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·31 de agosto de 2026

Premier League inicia temporada sem bets na frente das camisas: o que muda para clubes e marcas

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A temporada 2026-2027 da Premier League começou com uma mudança que pode ser percebida antes mesmo de a bola rolar. Pela primeira vez em anos, nenhuma casa de apostas ocupa a parte frontal das camisas utilizadas pelos clubes durante as partidas.


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A medida encerra um período em que as empresas do setor chegaram a dominar o espaço mais valorizado dos uniformes ingleses. Na temporada passada, 11 dos 20 participantes da competição tinham marcas de apostas como patrocinadoras principais.

A retirada não significa, entretanto, que essas empresas desapareceram do futebol inglês. A restrição alcança apenas a frente das camisas de jogo. Mangas, uniformes de treino, placas de publicidade, conteúdos digitais e outras propriedades comerciais continuam disponíveis.

O resultado é uma transformação visual nos uniformes, mas ainda não representa uma separação completa entre futebol e apostas.

Uma decisão anunciada com três anos de antecedência

Os clubes da Premier League aprovaram a mudança voluntariamente em abril de 2023, após discussões com o governo britânico sobre os efeitos da publicidade de apostas no esporte.

Naquele momento, a liga tornou-se a primeira grande competição esportiva do Reino Unido a assumir o compromisso de retirar esse tipo de patrocínio da parte frontal das camisas. A decisão, anunciada para entrar em vigor em 2026-2027, ofereceu um período de transição para que os contratos em andamento fossem cumpridos.

Durante esse intervalo, os clubes ainda puderam renovar acordos ou assinar contratos de curta duração com empresas de apostas. A proximidade da proibição, inclusive, não impediu o crescimento do setor.

Em 2024, mesmo com a retirada já definida, as casas de apostas continuavam dominando os patrocínios máster da Premier League. Algumas equipes aproveitaram as últimas temporadas permitidas para manter receitas que dificilmente seriam encontradas em outros segmentos nas mesmas condições.

O prazo terminou ao final da temporada 2025-2026. A partir de agora, qualquer clube que dispute a Premier League precisa utilizar outro tipo de marca na frente de seu uniforme oficial de jogo.

O que realmente está proibido

A nova regra é mais limitada do que a aparência das camisas pode sugerir. Ela impede que empresas de apostas esportivas e jogos online sejam patrocinadoras frontais nos uniformes utilizados durante as partidas da Premier League.

Isso elimina a exposição mais constante e fotografada de um patrocínio esportivo. O logotipo frontal aparece durante as transmissões, entrevistas, comemorações, fotografias, vídeos e na maior parte das camisas comercializadas aos torcedores.

As empresas do setor, porém, ainda podem:

  • Ocupar as mangas dos uniformes
  • Patrocinar roupas de treinamento
  • Exibir marcas em placas de LED nos estádios
  • Manter acordos como parceiras oficiais dos clubes
  • Participar de campanhas e conteúdos digitais
  • Promover ações destinadas ao público adulto

A diferença está mais na posição e na intensidade da exposição do que na presença das marcas dentro do futebol.

Alguns clubes transferiram seus parceiros de apostas para as mangas ou para os uniformes de treino. Outros encerraram os contratos e buscaram empresas de setores diferentes para ocupar o espaço principal.

Quem ganhou espaço nas novas camisas

A saída das bets abriu uma disputa por uma das propriedades publicitárias mais valiosas do esporte mundial. Empresas de tecnologia, serviços financeiros, turismo, seguros, recrutamento, telecomunicações e transporte passaram a ocupar áreas anteriormente controladas pelas plataformas de apostas.

Esse movimento tornou as camisas da Premier League mais variadas do ponto de vista comercial. Em vez de vários clubes exibirem empresas do mesmo segmento, a temporada começou com uma combinação maior de atividades econômicas.

A transição, porém, não ocorreu com a mesma facilidade para todos. Os clubes com maior alcance internacional conseguem atrair companhias interessadas em exposição global e negociar contratos de longo prazo.

Equipes com audiências menores enfrentam uma situação diferente. As casas de apostas estavam dispostas a pagar valores elevados para alcançar torcedores em vários países, inclusive em mercados nos quais a Premier League tem grande audiência. Encontrar empresas de outros setores com o mesmo interesse e capacidade financeira tornou-se um desafio.

Alguns times chegaram ao início da temporada sem um patrocinador frontal definitivo. A camisa limpa pode agradar parte dos torcedores, mas também representa uma propriedade comercial que ainda não gerou a receita esperada.

Por que as bets pagavam tanto

As casas de apostas não procuravam apenas reconhecimento de marca. O futebol funcionava como um canal de aquisição de usuários.

A exposição na camisa criava familiaridade e podia direcionar o torcedor para a plataforma da empresa. A partir desse primeiro contato, o usuário encontrava apostas esportivas, promoções, transmissões, estatísticas e outras modalidades de jogos online.

Essa variedade aumentava o valor comercial de cada consumidor conquistado. O catálogo das plataformas não se limitava aos resultados da Premier League, pois também incluía jogos tradicionais de cassino, como o blackjack, além de diferentes produtos digitais.

Por isso, essas empresas conseguiam oferecer valores difíceis de acompanhar por marcas que buscavam somente exposição institucional. O investimento na camisa poderia ser recuperado pela atividade contínua dos usuários captados por meio do futebol.

A proibição interrompe o uso do espaço frontal, mas não elimina essa lógica comercial.

A atenção se desloca para outros canais

Sem acesso à principal área da camisa, as empresas de apostas tendem a distribuir seus investimentos entre propriedades menores e canais capazes de gerar resultados mensuráveis.

Uma marca exibida na manga pode ter menos destaque durante a transmissão, mas ainda aparece em fotografias, vídeos e produtos oficiais. Já os uniformes de treino oferecem exposição frequente em entrevistas e conteúdos publicados pelos próprios clubes.

As ativações digitais também ganham importância. Campanhas nas redes sociais, páginas exclusivas, conteúdos patrocinados e ações voltadas ao acesso de um app bet permitem acompanhar cadastros e interações com mais precisão do que a simples presença de um logotipo.

Essa mudança pode tornar as parcerias menos dependentes da visibilidade e mais vinculadas ao desempenho. Em vez de pagar apenas para aparecer, a empresa busca medir quantos usuários foram alcançados e quantos passaram a utilizar seus serviços.

Para os clubes, isso pode significar contratos com parcelas variáveis, bônus por metas e participação em receitas geradas pelas campanhas.

A camisa infantil pesou na discussão

Um dos principais argumentos favoráveis à mudança envolve a exposição das marcas a crianças e adolescentes.

As camisas são usadas fora dos estádios e continuam circulando durante vários anos. Uma criança que veste o uniforme de seu clube também acaba exibindo o patrocinador estampado na parte frontal, mesmo sem ter idade para utilizar os serviços anunciados.

Antes da proibição, algumas equipes já comercializavam versões infantis sem marcas de apostas. Jogadores menores de 18 anos também precisavam utilizar uniformes adaptados em determinadas situações.

A retirada do espaço principal cria uma regra visual mais uniforme e reduz a associação direta entre as camisas dos clubes e as plataformas de jogos. Ainda assim, as marcas podem continuar aparecendo nos estádios e nas transmissões por meio de outras propriedades.

Por isso, críticos da medida afirmam que a mudança é apenas parcial. O logotipo deixa o centro da camisa, mas permanece dentro do espetáculo.

O impacto para o design dos uniformes

Do ponto de vista visual, a nova regra pode facilitar a integração entre patrocinadores e identidade dos clubes.

Muitas casas de apostas utilizam logotipos com cores fortes, símbolos e tipografias desenvolvidas para chamar atenção rapidamente. Quando aplicadas na área central, essas marcas podem competir com o escudo, o fornecedor esportivo e os elementos tradicionais da camisa.

Os novos patrocinadores não necessariamente resolverão esse problema. Qualquer empresa pode exigir destaque e contraste para justificar o investimento realizado.

A diferença é que a mudança permite novas combinações e rompe a repetição de marcas do mesmo segmento. Para colecionadores e torcedores, a temporada 2026-2027 também se torna um marco capaz de separar duas fases visuais da Premier League.

O Brasil pode seguir o mesmo caminho?

No futebol brasileiro, as casas de apostas continuam ocupando espaços importantes nas camisas e nos contratos comerciais dos clubes. A regulamentação nacional estabeleceu regras para operação, publicidade e proteção de menores, mas não criou uma proibição semelhante à adotada pela liga inglesa.

Uma eventual restrição no Brasil teria impacto financeiro considerável. Muitos clubes dependem dos recursos das bets para custear elencos, estruturas e compromissos da temporada.

Ao mesmo tempo, a experiência inglesa mostra que um período de transição não garante substitutos imediatos. Mesmo com três anos para se preparar, parte dos clubes encontrou dificuldades para fechar acordos com valores equivalentes.

Qualquer discussão brasileira precisaria considerar proteção do público, sustentabilidade financeira dos times e capacidade de atrair empresas de outros setores.

As bets saíram do peito, não do futebol

A temporada 2026-2027 marca uma transformação importante nas camisas da Premier League. Depois de anos de expansão, as empresas de apostas perderam o espaço publicitário mais valorizado dos uniformes.

A medida reduz sua exposição direta e altera a aparência das equipes, mas está longe de encerrar a relação entre o setor e o futebol inglês.

As marcas continuam presentes em mangas, treinos, placas, campanhas e plataformas digitais. Os clubes, por sua vez, precisam encontrar novas empresas para ocupar o espaço frontal sem comprometer suas receitas.

A principal mudança pode não ser o desaparecimento das bets, mas a transferência de seus investimentos para canais menos visíveis e mais fáceis de medir. O logotipo deixou o centro da camisa, enquanto a disputa pela atenção do torcedor continua em outras partes do uniforme e, principalmente, nas telas.

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