Central do Timão
·30 de setembro de 2026
Presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians fala sobre eleições no clube e reconhece chances de intervenção judicial

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·30 de setembro de 2026

Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians (CD), concedeu entrevista na tarde desta quarta-feira (30), e afirmou que existe a possibilidade das eleições presidenciais do clube, marcadas para o próximo dia 28 de novembro, não acontecerem. A instituição vive a maior crise institucional de sua história, com uma dívida próximo doas R$ 3 bilhões, e em ebulição política principalmente nos últimos dois anos.
“Sim (corre o risco de não acontecer a eleição). Tem muita situação correndo. Por isso, falei que, no papel do Osmar (Stabile), eu faria um gesto para o Ministério Público. Tentaria na Justiça, porque você é o papel institucional de quem manda, de quem é o presidente”, iniciou.

Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians
O dirigente ainda comentou que Osmar Stabile, atual presidente do Corinthians, deveria procurar o Ministério Público (MP-SP) em busca de um acordo com intuito de evitar uma piora da situação. Romeu Tuma acrescentou que as cobranças que recebe dentro do órgão partem justamente dos próprios conselheiros.
“Isso não cabe a mim. Vão falar que o Tuma está se metendo, mas não é coisa dele. No dia daquela confusão no Conselho, quando ia ter a votação do estatuto, ele (Osmar Stabile) foi me acusar de que eu o ameacei. Mas, na prática, o que ele falou? ‘O Tuma, todo dia, manda um requerimento, um monte de perguntas’. Não sou eu. São os conselheiros”, disse.
Sugestão de acordo com o Ministério Público
O presidente do Conselho Deliberativo sustentou que Osmar Stabile proponha ao Ministério Público a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), contendendo nele as mudanças a serem feitas sinalizadas pelos promotores responsáveis pelo inquérito da intervenção judicial – Luiz Ambra Neto e André Paschoal.
“Põe todo mundo e fala (para o Ministério Público): ‘Para onde o senhor quer que eu vá? Vamos construir juntos esse caminho aqui e daqui a três meses eu entrego o cargo’. Eu acho que esse era o momento de falar: vamos passar a régua aqui e tal, vota o estatuto, se compromete com as coisas que aqueles sérios que querem intervenção porque não acreditam mais no sistema e nos poderes internos.”
Chances de intervenção e eleição em risco
Ao ser perguntado sobre o responsável pelo Corinthians em uma eventual intervenção judicial, o presidente do Conselho Deliberativo disse que a resposta para a questão está atrelada ao alcance da medida determinada pela Justiça. Ele ainda discorreu sobre os efeitos deste processo caso o aval da Justiça seja dado para tal procedimento.
“Não sei (quem seria o responsável pelo clube caso a eleição não aconteça), depende do alcance da intervenção. Pode ser um interventor geral, que vai intervir no clube e no Conselho. Difícil uma intervenção que abranja todos os órgãos, porque, como é uma associação, o interventor pode eventualmente ter poderes para paralisar qualquer deliberação.”
“É óbvio que, se houver uma intervenção, algumas deliberações vão ficar paralisadas. Mas acho que vai haver intervenção quando o Conselho extinguir o Conselho. Quem elege o Conselho são os associados. Se houver intervenção, porém, todas as ações serão pautadas pelos poderes estabelecidos para o interventor.”
Assembleia Geral da Reforma do Estatuto Suspensa
Romeu Tuma Junior, indagado sobre a suspensão da reforma do estatuto do clube, respondeu que a nova suspensão do pleito pode influenciar nas apurações do Ministério Público diante de uma intervenção judicial ou não.
A Assembleia Geral, que votaria os 11 destaques do texto base da Reforma do Estatuto, foi paralisada depois do Tribunal de Justiça de São Paulo determinar sua suspensão – pela quarta vez – após uma série de recursos apresentados por três conselheiros vitalícios do Timão. A mudança no regimento interno do clube, que é o mesmo desde 2008, seria uma adaptação às atuais normais da Lei Geral do Esporte (LGE), sancionada em 2021.
“Com certeza, o estado de coisas hoje facilita muito. Qual é o âmago da discussão da reforma? Quem entrou com o pedido de intervenção: o Cássio Conserino. Foram apontados vários aspectos, alguns reais e outros que não eram verdadeiros. Com o tempo, porém, alguns foram se tornando verdadeiros, foram acontecendo.”
O presidente do CD aproveitou e se defendeu de suas ações à frente do cargo máximo do órgão fiscalizador do Corinthians, principalmente em relação à Reforma Estatutária.
“Hoje, no Corinthians, existe uma cobrança muito grande por causa dos meus atos como presidente do Conselho. Primeiro, isso demonstra claramente que eu estou certo: a gente tem agido corretamente. Eu não fiz nada que desabonasse minha conduta. Só fiz coisas para criar controle e efetividade no que manda o Estatuto e propus mudanças no Estatuto. Então, que mal eu fiz para o Corinthians? Acho que nenhum. Tanto que, se a gente tivesse avançado nas coisas que estávamos procurando, não estaríamos na situação em que estamos hoje, creio eu.”







































