Pós-jogo teve Kannemann se culpando, Castro com Mec e Carlos Vinícius deixando dúvida gigante
O empate em 1 a 1 do Grêmio com o Fluminense deixou uma sensação curiosa na Arena. Ao mesmo tempo em que ficou o gosto de que poderia ter sido melhor, também houve um alívio por ver o time competir de outra forma depois da parada. O próprio Luís Castro deixou claro isso na entrevista pós-jogo. Para ele, foi uma das melhores atuações do Grêmio, que conseguiu atacar pelos dois lados, pelo centro e teve uma organização defensiva importante. Na visão do treinador, o resultado só não foi melhor porque Fábio fez grandes defesas e o Flu foi muito eficiente no lance do pênalti.
A partida também teve a declaração de Walter Kannemann, que assumiu a responsabilidade pelo gol sofrido e pelo ponto perdido. O zagueiro reconheceu o erro no lance do pênalti e não deu mais entrevistas depois disso, mas saiu da Arena sabendo que a falha foi dele. Dentro de campo, o Grêmio começou mais recuado, com uma linha de quatro defensores, Noriega como primeiro volante, Villasanti e Nardoni mais à frente, Tetê e Amuzu pelos lados e Carlos Vinícius no comando do ataque. Era uma equipe mais segura, menos exposta, tentando primeiro não tomar gol para depois sair com mais confiança.
Luís Castro explicou que, no primeiro tempo, o time esteve mais atrás justamente por essa ideia de ganhar segurança e não se desorganizar. Na leitura dele, o Grêmio fez uma boa transição entre defesa e ataque, mas acelerou demais alguns lances e acabou ficando com pouca gente na frente. Em vários momentos, segundo o treinador, Carlos Vinícius recebia a bola praticamente sozinho. A orientação era para que o time tivesse um pouco mais de paciência na construção, já que isso permitiria mais jogadores chegando ao ataque e, consequentemente, mais oportunidades de gol.
Mesmo com o empate em casa, o treinador gostou do desempenho. Em meio às vaias que recebeu, ele também fez questão de lembrar que o Grêmio já viveu momentos muito piores, trocando treinador várias vezes em uma mesma temporada, e destacou que o time de hoje está em uma fase melhor do que a do ano passado. Para ele, o torcedor tem direito de criticar, mas o trabalho segue e o desempenho mostrado contra o Fluminense já foi superior ao da partida anterior, contra o Mirassol.
Na coletiva, Luís Castro também reforçou sua leitura sobre Villasanti. Em vários momentos, quando foi questionado, o treinador elogiou o volante e deixou claro que vê nele um jogador importante para o que pensa para o time. O mesmo vale para Nardoni, que começa a dar sinais de que pode ser útil no futuro. Ainda não é aquele jogador de impacto imediato, mas já vai mostrando evolução e entrosamento. Marlon também foi novidade como titular e foi muito bem, enquanto Pedro Gabriel entrou na segunda etapa e participou de uma boa jogada pela esquerda.
Quem acabou roubando a cena foi Diego Caito. O lateral-direito, contratado junto ao Goiás, fez sua estreia, marcou o gol do empate e ainda mostrou personalidade na jogada. Escapou da falta, foi para cima, cruzou a bola, contou com o desvio do zagueiro do Fluminense e viu a bola encobrir Fábio antes de entrar. Teve sorte de principiante, mas também teve coragem de quem não sente a camisa. Na avaliação do jogo, o Grêmio encontrou ali uma possibilidade real de ter mais um jogador para a lateral direita, até porque a atuação de Pavón naquele setor vinha gerando dúvidas.
Outro ponto importante da noite foi a entrevista de Carlos Vinícius. A direção gremista vinha vazando a informação de que a renovação até o fim de 2028 já estaria acertada, mas a fala do atacante deixou uma pulga atrás da orelha. Carlos Vinícius admitiu que, estando na janela para assinar pré-contrato, sempre vai existir sondagem da Europa, do mundo árabe, dos Estados Unidos e de outros mercados. Ao mesmo tempo, também afirmou que sua família está feliz em Porto Alegre e que faz sentido permanecer onde está bem. Só que, ao dizer que pode ajudar o Grêmio até dezembro ou por mais anos, ele deixou a resposta mais aberta do que a direção gostaria.
Essa parte, inclusive, chama atenção porque o Grêmio tratava a renovação como algo praticamente definido. Só que o atacante falou em futuro de forma vaga, disse que não faz planos longos e deixou a impressão de que ainda existe espaço para conversa. Não significa que a permanência esteja ameaçada, mas o tom foi diferente da segurança transmitida pela direção.
Também houve explicação de Luiz Castro sobre o uso de Gabriel Mec e Braithwaite em funções diferentes. O treinador deixou claro que a característica da partida exigia outro tipo de movimentação. Braithwaite não entrou bem na função mais associativa e o Grêmio, por estar mais recuado em alguns momentos, precisava de alguém com outra dinâmica. A leitura do técnico foi de que Mec é um jogador de drible e ataque ao espaço, enquanto naquele jogo a equipe nem sempre conseguiu oferecer esse cenário.