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·21 de agosto de 2026
Portal denuncia descumprimento de contrato de empresa de shows com o São Paulo

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O acordo entre o São Paulo e a Live Nation para modernizar a estrutura do Morumbis ainda não produziu uma das principais melhorias previstas no contrato. Mais de um ano depois da assinatura, as obras dos túneis permanentes que deveriam facilitar a montagem e a desmontagem dos shows ainda não começaram.
O projeto foi incluído no acordo firmado em junho de 2025 e tinha como objetivo reduzir o impacto dos grandes eventos no calendário do futebol. A ideia era criar uma estrutura permanente de acesso ao gramado, evitando a necessidade de retirar e recolocar as cadeiras a cada apresentação.
Apesar de a reforma ainda não ter saído do papel, o Morumbis já recebeu 14 shows desde a assinatura do contrato, enquanto o São Paulo precisou disputar oito partidas longe de seu estádio por causa da realização de eventos.
Atualmente, para receber grandes apresentações, o clube precisa remover as cadeiras de determinados setores do estádio e instalar estruturas temporárias para permitir o acesso do público ao gramado.
O acordo com a Live Nation prevê a construção de túneis permanentes ligando a área de circulação ao gramado. Com isso, a expectativa era tornar o processo mais rápido e reduzir o período em que o estádio fica indisponível para partidas.
Quando o contrato foi anunciado, o São Paulo destacou justamente a possibilidade de otimizar o fluxo de torcedores e diminuir o tempo necessário para a preparação do estádio.
A promessa ganha importância diante da quantidade de shows realizados no Morumbis e do impacto que eles já tiveram no calendário do Tricolor.
Procurada, a Live Nation afirmou que o projeto não foi abandonado e que atualmente está na etapa de elaboração do projeto básico.
Segundo a empresa, a expectativa é que a nova estrutura permita uma redução de aproximadamente 40% no tempo necessário para a montagem das estruturas de acesso ao campo.
“Com a conclusão das obras dos túneis, estimamos uma redução de cerca de 40% no tempo necessário para a montagem das estruturas de acesso ao campo.”
Outro ponto anunciado pelo São Paulo no momento da renovação do contrato dizia respeito à posição dos palcos.
O clube havia informado que, a partir do show do Imagine Dragons, os palcos seriam montados atrás dos gols, permitindo que partidas e apresentações pudessem coexistir sem interferência nas áreas de assentos.
Na prática, porém, isso não se consolidou.
De acordo com a explicação da Live Nation, a montagem do palco sobre os túneis utilizados pelos jogadores exige reforços estruturais específicos. Além disso, manter parte da estrutura montada poderia prejudicar a visibilidade de setores das arquibancadas e criar dificuldades relacionadas à segurança e à operação do estádio.
Por isso, atualmente a empresa considera mais eficiente realizar a montagem e desmontagem completas a cada evento.
Apesar do atraso, fontes da cúpula do São Paulo afirmam que o clube está protegido contratualmente.
O acordo não estabelece um prazo específico para o início ou para a conclusão das obras. Dessa forma, segundo as informações divulgadas, a reforma pode ser executada em qualquer momento da temporada e não impede a utilização do estádio para partidas.
O contrato também prevê cláusulas de rescisão e contrapartidas financeiras para os casos de descumprimento das obrigações previstas.
Portanto, embora as obras ainda não tenham começado, a situação não significa necessariamente que o São Paulo esteja sem mecanismos contratuais para cobrar a empresa.
O impacto dos shows, entretanto, continua concreto para o futebol.
As próximas apresentações estão previstas para os dias 28, 30 e 31 de outubro, com shows do BTS. A programação fará com que o São Paulo precise novamente procurar outro estádio para mandar uma partida importante: o clássico contra o Corinthians será disputado longe do Morumbis.
O episódio reforça a importância de uma solução estrutural que reduza o tempo de montagem e desmontagem das grandes produções.
Até o momento, o contrato prevê 36 shows em um período máximo de seis anos. Com os eventos do BTS, o Morumbis chegará a 17 apresentações desde a assinatura do vínculo, aproximando-se da metade do total previsto.
Caso os 36 shows sejam realizados antes do prazo máximo de seis anos, São Paulo e Live Nation precisarão renegociar o acordo. Sem consenso, o contrato poderá ser encerrado.
O cenário coloca o São Paulo diante de uma equação complexa.
Os eventos no Morumbis representam uma importante fonte de receitas para o clube. Ao mesmo tempo, a realização de grandes shows exige alterações na operação do estádio e pode obrigar o time a atuar longe de sua torcida.
O próprio histórico recente mostra esse impacto: 14 shows já foram realizados desde o novo acordo e oito partidas do São Paulo precisaram ser transferidas.
A construção dos túneis permanentes, portanto, não é apenas uma obra de infraestrutura. Trata-se de uma tentativa de conciliar a exploração comercial do Morumbis com a utilização esportiva do estádio, reduzindo o conflito entre os dois calendários.
Enquanto a reforma não começa, o Tricolor segue convivendo com os efeitos dessa parceria.







































