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·05 de agosto de 2026

Por que o Palmeiras é chamado de Porco? A história do apelido que virou orgulho

Imagem do artigo:Por que o Palmeiras é chamado de Porco? A história do apelido que virou orgulho

O Palmeiras é chamado de Porco por causa de uma frase dita nos bastidores do futebol paulista em 1969. Depois que o clube foi o único a votar contra um pedido do Corinthians para inscrever dois jogadores fora do prazo, o então presidente corintiano Wadih Helu classificou a atitude alviverde como “espírito de porco”. A expressão vazou, virou provocação de arquibancada e perseguiu o clube por quase duas décadas.

O que ninguém previu foi o desfecho. Em 29 de outubro de 1986, no Pacaembu, a torcida palmeirense assumiu o apelido em coro pela primeira vez — e o transformou no maior caso de ressignificação simbólica do futebol brasileiro. Trinta anos depois, em 2016, o Porco virou mascote oficial do clube, batizado de Gobbato, em homenagem ao diretor que teve a ideia de virar o insulto do avesso.


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Origem do apelido

1969A frase “espírito de porco”, atribuída ao presidente do Corinthians.

A virada

198629 de outubro, no Pacaembu: a torcida assume o apelido em coro.

Oficialização

2016O Porco vira mascote oficial, com o nome de Gobbato.

Anos de xingamento

17Tempo entre a origem da ofensa e a adoção pela torcida.

Neste guia da Enciclopédia do Portal do Palestra você entende de onde vem o apelido Porco, por que ele carregava também um componente xenofóbico, como a torcida o transformou em símbolo de orgulho e por que o Palmeiras é hoje o único clube grande do Brasil com dois mascotes oficiais.

A origem: o “espírito de porco” de 1969

Em 1969, um acidente de carro vitimou dois jogadores do Corinthians. A diretoria corintiana pediu à Federação Paulista autorização para inscrever dois substitutos fora do prazo regulamentar. O pedido teve apoio de todos os clubes envolvidos — com uma única exceção: o Palmeiras.

A reação veio nos bastidores. Wadih Helu, presidente do Corinthians, definiu a postura alviverde como “espírito de porco”. A expressão, que na linguagem corrente significa má vontade deliberada, escapou do ambiente dirigente e caiu na arquibancada — onde perdeu a primeira metade e ficou só com a segunda.

Dali em diante, “porco” virou o xingamento padrão das torcidas rivais contra o Palmeiras. Houve episódios de porcos soltos em gramados antes de clássicos, incluindo um caso no Morumbi às vésperas de um Dérbi Paulista. O apelido colou por quase vinte anos como ofensa pura.

A camada xenofóbica do apelido

Há uma dimensão do xingamento que costuma ser esquecida: a alcunha também carregava um tom xenofóbico. Ela remetia à origem italiana do clube, fundado em 1914 como Società Sportiva Palestra Italia por imigrantes italianos de São Paulo, e era usada para associar essa origem ao fascismo do período da Segunda Guerra Mundial.

Não é detalhe menor. O Palmeiras já havia sido obrigado a mudar de nome em 1942, por imposição do governo brasileiro a instituições ligadas aos países do Eixo — episódio que está contado em Do Palestra Italia ao Palmeiras e na Arrancada Heroica de 1942. O apelido de 1969 reativava, décadas depois, uma ferida que o clube já conhecia.

Entender essa camada é entender por que a inversão de sentido feita pela torcida em 1986 foi tão poderosa. Não se tratava apenas de aceitar um apelido feio: era desarmar uma provocação que mirava a própria identidade fundadora do clube.

A virada: Gobbato, 1983, e a ideia de assumir o insulto

No início dos anos 1980, a diretoria alviverde percebeu que negar o apelido não estava funcionando. Em 1983, o diretor de marketing do clube, João Roberto Gobbato, propôs o caminho oposto: em vez de rejeitar, adotar. Transformar o insulto em marca.

A ideia enfrentou resistência entre conselheiros mais conservadores, mas encontrou terreno fértil onde importava — nas torcidas organizadas, que viram ali uma chance de modernizar a identidade do clube e desarmar o preconceito. Torcidas passaram a vender porquinhos de porcelana. A aceitação cresceu entre os mais jovens. A ideia levou três anos para amadurecer.

1969

A frase que criou o apelido

O Palmeiras é o único clube a votar contra a inscrição de dois substitutos do Corinthians fora do prazo. Wadih Helu chama a atitude de “espírito de porco”. A expressão vira xingamento de arquibancada.

Anos 1970

Quase duas décadas de provocação

O apelido se consolida como ofensa das torcidas rivais, com episódios de porcos soltos em gramados antes de clássicos e um subtexto xenofóbico ligado à origem italiana do clube.

1983

A proposta de João Roberto Gobbato

O diretor de marketing do Palmeiras propõe assumir o apelido em vez de negá-lo. A ideia divide o Conselho, mas ganha adesão imediata das torcidas organizadas.

29 de outubro de 1986

“E dá-lhe Porco” ecoa no Pacaembu

Em jogo contra o Santos pelo Campeonato Brasileiro, a torcida alviverde canta o refrão pela primeira vez de forma organizada. O Palmeiras vence por 1 a 0, com gol de Mirandinha. É a data de nascimento do novo mascote.

Novembro de 1986

A capa da Placar com Jorginho Putinatti

A revista Placar estampa o meia Jorginho Putinatti segurando um porco no colo. A imagem legitima a adoção do apelido diante de todo o país e sela a inversão de sentido.

2016

O Porco vira mascote oficial

Trinta anos depois do Pacaembu, o clube oficializa o Porco como segundo mascote em cerimônia no Allianz Parque. Ele ganha o nome de Gobbato, em homenagem ao diretor que teve a ideia em 1983.

29 de outubro de 1986: o dia em que o Porco virou orgulho

A data é precisa e é celebrada pelo clube até hoje. No Pacaembu, em partida contra o Santos pelo Campeonato Brasileiro, a torcida palmeirense entoou pela primeira vez, de forma organizada, o canto “E dá-lhe Porco… E dá-lhe Porco… olê… olê… olê!”. O Palmeiras venceu por 1 a 0, com gol de Mirandinha.

Semanas depois veio o selo definitivo. A revista Placar, então a publicação esportiva mais influente do país, colocou na capa de sua edição de novembro de 1986 o meia Jorginho Putinatti, ídolo daquela geração, segurando um porco no colo. A foto correu o Brasil e encerrou qualquer dúvida: o Palmeiras não estava mais se defendendo do apelido — estava ostentando.

Leitura do Portal do Palestra: o caso do Porco é o exemplo mais bem-sucedido de ressignificação simbólica do futebol brasileiro. Um insulto criado por um dirigente rival em 1969, com camada xenofóbica embutida, foi adotado pela própria torcida em 1986 e oficializado pelo clube em 2016. Nenhum outro apelido pejorativo do futebol nacional percorreu esse caminho completo — de ofensa a mascote registrado.

Gobbato e Periquito: os dois mascotes do Palmeiras

A oficialização do Porco em 2016 não aposentou o mascote original. O Periquito, ave verde associada ao clube desde as primeiras décadas do século XX e ligada aos bosques do entorno do antigo Parque Antarctica, segue como o mascote clássico do Palmeiras.

Os dois convivem com papéis distintos: o Periquito ocupa o campo da tradição, das ações com crianças e da memória afetiva do Palestra Italia; o Gobbato traduz a garra, a provocação bem-humorada e a temperatura da arquibancada em dia de clássico. A história completa das duas figuras está na página dos mascotes do Palmeiras.

Os outros apelidos do Palmeiras

Porco é o apelido mais conhecido, mas não é o único. O clube também é chamado de Verdão, referência direta à cor do uniforme e o mais usado na imprensa esportiva; de Alviverde, pela combinação de branco e verde que define os uniformes do Palmeiras; e de Palestra, herança direta do nome de fundação, que sobrevive na cultura da torcida, no hino e no vocabulário do dia a dia palmeirense.

A convivência dessas quatro palavras — Palmeiras, Palestra, Verdão e Porco — resume bem a identidade do clube: origem italiana, cor como marca, e um insulto virado bandeira.

Continue pela Enciclopédia Alviverde

Para seguir na identidade do clube, o portal reúne a evolução dos símbolos e escudos do Palmeiras, a história do hino do Palmeiras, a história das torcidas organizadas e a memória do Estádio Palestra Italia. A trajetória do clube desde 1914 está na história completa do Palmeiras.

Perguntas frequentes sobre o apelido Porco

Por que o Palmeiras é chamado de Porco?

O apelido nasceu em 1969, quando o Palmeiras foi o único clube a votar contra um pedido do Corinthians para inscrever dois jogadores fora do prazo. O presidente corintiano Wadih Helu classificou a atitude como “espírito de porco”, e a expressão virou provocação das torcidas rivais.

Quando o Palmeiras assumiu o apelido de Porco?

Em 29 de outubro de 1986, durante jogo contra o Santos no Pacaembu, quando a torcida cantou pela primeira vez de forma organizada o refrão “E dá-lhe Porco”. O Palmeiras venceu por 1 a 0, com gol de Mirandinha.

Quem teve a ideia de transformar o apelido Porco em símbolo?

João Roberto Gobbato, diretor de marketing do Palmeiras, propôs em 1983 que o clube adotasse o apelido em vez de rejeitá-lo. O mascote oficial leva seu nome em homenagem.

Qual é o nome do mascote Porco do Palmeiras?

O mascote se chama Gobbato, em homenagem a João Roberto Gobbato. Ele foi oficializado pelo clube em 2016, em cerimônia no Allianz Parque.

O Palmeiras tem quantos mascotes?

Dois mascotes oficiais: o Periquito, o mais antigo, ligado à tradição e à origem do clube, e o Porco Gobbato, oficializado em 2016.

O apelido Porco era xenofóbico?

Sim, em parte. Além do sentido pejorativo original, o xingamento também era usado para associar a origem italiana do clube, fundado em 1914 como Palestra Italia, ao fascismo do período da Segunda Guerra Mundial.

Que outros apelidos o Palmeiras tem?

O clube também é chamado de Verdão, Alviverde e Palestra — este último uma herança direta do nome de fundação, Società Sportiva Palestra Italia.

Qual revista publicou a capa histórica do Porco?

A revista Placar, em sua edição de novembro de 1986, estampou o meia Jorginho Putinatti segurando um porco no colo — imagem que legitimou a adoção do apelido em todo o país.

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