Portal do Palestra
·02 de agosto de 2026
Por que o primeiro tempo contra o Fortaleza me convenceu mais do que o 3 a 0

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Vi o Palmeiras dominar o Fortaleza por 45 minutos sem marcar e, confesso, fiquei esperando o roteiro de sempre: a pressa, o passe encurtado, a bola perdida no meio e o contra-ataque no coração da defesa. Não veio. É por isso que o 3 a 0 no Nubank Parque, pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil, me interessa menos do que o empate sem gols que veio antes dele.
O primeiro tempo tinha tudo para irritar. Andreas Pereira bateu uma falta que morreria no ângulo se João Ricardo não estivesse no caminho. Ramón Sosa parou no goleiro mais de uma vez. Jhon Arias teve a dele logo aos 10 minutos. Nada entrou.
Time imaturo, nessa situação, começa a chutar de qualquer lugar e abre espaço atrás. O Palmeiras fez o contrário. Manteve os três zagueiros, seguiu saindo pelas pontas com Arias de um lado e Allan do outro, e aceitou que o gol sairia quando tivesse de sair. Levou sustos com Vitinho e Paulo Baya, porque o Fortaleza não veio para se esconder, e foi para o intervalo empatando sem dar um sinal de nervosismo.
Paciência não rende post de torcedor, mas é o que separa time bom de time que ganha mata-mata.
O segundo tempo mal tinha começado e o jogo já era outro. Aos 2 minutos, Arias desarmou Maílton na saída de bola e serviu Sosa, que achou Maurício para abrir o placar. Aos 18, Allan cruzou da direita e Arias ampliou de cabeça. Aos 39, Flaco López completou um rebote, com o VAR confirmando.
Não foi sorte. Foi o adversário cedendo depois de 45 minutos segurando pressão, que é exatamente o que costuma acontecer quando o time de cima não se afobou antes.
O terceiro gol é o que mais diz sobre este elenco. Flaco López entrou no lugar de Maurício e marcou. Antes dele já tinham entrado Vitor Roque e Felipe Anderson. Arthur, que participou do lance do gol, também saiu do banco.
Um time que perde o capitão Gustavo Gómez para uma lesão, tem Bruno Fuchs se recuperando de cirurgia e mesmo assim troca peças sem perder o controle da partida não está improvisando. Está escolhendo. Emiliano Martínez entrou na vaga do capitão e o setor não desabou.
Três gols de vantagem construídos em casa é o tipo de placar que quase nunca escapa, e o Palmeiras ainda terá o jogo de volta das oitavas para administrar. O risco, em confronto assim, costuma ser o próprio time achar que já passou.
Pelo que vi no primeiro tempo, esse não parece ser o problema deste grupo. Um time que aguentou 45 minutos sem gol contra um adversário organizado, sem se descontrolar, dificilmente entra relaxado em um jogo que ainda vale classificação.
O 3 a 0 resolve o confronto, mas o dado relevante da noite foi o time sustentar 45 minutos de domínio sem gol sem se afobar. É esse controle, somado a um banco que decide partidas, que sustenta a candidatura do Palmeiras na Copa do Brasil.


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