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·12 de fevereiro de 2026

👀 Presidente diz que clube BR quer ser o 'Real Madrid das Américas'

Imagem do artigo:👀 Presidente diz que clube BR quer ser o 'Real Madrid das Américas'

Luiz Eduardo Baptista assumiu o comando do Flamengo em 2025 e, logo de cara, teve um ano perfeito, com os títulos do Brasileirão e da Libertadores, além de receitas recordes.

Em entrevista ao jornal AS, o mandatário rubro-negro falou do sucesso à frente do clube da Gávea, e disparou que seu sonho é transformar o Fla num "Real Madrid das Américas".


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"Sempre sonhei grande. Sempre pensei em querer ser o Real Madrid da América. Olho o que faz o Real Madrid, o que faz o City, o que faz o Atlético de Madrid, o que faz o Bayern de Munique, o que faz o PSG. Tento entender quais foram os acertos, trabalhar adequadamente o que posso ajustar à realidade do Brasil e o que vejo como erros e como poderia fazer para não repeti-los. Por exemplo, a era dos ‘Galácticos’ de Florentino Pérez no Real Madrid foi sensacional do ponto de vista do marketing, mas do ponto de vista esportivo não foi", afirmou Bap.

Bap também exaltou a gestão do Flamengo e rechaçou se tornar uma SAF, mais uma vez, comparando com o Real Madrid.

“O Flamengo é uma ilha no Brasil. Nosso sucesso não é porque é o maior. É porque o Flamengo é melhor gerido”, afirmou. “Fla jamais será uma SAF, é como o Real Madrid”, completou Luiz Eduardo Baptista.

E aí, torcedor, o que acha das declarações do presidente rubro-negro?

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Confira a seguir um resumo da entrevista a as respostas completas de Bap ao jornal espanhol.

O sucesso e o "pé no chão"

"Foi um ano especial. Mas, no esporte, o sucesso do ano passado não garante o próximo. Estamos trabalhando para um 2026 gigante, mesmo não tendo começado o ano da melhor forma. O futebol muda rápido e é preciso equilíbrio."

Inspiração no Barcelona de Ferran Soriano

Bap revela que a revolução começou lá atrás, em 2010. "O modelo e a inspiração foram 100% o Barcelona do início dos anos 2000, por causa do livro do Ferran Soriano, 'A bola não entra por acaso'. Vi que as condições do Flamengo eram idênticas às que ele descrevia no Barça, mas com uma margem de crescimento ainda maior."

Modelo 'Disney'

Para o presidente, o Flamengo não pode depender apenas do resultado de campo:

  1. Receitas diversificadas: 60% do crescimento de 2025 veio de áreas comerciais, não de premiações.
  2. Visão sistêmica: "Gerimos o clube como se fosse a Disney. Vendemos sonhos e entretenimento. Se não tivéssemos ganhado nada ano passado, ainda assim a receita teria crescido 25%."

Fair Play Financeiro (FFP) no Brasil

BAP defende regras rígidas para a liga:

"O Flamengo gastou só 40% da sua receita com futebol no ano passado. Quando o Fair Play chegar, eu poderei dobrar meu investimento e ainda estar na regra. Tem clube gastando 80%, 100% do que arrecada; isso é irresponsabilidade."

Contratação de Lucas Paquetá

O retorno de Paquetá é o exemplo da saúde do clube: "O West Ham não pediu garantias bancárias porque nossa palavra vale ouro. Pagamos em dia jogadores, empresários e funcionários. No dia 26 de dezembro, todos os prêmios da temporada já estavam na conta de cada colaborador do clube."

Números recordes

Bap corrigiu os dados de consultorias europeias (como a Deloitte):

  • Faturamento real: Em 2025, superou os 320 milhões de euros (cerca de R$ 1,7 bilhão).
  • Venda de jogadores: O clube mantém uma média alta, arrecadando entre 50 e 90 milhões de euros anualmente.
  • Ranking mundial: "Acredito que estamos entre o 15º e o 16º clube com maior faturamento do mundo."

Gramado sintético e SAFs

  1. Gramado: É radicalmente contra o sintético. "O Maracanã é para futebol, não para show. Priorizamos o desempenho. Se eu trouxer a Shakira para o Maracanã, ganho dinheiro, mas não cumpro minha obrigação com o futebol."
  2. SAFs: "Não tenho nada contra, mas o Flamengo jamais será SAF. Somos como o Real Madrid. O que falta é regulação; não pode alguém comprar um clube, aumentar a dívida e não sofrer punição esportiva."

Vai deixar Maracanã?

"O Maracanã é meu durante 19 anos. Tenho 19 anos para esperar e ver se preciso construir um estádio ou não. Já tenho um estádio próprio por duas décadas, porque tenho a concessão do Maracanã. Não vamos deixá-lo. Imagine agora, se o novo estádio não tiver um modelo de negócio que reporte ao Flamengo muito mais dinheiro do que o Maracanã reporta hoje sem que ele invista nada, por que eu iria construí-lo? Agora, também depende do momento e das circunstâncias", disse Bap.


Entrevista completa, ao jornal As, da Espanha

Um ano perfeito para o Flamengo, com a Libertadores e o Brasileirão. Assumiu a presidência e já deixou seu nome escrito na história...

Foi um ano especial. Mas, como bem sabe, no esporte, o sucesso do ano passado não significa necessariamente que vá ter um grande ano na temporada seguinte. É preciso trabalhar muito todos os dias. Nem sempre quando se ganha tudo está bem, nem sempre quando se perde tudo está mal. É preciso ter essa humildade e esse equilíbrio para seguir em frente. E também há variáveis que mudam. O fato de ser muito bom gera uma situação no grupo. Pode ser positiva ou pode não ser tão positiva. Alguns continuam tão animados quanto antes, outros nem tanto. Alguns têm expectativas em relação aos seus círculos pessoais e profissionais, que podem estar relacionados ao clube ou não. A beleza do esporte e do futebol é esta, as coisas mudam muito rapidamente. Voltando à sua pergunta, estamos trabalhando duro para ter um grande 2026, além de que não começamos bem o ano. Vamos melhorar. Sem dúvida.

O trabalho do Flamengo fora de campo vem de muito tempo atrás, até hoje é uma das equipes com mais receitas na América do Sul.

É uma pergunta importante porque houve o início de um processo de revolução rubro-negra. Provavelmente começou em 2010. Comigo. Sozinho. Eu já era sócio do clube, era presidente da Sky no Brasil. E patrocinávamos o basquete do Flamengo naquela época. Tivemos muito sucesso com isso. Esse foi o começo de um processo político e comecei a buscar outros executivos do mercado que não fossem do clube de futebol, mas que sentissem paixão pelo Flamengo e entendessem que podiam nos ajudar. Esse grupo cresceu. Tomou forma, formamos uma candidatura e ganhamos as eleições de 2012 no Flamengo. O modelo, a inspiração, foi 100% o Barcelona, no início da década de 2000, creio que por Ferran Soriano e seu livro ‘A bola não entra por acaso’. Ali contam a história do Barcelona, e se você quer entender o que me motivou, foi porque as condições eram idênticas às que contam do Barcelona naquela época. Os problemas talvez fossem um pouco diferentes, mas as histórias são muito similares. A diferença é que, do ponto de vista do potencial, sempre vi o Flamengo como um clube com uma enorme margem de crescimento.

Um Flamengo além do futebol?

Exato! Não tenho uma visão limitada ao futebol. Tenho uma visão sistêmica mais ampla. Trabalhei na televisão 27 anos da minha vida à frente da Sky. Todo o processo de pay-per-view no Brasil foi conduzido basicamente pela Sky. Quase 70% da fatia de mercado do pay-per-view do futebol no Brasil foi construído durante minha gestão na Sky. Esse processo sempre levava em conta os direitos da televisão aberta e da televisão privada. A Globo era acionista em ambos os negócios. Tinha televisão aberta e tinha uma participação societária privada. Foi uma questão atípica do mercado, tinha que negociar com um competidor meu, mas praticamente um irmão, os direitos para ver quem ficava com cada jogo. Porque cada vez que havia um pico de televisão aberta, enfraquecia o produto de pay-per-view. Eu, como presidente da Sky, queria todos os jogos no pay-per-view. Quem estava na televisão aberta queria os jogos do Flamengo na televisão aberta, porque dão mais audiência. Seu modelo é o modelo publicitário. Meu modelo era o modelo de venda por assinatura. Durante 15 anos, tive que negociar cada ano com quem comprava os direitos da televisão aberta. Graças a isso tinha uma ideia perfeita de quais eram os clubes que tinham mais audiência e vendiam mais produtos. Hoje, 15 anos depois, a pessoa que trabalha comigo nesse tipo de consultoria e apoio comercial se chama Marcelo Campos Pinto, que foi precisamente a pessoa da Globo com quem tive que negociar os direitos durante 15 anos. Assim, modéstia à parte, as duas pessoas que melhor entendem este processo no Brasil estão hoje juntas trabalhando para o Flamengo.

Isso não criou um conflito de interesses?

Sim, porque em um dado momento eu tinha um cargo importante e não podia trabalhar no Flamengo. Sempre tive um papel de destaque, do ponto de vista político, no clube. Chegou o momento da minha aposentadoria na Sky e então pude me candidatar, e fui eleito, presidente do Flamengo. Esse processo de crescimento e solidez do Flamengo começou a ser muito forte a partir de 2019. Em 2025, as receitas do Flamengo cresceram mais de 40%, por isso você quer falar comigo agora (risos).

Porque o Flamengo é o clube com mais receitas em todo o Brasil, sem mencionar suas conquistas, Libertadores e Brasileirão.

Do total de receitas, 40% vêm das conquistas e prêmios, mas 60% desse crescimento vem de outras receitas comerciais que não têm absolutamente nada a ver com o sucesso esportivo. Foram realizadas uma série de boas ações comerciais. Minha visão é que o Flamengo deve ser gerido como se fosse a Disney. Vendemos entretenimento. Não temos um time de futebol que gera recursos para outras modalidades. Por quê? Porque a capacidade do futebol em si de gerar dinheiro é finita. Na Europa, os clubes jogam 60 partidas por ano. 30 partidas em casa, onde ele é dono da receita. Os estádios costumam ter 70.000 assentos, uma média de 60.000 assistentes por jogo, multiplicado por 30 jogos, etc. O preço do ingresso é limitado. A publicidade na camisa tem um limite. Os direitos de transmissão têm um limite. Portanto, quando você tem um clube gigante como o Real Madrid, por exemplo, e ele vai muito mal esportivamente, é muito difícil acreditar que você vai aumentar as receitas se não tiver outros negócios em andamento.

Não é por outra razão que você vê os clubes europeus indo para a América, buscar novos torcedores na Ásia, fazer pré-temporadas no exterior, abrir novos mercados. Isso é como a exploração do mundo nos séculos XV e XVI, é a mesma coisa. Só que em vez de pegar caravelas e dominar o mundo overseas, você tenta fazer isso pegando aviões e indo para a China com um time de futebol. Mas, na realidade, trata-se de abrir novos mercados para o seu produto. De maneira análoga, estamos fazendo isso com o Flamengo no Brasil, na América do Sul. O resultado tem sido muito positivo. É claro que, quando se ganha, as outras receitas crescem mais, mas se o Flamengo não tivesse ganho o campeonato no ano passado, suas receitas teriam crescido 25%. Ou seja, se o Flamengo tivesse perdido tudo, ainda assim teria aumentado suas receitas em 25%. Estamos criando um modelo de gestão em que o crescimento do Flamengo não depende do sucesso esportivo. Assim, continuaremos crescendo, mesmo que o Flamengo não ganhe tudo. Mas se ganhar tudo, será ótimo para os torcedores, como eu, e para o clube. Mas se não ganharmos, continuaremos crescendo. Há muitas oportunidades comerciais. É futebol, mas também não precisa estar vinculado ao futebol. Esse é o conceito de ter o clube como a Disney, onde você vai vender sonhos, vai vender entretenimento, vai vender produtos, um lar...

Por quê?

Porque os clubes dão tudo pelo futebol e, quando perdem, a possibilidade de irem à falência financeiramente no ano seguinte é enorme. É o que acontece com a maioria dos clubes no Brasil. Gastam o dinheiro e não sabem se o recuperarão ou se terão depois para pagar. Muitos clubes gastam pensando: ‘Vou gastar muito porque tenho chances de ganhar. Se ganhar, equilibrarei minhas contas’. Okay, perfeito. O problema é se não ganham. Se não ganham, não podem pagar os salários, não podem pagar seus impostos… não podem cumprir com suas obrigações.

Daí a postura do Flamengo em relação ao Fair Play Financeiro (FFP)?

Sim, porque aí você entra em um ciclo negativo. O Fair Play Financeiro nasce porque há vários clubes no Brasil que gastam 80% ou até 100% de suas receitas. Na Europa, dependendo do país, porque há países em que você pode gastar 60%, 70%, não. O Flamengo no ano passado gastou 40% de suas receitas provenientes do futebol. Quando o FFP chegar ao Brasil, eu poderei, eventualmente, dobrar meu gasto e investimento, desde que tenha receitas recorrentes. Assim, tenho muita margem para gastar mais dinheiro. Mas isso significa que vou gastar só porque tenho mais dinheiro? Não, porque não sou estúpido. Não vou investir mais dinheiro se achar que esse dinheiro adicional não é fundamental para ganhar algo. É uma forma diferente de trabalhar. Este modelo não tem nenhum segredo. Esta é a fórmula da ‘Coca-Cola rubro-negra’ (risos).

Então, a contratação de Lucas Paquetá acontece por essa fórmula...

O Flamengo contrata Lucas Paquetá após uma negociação muito dura. O West Ham não pediu nenhuma nota promissória bancária, nenhuma carta de garantia de que o Flamengo vá pagar. Estou muito orgulhoso disso. Da mesma forma que o Atlético de Madrid não pediu com Samuel Lino. Se algum funcionário do Flamengo atrasar uma compra que temos que pagar, eu demito o funcionário. Não tem conversa. O que eu digo é o seguinte: a palavra e a credibilidade do Flamengo estão acima de qualquer outra variável. Podemos dizer: ‘Mas esse contrato foi mal negociado’. Isso não importa. Se assinamos, vamos cumprir o contrato. Não cabe a você decidir se a negociação foi boa ou não. Você pode dizer que este negócio não foi bom para o Flamengo ou que este empresário está ganhando demais. Firmamos este compromisso, vamos cumpri-lo.

Grande parte da contratação de Lucas Paquetá se explica por essa capacidade do Flamengo de gerar receitas. É a contratação mais cara da história do Brasileirão...

Este aspecto da credibilidade do Flamengo também é importante. Quando o Flamengo inicia as conversas com o West Ham para contratar Lucas Paquetá, todo mundo sabe que o Flamengo fala sério e que vai ser duro negociando. Vamos cumprir absolutamente tudo o que está estabelecido no contrato. Isso se aplica aos agentes, que querem que seus jogadores assinem conosco aqui. Os jogadores querem jogar no Flamengo porque pagamos em dia.

Vou te dar um exemplo: o time ganhou bônus milionários ao terminar a temporada. O ano terminou para nós em 17 de dezembro. No dia 26 de dezembro, o Flamengo pagou todos os prêmios que eram devidos no ano para todo mundo. Os jogadores sabem que vão receber, sabem que o que está no contrato será cumprido. Os clubes com os quais negociamos jogadores sabem que vamos pagar. Cria-se um círculo virtuoso no qual construímos essa credibilidade ao longo dos anos.

Há algumas semanas, pagamos uma bonificação a todos os funcionários do clube. Isso nunca tinha acontecido antes. Entendi que todos os funcionários tinham contribuído para o sucesso do clube. Normalmente, os diretores recebiam bonificações, mas não os rapazes que trabalham diariamente no clube. Todos ganharam algo. Ninguém ganhou menos que um salário anual. Não temos nenhuma obrigação legal nem contratual de fazer isso, mas entendi que esse esforço coletivo, de construir um resultado absolutamente sensacional, deveria ser compartilhado por todos.

O caso do Flamengo é quase único no Brasil. O FFP que a CBF está estudando será um divisor de águas.

O FFP vai chegar ao Brasil e já há muitos clubes que poderiam ser punidos. Precisarão de um período de transição para se adaptarem. Não poderão gastar mais de 70% de suas receitas. Quando o FFP chegar, eu poderei praticamente, sem fazer muitos cálculos, aumentar em 50% meus gastos e estar absolutamente em dia. Portanto, trabalhamos pela recorrência das receitas, independentemente dos resultados esportivos, e não incluo nos meus gastos o que recebo a título de prêmios por conquistas. Gasto 40% do que arrecado sem os prêmios. Se levasse em conta os prêmios, seriam apenas 30%. Temos uma gestão financeira muito conservadora e muito diferente da que vemos no Brasil e na América do Sul. Assim o clube cresceu em receitas, independentemente dos resultados esportivos. Hoje em dia é um clube rico, é um clube saudável, que tem dinheiro para cumprir suas obrigações, comprar Lucas Paquetá e, se necessário, fazer outras operações. Mas é o que sempre digo: eu pagaria 100 euros por uma Coca-Cola porque somos ricos? Não, porque não somos estúpidos. Não vamos pagar a mais por contratações porque temos dinheiro.

Muitos clubes de futebol fazem isso. Nós não faremos. Negociaremos pelo preço que considerarmos adequado para o produto. Foi o que fizemos com Lucas Paquetá, com Samuel Lino e com outros atletas. Essa credibilidade foi sendo construída com o tempo. O mercado não é tão grande, não há tantos clubes no planeta que sejam tão sérios do ponto de vista da gestão quanto o Flamengo, por isso você acaba se destacando. Você acaba sendo elite, porque cumprimos nossa palavra. Ano após ano. Isso nos permite ter uma posição diferenciada. E, claro, este ambiente de credibilidade, tranquilidade e infraestrutura que oferecemos a quem trabalha aqui se traduz potencialmente em melhores resultados esportivos. Isso é uma garantia de que você vai ganhar? Claro que não, mas permite que você lute por títulos todos os anos. Esse é o meu papel aqui, como presidente do clube.

O Flamengo foi o clube do continente com maiores receitas em 2025, com 202 milhões de euros, segundo um estudo da Deloitte, um nível similar ao de vários clubes europeus.

A Deloitte fala em 202 milhões de euros, mas, do ponto de vista contábil, eles excluem as vendas de vários jogadores. Nos últimos dez anos, nosso pior ano em vendas foi de 50 milhões de euros. O ano passado foi o melhor, com 90 milhões arrecadados. Hoje estou falando aqui com você e já vendemos 20 milhões de euros este ano… e estamos em janeiro! Esses 202 milhões, na minha opinião, estão errados. Se tenho uma série histórica de 10 anos em que nunca vendi menos de 50, deveriam me permitir incorporar essa quantia aos meus 202 milhões. O faturamento do Flamengo no ano passado foi de 320 milhões de euros, não de 202 milhões. Vendemos 85 milhões de euros em jogadores. Quando se compara com um clube europeu, que, em geral, compra mais do que vende, é preciso considerar qual é a capacidade comercial do clube. O Flamengo vende jogadores em um volume muito maior do que os outros clubes da região. Portanto, fizemos mais de 300 milhões de euros em vendas.

Nosso faturamento superou os 300 milhões de euros em 2025. Não 202. Isso é o que a Deloitte diz, mas nosso faturamento foi de mais de 320 milhões de euros. E este ano voltará a superar os 300. E a Deloitte dirá que serão 220 ou 230. Portanto, a Deloitte sempre é muito mais conservadora do que a realidade. Não somos um dos 22 clubes com maior faturamento do mundo. Acho que estamos entre o 15º e o 16º. E, de novo, só gastamos 40% de nossas receitas recorrentes. Acho que se fizéssemos uma classificação mundial dos 20 clubes com maior faturamento, talvez o Flamengo ocuparia o primeiro lugar entre os que menos gastam de suas receitas. Tenho capacidade econômica para gastar 40 ou 50% mais do que gasto hoje, e isso não me afetaria em nada.

Então, por que o Flamengo não investe mais?

Porque acredito que o rendimento não será tão efetivo. Não será proporcional. Posso contratar mais de um Lucas Paquetá? Sim, posso. Farei isso? Não, porque não tenho certeza de que sem um Paquetá não posso ganhar tudo. Não faz sentido eu contratar três Paquetás. Se eu trouxer três Paquetás e ganhar tudo, nunca saberei se teria ganho com um ou dois. Isso é um processo. Você nunca vai investir tudo em um só negócio, porque se der errado, você quebra. Mas se der certo, invisto um pouco mais. Se vejo que há espaço para o Flamengo crescer e há espaço para expandirmos os gastos, vamos gastar o dinheiro de qualquer maneira? Não faremos isso. Então, quando você olha o nível de endividamento do Flamengo, talvez ele deva 20% de suas receitas. No mundo do futebol, isso é muito baixo. É muito comum que os clubes devam 100 ou 120% do que ganham. Tenho a possibilidade de aumentar as receitas do Flamengo, de ampliar meus gastos graças ao Fair Play, tenho margem e, além disso, posso endividar o clube, se considerar adequado, durante um ou dois anos. Não há nenhum clube no Brasil nem no continente que possa ampliar estas três variáveis.

Como vê a situação atual dos clubes brasileiros antes da entrada em vigor do FFP?

Complicada. Há alguns que podem se expandir graças ao FFP, mas não têm como aumentar suas receitas. Há outros que podem aumentar suas receitas, mas já estão no limite do seu FFP ou do seu endividamento. Há outros que não podem expandir nenhuma das três. O Flamengo pode expandir as três. Sou muito conservador, poderia ter um clube com 50% de dívida, mas não tenho. Por isso o Flamengo não pede dinheiro emprestado. Não preciso pagar juros a ninguém. Tenho dinheiro e gero dinheiro, gero caixa. O Flamengo é uma empresa muito saudável. Este é o panorama que temos no Brasil.

A CBF realizou uma turnê pela Europa com representantes de clubes brasileiros para conhecer o FFP da Espanha, Alemanha e Inglaterra... muitos clubes se opõem a esta medida.

Nesse contexto, o clube que mais exige a implementação do FFP no Brasil é o Flamengo. É mentira que você, como gestor, não possa ser responsável ao dirigir um time de futebol. O que acontece é o seguinte: quando você não quer pagar nada, nem a ninguém... nem mesmo impostos... você não pode ser a favor do FFP. Você comprou uma casa que sabe que não vai pagar. Se não é bom pagador, não quer um FFP no futebol. Simples assim. Há muito tempo defendemos o FFP.

Entendemos que deve haver um Fair Play Financeiro e um Fair Play Esportivo. Entendemos que precisamos de dois anos para nos ajustarmos. O Flamengo entende que será necessário. Estamos em um período de transição. O Flamengo também teve um período assim. Foi longo, foram seis anos para que pudéssemos ajustar as coisas no clube. Entendemos que é absolutamente necessário que haja um período de dois ou três anos para que os clubes façam seus ajustes. É fundamental. Agora, os clubes dizem que não querem o FFP. A razão só pode ser que nunca quiseram cumprir com suas obrigações porque, se eu parar de cumprir com minhas obrigações, ganharei absolutamente tudo no Brasil e no continente. Imagine, se eu pegar o dinheiro que pago em impostos, o das transferências, o do salário dos jogadores, o dos agentes e se não pagar, por exemplo, ao West Ham, o que vou fazer com esse dinheiro? Trarei Lucas Paquetá, trarei Vinícius Júnior, trarei Messi. Não pago nada a ninguém, monto um time absolutamente sensacional e ganho tudo. É um absurdo.

Os demais clubes devem ser profissionais para que o ecossistema futebolístico brasileiro esteja à altura dos cinco Mundiais que ganhamos. O Flamengo está hoje no Brasil por acaso. Porque o Flamengo é uma ilha no Brasil. Nosso sucesso não é porque o Flamengo é maior. É porque o Flamengo é melhor gerido, melhor administrado. Quando ouço os outros clubes dizerem: ‘Mas se implementarmos o FFP no Brasil, então não ganharemos nada’. E o que eu digo é o seguinte: ‘Se eu também parar de pagar minhas obrigações, também ganharei tudo! Assim eu poderia ter dois, três, quatro times de futebol’.

É razoável que o Flamengo pague todas as suas obrigações e que outros clubes não paguem nada e não haja nenhum tipo de sanção? É razoável que eu compita esportivamente com alguém que não paga impostos, que não paga salários, que não cumpre as leis? Não, não é razoável. É necessário que haja um FFP, sim. É necessário que haja sanções. Tem que haver consequências. Porque hoje, enquanto falamos aqui, quem não cumpre suas obrigações no Brasil pode ser punido pela FIFA com um transfer ban. A proibição atual está relacionada a pagamentos atrasados dos clubes de dois anos atrás. Não pago este ano, compito por um título, sou campeão, ganho o prêmio, contrato outro jogador e só serei punido daqui a um ano. Se o Flamengo decidir que não vai pagar nada a ninguém, não sofrerei eu. Fico aqui até 2027. Se decidir não pagar nada a ninguém este ano, ganharei tudo em 2026 e 2027 e deixarei a batata quente para o próximo presidente. O que digo aos outros clubes é: ‘Vejam, o pré-requisito é que sejam corretos, que sejam honestos, que cumpram todas as suas obrigações’.

Não vou trazer outro Lucas Paquetá agora porque não tenho certeza de poder cumprir todas as minhas obrigações este ano. Poderia me endividar, mas não acho saudável que o Flamengo faça isso. Quando vejo outros clubes que contratam jogadores, porque há jogadores que se oferecem ao Flamengo, percebemos que esse time que o está contratando não vai pagar o que nos pediu. Sabemos que não vai pagar. Não é se vai haver um problema, é quando vai haver um problema. Mas muitos dirigentes pensam: ‘Mas meu mandato termina este ano e o castigo sobrará para o próximo presidente’. Essa irresponsabilidade gerencial deve ser combatida com o FFP.

Sua postura também é clara em relação ao gramado artificial no Brasil.

Isso faz parte do Fair Play Esportivo que eu te comentava. É a padronização dos campos. Todos os times entram em campo com 11 jogadores, tem que usar o uniforme, os jogos têm hora de início... há regras para absolutamente tudo, mas não temos uma padronização dos campos, dos estádios. Alguns clubes no Brasil têm estádios com gramado artificial porque fazem shows. Fazem shows! Acho que estão no negócio errado. Deveriam se dedicar ao showbusiness e abandonar o futebol. É outro negócio e o trabalho deles é gerir um clube de futebol.

Se eu quiser, posso fazer shows no Maracanã. Muitos artistas já vieram. Frank Sinatra, os Rolling Stones… Mas ninguém vai cantar no Maracanã enquanto eu for presidente do Flamengo. O Maracanã é para jogar futebol. Agora, se eu trouxer um grande artista, a Shakira, para cantar no Maracanã, ganharei muito dinheiro com o show dela, sim, mas não estarei cumprindo com a obrigação que tenho para com o Flamengo. No Brasil você acaba tendo estádios de primeiríssimo nível, mas com campos sintéticos porque ganham dinheiro jogando futebol e fazendo shows.

Do ponto de vista esportivo, o campo sintético não é saudável para os jogadores. Não é adequado para a prática do futebol de alto nível. Por que a CBF permite? Por que os outros clubes querem ganhar dinheiro dessa maneira? Somos o primeiro clube do Brasil a apoiar o Fair Play Financeiro e Esportivo. Queremos regras. De fato, o Flamengo cumpre todas as regras que existem hoje em dia. Mesmo aquelas que não têm comissões. O Flamengo é sem dúvida um clube brasileiro gerido como se fosse uma multinacional internacional. Estamos no Brasil por acaso.

Aqui na Espanha tiveram muita repercussão as queixas de Saúl ou Neymar sobre o estado dos campos no Brasil. Um tema, para eles, preocupante…

Sim… e veja que aqui no Maracanã temos um sócio, o Fluminense. Se você pegar o Santiago Bernabéu, o Metropolitano ou o Camp Nou, terá, talvez, 30 jogos por ano. Nós temos 75 por ano no Maracanã. Contratamos um especialista da FIFA para melhorar o gramado do estádio. Ele conseguiu, apesar de termos 75 jogos no Maracanã. Estamos investindo 2 milhões de euros em equipamentos para melhorá-lo. Nosso desafio é ter o melhor gramado do Brasil, que hoje em dia acho que é o do Corinthians. Entendo que é justo pagar mais para ter o melhor gramado do Brasil. Vamos investir nessa melhoria do Maracanã. Não é a CBF que está obrigando o Flamengo, não é nenhuma liga que está obrigando o Flamengo. É o Flamengo que entende que é bom para o negócio. Agora, entendemos que a CBF deveria definir isso, e já aceitou que terá que regular este aspecto. Talvez não aconteça este ano, mas certamente acontecerá no ano que vem. Haverá novidades a esse respeito, fruto dessa viagem que você mencionou que a CBF realizou agora, levando vários clubes à Europa. Foram para a Alemanha, foram para a Espanha... Então, o que ouviram na Europa? Exatamente o que estamos pregando aqui no Brasil.

Como está o projeto de saída do Maracanã? É viável para o Flamengo?

Temos um terreno que a administração anterior adquiriu no Maracanã por 19 anos. A administração anterior tinha o Maracanã e, sob sua gestão, dava uma margem de 30% por jogo. Com a nossa gestão, as receitas do Maracanã dobraram e nossa margem passou de 3% para 72%. O Maracanã é meu durante 19 anos. Tenho 19 anos para esperar e ver se preciso construir um estádio ou não. Já tenho um estádio próprio por duas décadas, porque tenho a concessão do Maracanã. Não vamos deixá-lo. Imagine agora, se o novo estádio não tiver um modelo de negócio que reporte ao Flamengo muito mais dinheiro do que o Maracanã reporta hoje sem que ele invista nada, por que eu iria construí-lo? Agora, também depende do momento e das circunstâncias. Hoje em dia o Brasil, como país, tem uma das taxas de juros mais altas do mundo. Então, se decidirmos construir um estádio para o Flamengo, esse estádio deveria custar mais de 500 milhões de euros. Os juros disso seriam de 75 milhões de euros por ano. Teria que pagar, em juros, quase dois Lucas Paquetás por ano. Por que eu faria isso tendo o Maracanã?

Tenho terrenos, mas se algum dia os juros no Brasil voltarem a ser de 2 ou 3% ao ano, como foram há alguns anos, durante a pandemia, talvez faça sentido construir um estádio. Com os de agora é melhor ter dinheiro no banco, jogar no Maracanã, que está nos dando resultados muito bons — estamos ganhando muito dinheiro no Maracanã —, e ter o dinheiro para contratar Lucas Paquetá. Se eu construir um estádio, sem dúvida, toda essa estrutura que criei será afetada. Cada escolha é uma renúncia. Se eu decidir construir um estádio, com certeza não haverá os Samuel Linos ou Lucas Paquetás, mas poderei ter um estádio novo. O objetivo é ganhar dinheiro. É uma decisão de natureza financeira e econômica. Não posso comprometer o futuro do nosso time porque vou construir um estádio que é um projeto de 50 anos. Temos que equilibrar estas variáveis.

O Flamengo está muito atento à gestão da CBF, pelo que entendi...

Deixe-me te dizer algo porque tenho que ser justo. Esta diretoria da CBF fez mais pelo futebol brasileiro nos últimos seis meses do que vi ninguém fazer nos últimos 20 anos. Tem sido uma gestão séria, fizeram ajustes imediatos muito fortes, tomaram decisões muito difíceis, e normalmente, no mundo do futebol, tende-se a adiar as decisões difíceis. Enfrentaram os problemas e estão fazendo mudanças. Os jornalistas são muito críticos com a CBF e com as federações brasileiras, mas é preciso dar a César o que é de César. Temos que ser justos. Esta gestão da CBF fez mais pelo futebol brasileiro nos últimos seis meses do que qualquer outra gestão nos últimos 20 anos. Depois de Ricardo Teixeira, esta gestão é, de longe, a melhor que já tivemos. Estão tomando as decisões certas, mas é como quando se planta café. Você planta café e às vezes demora cinco anos para ver resultados. Portanto, grande parte do que está sendo feito agora terá resultados imediatos, já em 2026, mas a maior parte das medidas verá seus resultados no longo prazo. O futebol brasileiro voltará ao nível que tinha há 5 ou 10 anos.

Como está o discurso das SAFs neste momento? Acredita que vão atrair um futebol mais competitivo dentro da competição ou que será um problema maior no longo prazo?

É uma excelente pergunta. Não tenho absolutamente nada contra as SAFs. Nada. O que acredito é o seguinte: qual é o princípio da SAF? Você tem um clube de futebol que não tem condições de arcar com suas dívidas, um clube quebrado, do ponto de vista da gestão, e alguém decide assumir a direção. Assume as dívidas e faz novos investimentos. Esse é o princípio. Sou absolutamente a favor disso. Nenhum problema. O Flamengo jamais será uma SAF. O Flamengo é como o Real Madrid, não precisa se tornar uma SAF.

Entendo que, pelo bem do futebol, a SAF seja sim uma solução para os outros clubes. O que não pode acontecer é o que estamos vendo com um clube centenário como o Botafogo. Você cria uma SAF, permite que alguém compre o clube, e ele fica pior do que estava. O Botafogo devia, creio eu, 100 milhões de euros. Alguém compra o clube. Foram campeões do Brasileirão e da Libertadores em 2024. Você obtém milhões, não paga nada a ninguém e aumenta a dívida anterior. É preciso uma regulação! Se alguém chega com muito dinheiro e usa esse dinheiro apenas para contratar jogadores e não cumpre com nenhuma de suas obrigações, qual é o propósito? Houve uma desvirtuação do conceito da SAF. O Flamengo é contra esse tipo de situação em que não há punição. Tem que haver uma punição esportiva, tem que haver perda de pontos. Você comprou o clube com uma dívida de 80 milhões, assumiu que iria solvê-la, aumenta a dívida para 160 milhões, não paga nada a ninguém e não há nenhuma punição esportiva ou financeira. Isso está errado.

Não é o que se faz no mercado, mas como as SAFs estão sendo implementadas. Não é assim: houve problemas com a SAF do Vasco da Gama, houve problemas com a SAF do Botafogo… houve problemas com várias SAFs. O Flamengo é contra a falta de controle e de gestão do processo de propriedade dos clubes. Agora, contra as SAFs? Absolutamente não.

Já para concluir esta parte da entrevista mais local, o Flamengo é o clube sul-americano mais “europeu” fora da Europa junto com Palmeiras, River Plate e inclusive Independiente del Valle… Em quem o Flamengo se inspira?

Sempre sonhei grande. Sempre pensei em querer ser o Real Madrid da América. Olho o que faz o Real Madrid, o que faz o City, o que faz o Atlético de Madrid, o que faz o Bayern de Munique, o que faz o PSG. Tento entender quais foram os acertos, trabalhar adequadamente o que posso ajustar à realidade do Brasil e o que vejo como erros e como poderia fazer para não repeti-los. Por exemplo, a era dos ‘Galácticos’ de Florentino Pérez no Real Madrid foi sensacional do ponto de vista do marketing, mas do ponto de vista esportivo não foi. O PSG teve um ataque de sonho e resultados de pesadelo. Não ganhou absolutamente nada e gastou uma fortuna com Messi, Neymar e Mbappé. Muitas vezes contratar os melhores jogadores, do ponto de vista conceitual, não significa dizer que você vai contratar um grande time, que terá um grande rendimento no esportivo.

Olho para o Flamengo baseando-me nos melhores exemplos que existem na Europa. Penso muito grande. Penso no Flamengo como se o Flamengo fosse um clube europeu no Brasil. Em todas as decisões que tomo, penso: ‘se o Flamengo estivesse na Europa, que decisão tomaria?’. Depois ajusto essa decisão à realidade do Brasil, mas sem que condicione minha decisão. É uma maneira diferente de ver o negócio. Tem nos dado resultado. Estão aí. Mas hoje, se eu tivesse que falar de um clube para o qual olho no mundo, se eu tivesse que dizer apenas um, é o Real Madrid.

Algum exemplo que venha à mente?

Estive em Madri há poucos meses e convidei minha esposa para jantar no Bernabéu. Ela gostou, mas perguntou por que estávamos no Santiago Bernabéu e não em outro restaurante. Respondi que porque tinham me recomendado a carne do lugar, sem convencê-la totalmente. Terminamos de jantar e já não pude ocultar mais, disse a ela: ‘Quero ver a que horas o serviço vai embora, quero ver qual é o serviço, quero ver se o copo é de cristal, quero ver que talheres usam, quero ver o perfil das pessoas que estão no estádio…’. No final ela entendeu que viemos aqui para tirar ideias para o Flamengo e para o Maracanã (risos).

Em que clube o Flamengo vai se espelhar? No de maior faturamento do mundo. Agora, vamos deixar de olhar outras boas ideias? Absolutamente não. O programa de sócio-torcedor da Alemanha é absolutamente sensacional. Lotam os estádios sempre, apesar do resultado. Como conseguem fazer um negócio assim? Acho que se o Flamengo chegasse a uma situação de estar na zona de rebaixamento no meio do campeonato, os torcedores quebrariam o Maracanã. Não poderia nem ir ao Maracanã. Seria uma guerra civil (risos). Vendem ingressos, vendem carnês de temporada, vendem pacotes de ingressos, fazem vendas para empresas corporativas que levam pessoas aos estádios. São ideias muito boas.

E do resto dos clubes da redondeza?

Quando você não está em um clube forte, precisa ser mais criativo. O Real Madrid é um exemplo para as grandes ações. Mas em tema de criatividade, os clubes menos ricos são muito mais criativos que o Real Madrid. Precisam fazer coisas diferentes. Nós aprendemos coisas nesta viagem, um de nossos vice-presidentes foi e trouxe uma ideia excelente que viu no jogo do Eintracht. Então, não fazemos apenas benchmarking com o Real Madrid, mas com todos. Por exemplo, fomos a um jogo do Fulham, em Londres, e pegamos uma boa ideia do que acontecia ali. É um intercâmbio de ver algo bom e tentar replicar no seu país.

O melhor exemplo são os camarotes VIP. Nós fizemos um camarote que é muito parecido com o do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, como espetáculo. Gastamos dinheiro, fizemos um camarote sensacional e replicamos a experiência aqui. Então, em cada uma dessas viagens que fazemos, tentamos trazer algo importante para o Flamengo. Esse processo de aprendizado nunca termina. Sempre vai acontecer. De uma forma ou de outra, vamos aprendendo, vamos melhorando, vamos incorporando isso a este conceito do Flamengo. Tenho certeza de que teremos um 2026 muito bom do ponto de vista financeiro. Espero que também do ponto de vista esportivo. Mas isso não controlamos. Estamos trabalhando para ter um ano ainda melhor do que tivemos em 2025.


📸 Hector Vivas - 2025 Getty Images

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