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·14 de agosto de 2026

Portal: Shows rendem R$90 milhões a mais do que bilheteria ao São Paulo

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O levantamento do ge mostra um ponto financeiro bastante relevante para o São Paulo: a realização de shows no Morumbis compensou com ampla margem a perda de receitas de bilheteria causada pela transferência de jogos para outros estádios.

Acordo com a Live Nation já garantiu cerca de R$ 100 milhões ao São Paulo, enquanto 12 partidas disputadas fora do estádio teriam gerado aproximadamente R$ 11,4 milhões em bilheteria

O São Paulo transformou o Morumbis em uma importante fonte de receitas com grandes shows e, pelo menos sob o ponto de vista financeiro, os números indicam que a estratégia tem sido vantajosa para o clube.

Um levantamento realizado pelo ge com base nos contratos firmados entre o São Paulo e a Live Nation mostra que o Tricolor arrecadou cerca de R$ 100 milhões com apresentações no estádio desde dezembro de 2023.

No mesmo período, o clube precisou disputar 12 partidas longe do Morumbis por causa da realização de eventos. A estimativa é de que esses jogos, caso fossem realizados em casa, proporcionariam aproximadamente R$ 11,4 milhões de renda líquida.

Na comparação direta, portanto, os shows proporcionaram ao São Paulo quase R$ 90 milhões a mais do que a bilheteria que o clube estima ter deixado de arrecadar ao mandar partidas para outros estádios.

São Paulo perdeu jogos, mas ganhou muito mais com os shows

A conta considera os valores efetivamente recebidos pelo São Paulo com os eventos e compara esse montante com a receita estimada dos jogos que precisaram ser realizados longe do Morumbis.

Para calcular a possível bilheteria perdida, foi considerada a média de arrecadação do estádio em cada temporada.

Ao todo, 12 partidas deixaram de ser realizadas no Morumbis desde o início da parceria com a Live Nation.

Mesmo assim, a diferença financeira entre as duas operações é expressiva.

Enquanto a estimativa de receita dos jogos em casa chega a R$ 11,4 milhões, os eventos já proporcionaram aproximadamente R$ 100 milhões aos cofres do clube.

Gramado não representa custo adicional para o São Paulo

Um dos argumentos utilizados por torcedores contra a realização frequente de shows é o impacto no gramado do Morumbis.

Desde o início da parceria, o clube precisou realizar cinco trocas completas do piso do estádio.

Entretanto, esse custo não recaiu sobre o São Paulo.

De acordo com os termos do contrato, a Live Nation arca com aproximadamente R$ 4 milhões referentes à substituição do gramado.

Isso significa que, na análise exclusivamente financeira, a necessidade de recuperação do campo não reduz diretamente a receita obtida pelo clube com os eventos.

São Paulo deixou de receber público em 12 partidas

Existe, porém, outro impacto que não aparece diretamente na conta financeira: a presença dos torcedores.

A estimativa é de que 287.789 torcedores deixaram de comparecer ao Morumbis em razão dos 12 jogos realizados longe do estádio.

Ainda assim, o desempenho esportivo do São Paulo nessas partidas foi positivo.

O Tricolor conseguiu:

  • 6 vitórias
  • 4 empates
  • 2 derrotas
  • 22 pontos conquistados em 36 possíveis
  • 61,1% de aproveitamento

Ou seja, apesar da perda do fator casa, os resultados esportivos nos jogos deslocados não foram suficientes para indicar um prejuízo significativo dentro de campo.

Primeiro contrato com a Live Nation rendeu R$ 27,6 milhões

No primeiro acordo firmado em dezembro de 2023, o São Paulo recebia R$ 1,5 milhão fixos por show, além de 30% do lucro líquido de alimentos e bebidas e 15% do lucro líquido com merchandising.

A receita média do clube chegava a aproximadamente R$ 2,3 milhões por apresentação.

Foram 12 shows realizados nesse modelo, gerando cerca de R$ 27,6 milhões.

Nesse mesmo período, quatro partidas precisaram ser realizadas longe do Morumbis: Corinthians, Vasco, Inter de Limeira e Velo Clube.

Esses quatro jogos renderam ao São Paulo aproximadamente R$ 3,46 milhões líquidos.

Caso tivessem ocorrido no Morumbis, a estimativa é de uma receita de aproximadamente R$ 6,92 milhões.

A diferença, portanto, teria sido de cerca de R$ 3,46 milhões.

Novo contrato praticamente dobrou a receita por show

A renovação assinada com a Live Nation, em junho de 2025, aumentou consideravelmente os ganhos do São Paulo.

O aluguel passou de R$ 1,5 milhão para R$ 2,15 milhões por apresentação.

Além disso, a participação do clube na receita de alimentos e bebidas aumentou de 30% para 40%, enquanto o São Paulo passou a receber R$ 20 por ingresso vendido.

A participação de 15% no lucro líquido de merchandising foi mantida.

Com o novo modelo, a receita média por show passou para aproximadamente R$ 5 milhões.

São Paulo já recebeu R$ 72,15 milhões no novo modelo

Desde outubro de 2025, foram realizados 14 shows dentro do novo modelo de contrato.

Somados, esses eventos proporcionaram aproximadamente R$ 72,15 milhões ao São Paulo.

Desse total, cerca de:

  • R$ 32,25 milhões correspondem ao aluguel fixo;
  • R$ 17,7 milhões vieram da parcela de ingressos;
  • aproximadamente R$ 22,3 milhões são referentes às estimativas de merchandising, alimentos e bebidas.

Também houve uma data reservada para um show de Harry Styles que acabou cancelada. Nesse caso, o São Paulo recebeu apenas o valor correspondente ao aluguel.

Oito jogos tiveram de ser realizados fora do Morumbis

Desde a renovação do contrato, o São Paulo mandou oito partidas longe de sua casa: Flamengo, Bragantino, Juventude, Internacional, Chapecoense, Mirassol, Bahia e Athletico-PR.

Os jogos foram disputados na Vila Belmiro, em Bragança Paulista, no Canindé e em Campinas.

A arrecadação líquida desses oito confrontos foi de apenas R$ 1,01 milhão.

Três deles, inclusive, terminaram com prejuízo financeiro para o clube: Juventude e Internacional, disputados na Vila Belmiro, e Athletico-PR, em Bragança Paulista.

Se os oito jogos tivessem acontecido no Morumbis, a estimativa aponta para uma receita líquida de aproximadamente R$ 8,99 milhões.

A diferença chega a R$ 7,98 milhões.

Mesmo assim, esse valor ainda é muito inferior ao que o São Paulo recebeu com os shows.

BTS vai gerar receita extra ao São Paulo

O Morumbis ainda receberá três apresentações do BTS neste ano.

Os shows estão programados para os dias 28, 30 e 31 de outubro.

Nessas apresentações, o São Paulo receberá R$ 1 milhão adicional por evento.

A diretoria inicialmente resistiu à liberação do estádio por causa do calendário do futebol, mas aceitou negociar após a Live Nation insistir nas datas e oferecer uma compensação financeira adicional.

Com os três eventos, o novo contrato chegará à metade de sua previsão: 18 dos 36 shows contratados terão sido realizados.

O acordo prevê 36 apresentações em um período máximo de seis anos.

Contrato ainda pode render mais de R$ 100 milhões

O segundo contrato com a Live Nation ainda tem potencial para gerar aproximadamente R$ 105 milhões ao São Paulo.

Já existem apresentações encaminhadas para 2027, embora algumas ainda não tenham sido anunciadas oficialmente.

O acordo, portanto, continuará representando uma importante fonte de receita para o clube nos próximos anos.

Shows também podem ajudar no naming rights do Morumbis

Internamente, o São Paulo também enxerga os eventos como uma ferramenta para valorizar um eventual acordo de naming rights do estádio.

A avaliação é que uma empresa interessada não estaria associando sua marca apenas ao futebol do Tricolor, mas também à exposição proporcionada pelos grandes artistas internacionais que se apresentam no Morumbis.

Essa estratégia pode ampliar o alcance comercial do estádio e aumentar seu valor como ativo de entretenimento.

Futuro da parceria pode depender da próxima gestão

Apesar dos números positivos, existe uma questão política importante envolvendo o futuro da parceria.

Com a proximidade das eleições do São Paulo, uma eventual nova administração poderá decidir pela continuidade ou não dos shows no Morumbis.

Caso o próximo presidente opte por romper antecipadamente o contrato com a Live Nation, existe uma multa prevista de 50% do valor fixo restante.

Atualmente, essa penalidade poderia chegar a aproximadamente R$ 19,35 milhões.

Há, porém, uma particularidade financeira importante.

São Paulo recebeu parte do contrato antecipadamente

Na assinatura da renovação, em junho de 2025, o São Paulo recebeu antecipadamente 50% do valor fixo previsto no contrato.

O acordo estabelece um valor fixo de R$ 2,15 milhões por apresentação. Considerando as 36 datas, o montante fixo chega a R$ 77,4 milhões.

Metade desse valor, R$ 38,7 milhões, foi antecipada ao clube no momento da assinatura.

Por isso, embora cada novo show tenha valor fixo de R$ 2,15 milhões, apenas R$ 1,075 milhão representa entrada imediata adicional nos cofres do São Paulo, já que a outra metade foi antecipada.

Vale a pena para o São Paulo liberar o Morumbis para shows?

Pelos números apresentados, a resposta financeira é positiva.

O São Paulo abriu mão de disputar 12 partidas no Morumbis e deixou de arrecadar uma estimativa de R$ 11,4 milhões em bilheteria.

Em contrapartida, os shows já renderam aproximadamente R$ 100 milhões ao clube.

Mesmo considerando os custos e impactos indiretos, a diferença permanece extremamente favorável aos eventos.

A grande questão, portanto, deixa de ser apenas financeira e passa a envolver calendário, desempenho esportivo, logística, desgaste do gramado e relação com a torcida.

Até aqui, porém, os números mostram que a parceria com a Live Nation se tornou um dos principais negócios comerciais do São Paulo e uma importante fonte de recursos para o clube.

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