Fala Galo
·08 de abril de 2026
Prefeito de Belo Horizonte defende mudança de postura sobre a Arena MRV: “A contrapartida é o próprio estádio”

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Foto: Pedro Souza / Atlético
Em um movimento que sinaliza uma ruptura definitiva com as políticas de gestão anteriores, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), trouxe novamente ao centro do debate público a relação entre o poder municipal e os grandes empreendedores.
Em entrevista concedida ao quadro Café com Política, do jornal O TEMPO, Damião foi enfático ao criticar o modelo de exigências impostas durante a construção da Arena MRV, estádio do Atlético, e defendeu que o investimento privado, por si só, já deveria ser considerado a principal compensação para a cidade.
UM NOVO OLHAR SOBRE O EMPREENDEDORISMO:
A polêmica das contrapartidas — medidas exigidas pela prefeitura para mitigar impactos ambientais, sociais e de tráfego — foi um dos marcos da gestão do ex-prefeito Alexandre Kalil. Para Damião, no entanto, o peso financeiro dessas exigências acabou se tornando um desestímulo ao desenvolvimento econômico de Belo Horizonte.
“O que o Atlético fez para Belo Horizonte foi o estádio. A contrapartida é o estádio. É o número de pessoas que trabalharam na construção e as que trabalham ali no dia a dia”, afirmou o prefeito.
Segundo Damião, a prefeitura não deve atuar como uma “sócia” compulsória de quem deseja investir. Ele argumenta que o excesso de cobranças — que em alguns casos chegava a valores exorbitantes — afasta o capital privado para outras capitais. “O cara fala: sabe de uma coisa? Eu vou é construir lá em Recife, fica você com a sua cidade”, exemplificou, alertando para a fuga de grandes construtoras que nasceram em BH, mas hoje preferem operar em outros estados.
O TETO DAS CONTRAPARTIDAS E A FLEXIBILIZAÇÃO:
A mudança de visão mencionada pelo prefeito não fica apenas no discurso. Damião relembrou que a legislação da capital já passou por ajustes cruciais, como a lei aprovada pela Câmara Municipal em 2024, que estabeleceu um teto de 5% do valor total do investimento para a exigência de contrapartidas.
Essa medida visa evitar cenários como o da própria Arena MRV, onde o custo das obras viárias e compensações ambientais gerou anos de embates jurídicos e políticos. Na visão do atual prefeito, o projeto do estádio só saiu do papel devido à paixão dos investidores pelo clube, pois, sob a ótica estritamente comercial da época, as exigências da prefeitura eram um convite à desistência.
IMPACTO NO PLANO DIRETOR:
Além do setor esportivo, as críticas de Damião se estendem ao Plano Diretor de Belo Horizonte. O prefeito defende que a desburocratização e a revisão de custos de outorga são essenciais para que a capital mineira volte a ser um canteiro de obras e um polo de geração de empregos.
Ao afirmar que “tem o seu próprio jeito de fazer”, Damião sinaliza ao mercado imobiliário e ao setor de serviços que sua gestão priorizará o incentivo ao investimento em detrimento da arrecadação imediata por meio de compensações. Para ele, o benefício real para o cidadão belo-horizontino não está na obra que a prefeitura “ganha” do empreendedor, mas no dinamismo econômico que um empreendimento de grande porte injeta permanentemente na cidade.









































