalício desde 1998. Foi diretor-adjunto de Marketing e diretor financeiro do clube entre 2000 e 2002.
Segundo a nota, quando assumiu a diretoria financeira, o São Paulo apresentava um déficit relevante, sem apresentar dados. “Após dois anos de medidas de controle financeiro, redução de despesas e renegociação de dívidas, Caboclo deixou o cargo com o clube registrando saldo em caixa”, aponta.
“Sua trajetória de mais de duas décadas de atuação no futebol também inclui a vice-presidência da Federação Paulista de Futebol e diferentes funções na Confederação Brasileira de Futebol, onde foi CEO e presidente. Caboclo foi diretor de Relações Institucionais do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo de 2018, na Rússia, e integrou os comitês executivos da Fifa e da Conmebol”, acrescenta o texto.
A nota aponta números de sua passagem como presidente da CBF. Segundo o texto, entre 2010 e 2019, a receita total da entidade passou de R$ 263 milhões para R$ 957 milhões, com R$ 190 milhões de superávit, enquanto os ativos cresceram de R$ 229 milhões para R$ 1,248 bilhão. Os investimentos diretos no futebol alcançaram R$ 540 milhões.
“Entre as realizações no período da CBF também estão a implantação da Central Única do VAR e os investimentos na qualificação e remuneração da arbitragem, além da criação da CBF Social, School e Academy, voltada à formação e à capacitação de profissionais do futebol no Brasil. Na área de Branding, foi realizada a reengenharia da marca da entidade com a alteração do escudo da seleção”, diz.
Como não poderia deixar de ser, a nota também aponta o fato realmente marcante da passagem de Caboclo pela entidade máxima do futebol, que culminou em sua queda.
O nome de Caboclo não foi bem recebido nas redes sociais, por conta justamente das denúncias de quando presidia a CBF. Na época, áudios de uma conversa imprópria com ela foram divulgados pela ‘TV Globo’. O dirigente classificou suas falas como “brincadeiras inadequadas”. Ele sempre negou as acusações e foi absolvido na Justiça no início de 2024.
“As acusações apresentadas contra Rogério Caboclo durante sua passagem pela CBF foram examinadas pela Justiça e não resultaram em condenação criminal”, diz o texto.
“Em um dos casos, o Ministério Público propôs uma transação penal, posteriormente homologada pela Justiça, que não implicou reconhecimento de culpa e estabeleceu a destinação de R$ 100 mil a duas organizações não governamentais — uma dedicada ao combate à violência contra a mulher e outra ao cuidado de animais abandonados. Nenhum valor foi pago à denunciante. Os demais procedimentos foram arquivados ou encerrados pela Justiça. De acordo com as certidões judiciais expedidas, Caboclo não responde a nenhum processo criminal”, completa.
Conforme o AVANTE MEU TRICOLOR revelou em maio, a coalizão formada pelos principais grupos políticos oposicionistas a Harry Massis no São Paulo se reuniu na ocasião e chegou a algumas conclusões.
Depois de se considerarem traídos por Vinícius Pinotti por sua atitude de anunciar no último final de semana o nome de Rogério Caboclo como pré-candidato às eleições do final do ano, o que não pegou nada bem nem internamente nem externamente, o grupo decidiu afastar o ex-diretor de futebol das tomadas de decisões.
Ele mesmo um antigo aspirante à presidência, Pinotti agora ficará restrito às opiniões e financiamentos da campanha. O ex-dirigente teria reconhecido que pisou na bola, já que o próprio Caboclo, ex-presidente da CBF, não teria interesse em concorrer ao pleito de dezembro, conforme apurou o AVANTE MEU TRICOLOR.
Uma comissão criada com representantes de todas as chapas oposicionistas foi criada. Será esse grupo o responsável pela comunicação, digamos assim, das decisões tomadas. E o primeiro serviço foi feito: a divulgação do novo postulante nas eleições para presidente.
Marcelinho Portugal Gouvêa é filho do histórico presidente entre 2002 e 2006 e mandatário nos tri da Libertadores e Mundial de Clubes.
Nome bem visto pela torcida e com certa penetração em grupos de conselheiros independentes, principalmente com os cardeais, orbita a oposição desde 2013, quando rompeu com Juvenal Juvêncio, antigo aliado do pai. Usualmente aparece dando entrevistas sobre a situação política e financeira do clube.
O nome de Marcelinho, indicado pela chamada ‘oposição raiz’, formada por quem está contra a gestão desde Julio Casares, ainda depende de aprovações de alguns aliados recentes, entre eles correligionários de Olten Ayres de Abreu, presidente afastado do Conselho Deliberativo.
Antes, o empresário Dáurio Speranzini era tratado como a principal opção para liderar o bloco. No entanto, a viabilidade de seu nome perdeu força diante da crescente resistência entre sócios e conselheiros.
Integrantes do grupo admitem que embora Speranzini seja considerado preparado para a função, o desgaste político em torno da revelação do envolvimento de seu nome na Operação Lava-Jato, em 2018, quando chegou a ser preso, inviabilizou a construção de uma candidatura competitiva. Críticas recorrentes ao empresário nos bastidores do clube passaram a influenciar diretamente o colégio eleitoral. Uma decisão tomada no início do ano passado pelo Supremo Tribunal Federal, no entanto, o absolveu, por falta de provas.
Paralelamente ao movimento de Olten, a coordenação do grupo político Salve o Tricolor Paulista, formado por nomes da chamada ‘oposição raiz’ à gestão Massis, emitiu comunicado para se distanciar da eventual candidatura de Rogério Caboclo:
Desautorização de vídeos: O grupo afirmou que conteúdos que ligam a ala de oposição a Caboclo não possuem o respaldo de seus coordenadores.
Candidatura própria: A ala reiterou a intenção de lançar o conselheiro vitalício Marcelinho Portugal Gouvêa como o nome ideal para disputar a presidência do Tricolor no pleito de 2026.







































