Central do Timão
·02 de setembro de 2026
Presidente do Corinthians fala sobre situação financeira do clube e comenta detalhes de reunião com a SAFIEL

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Na noite desta terça-feira (1), Osmar Stabile, presidente do Corinthians, foi entrevistado pela Rádio Energia 97 e voltou a comentar sobre a possibilidade da transformação do clube em Sociedade Anônima de Futebol (SAF). No começo da última semana, a alta cúpula corinthiana se reuniu com os idealizadores da SAFIEL, que propõe uma mudança no modelo administrativo do clube possibilitando uma maior participação da torcida nas decisões do dia a dia do clube.
“Tivemos aquela reunião, e eles pediram, pela primeira vez, uma reunião documentada. Eles enviaram o pedido para nós. Eu consegui reunir o Conselho Deliberativo, o Conselho de Orientação (Cori) e o Conselho Fiscal para que pudéssemos conversar com eles. Nós fizemos algumas perguntas que eles puderam responder naquele momento e deixamos também algumas questões para que fossem respondidas posteriormente. Eles estabeleceram o prazo de uma semana, até sexta-feira, acredito eu. Como nossa conversa aconteceu na sexta-feira passada, eles ficaram de responder até esta sexta-feira. Nós estamos aguardando essa resposta”, iniciou.

Foto: Reprodução
Após uma reunião de quatro horas na última segunda-feira (24), os membros da SAFIEL receberam um documento com dúvidas dos dirigentes do Corinthians referentes ao projeto e devem enviar à diretoria até o final desta semana. Nesta segunda-feira (31), o grupo publicou uma nota oficial em suas redes sociais informando que aceitava a oferta de Osmar Stabile referente à possibilidade de quitação da Neo Química Arena.
“Eles (SAFiel) mandaram um e-mail, pelo que eu vi pela imprensa, e encaminharam para o Conselho Fiscal, para o Conselho Deliberativo, para o Cori e para a presidência. Eu acredito que a reunião para eles responderem às perguntas deve ser convocada, mas agora preciso aguardar para saber quando eles vão apresentar essas respostas. Então, eles querem aguardar essas respostas antes de tomar qualquer decisão ou fazer qualquer coisa”, continuou.
Posteriormente, o presidente foi questionado sobre o atual momento financeiro do Corinthians, que possui uma dívida de aproximadamente R$ 3 bilhões. Em sua resposta, o mandatário afirmou que o clube vem reduzindo gastos nos departamentos de basquete e futsal, depois de especulações de que as duas modalidades seriam extintas ao final da última temporada.
“O Corinthians precisa fazer um trabalho de redução de custos. Temos adotado essa medida em todos os departamentos, inclusive no futsal e no basquete. Também reduzimos o repasse de recursos do futebol para o clube social. Eu lembro que falei que o Corinthians era uma caixa cheia de furos e que precisávamos fechá-los aos poucos. É isso que estamos fazendo. Temos vários contratos que vencem no final do ano e que não necessariamente precisarão ser renovados. Precisamos manter um time competitivo, mas não podemos gastar mais do que arrecadamos.”
Vale lembrar que, neste momento, o Corinthians está impedido de registrar possíveis novas contratações, já que está punido com três transfer bans, sendo dois na Fifa e uma na CNRD (Câmara Nacional de Reoslução de Disputas, órgão da CBF), que totalizam aproximadamente R$ 22 milhões por pendências em relações às contratações de José Martínez e Charles, ambas e meados de 2024, e pela não quitação da quinta parcela da CNRD – estipulada em R$ 8 milhões. O cenário de fluxo de caixa sufocado faz com que o clube recorra às antecipações de receitas para quitar dívidas de urgência, algo que também foi abordado pelo dirigente.
“A participação nas receitas, acho que quase todos fazem isso ao longo do ano. O Estatuto do Corinthians permite antecipar até 30% das receitas do ano seguinte. Nós ainda não recorremos a esse limite porque o que nos pressionou bastante foi o transfer ban. Tivemos que pagar cerca de R$ 120 milhões em transfer bans, além de outros valores menores, e isso acabou nos sufocando financeiramente”
“Eu posso antecipar até 30% da receita do ano seguinte. Isso acaba criando uma espécie de ciclo, porque, se eu antecipo agora esses 30%, o próximo presidente também poderá antecipar até 30% da receita do ano seguinte. Mas isso é permitido pelo Estatuto do Corinthians. Caso seja necessário ultrapassar esse limite, a questão precisa ser levada ao Cori e ao Conselho Deliberativo para aprovação prévia. Dentro dos 30%, portanto, posso fazer a antecipação normalmente, respeitando a legislação e o Estatuto do Corinthians.”
Ele acrescenta: “Outros presidentes já fizeram antecipações até superiores a esse limite sem levar a questão ao Conselho Deliberativo. Eu, por outro lado, tenho procurado o Cori e o Conselho Deliberativo sempre que preciso tratar de situações previstas no Estatuto, e temos conseguido resolver essas questões. Tivemos, por exemplo, o caso do próprio Memphis, que ultrapassava o limite de 40 mil salários-mínimos. Levamos a situação ao Cori e conseguimos resolver. Se for necessário, também vamos recorrer à antecipação de receitas, principalmente para garantir o pagamento de salários e direitos de imagem.”
Osmar Stabile também comentou sobre a dívida do clube com a Caixa Econômica Federal pela construção da Neo Química Arena, inaugurada em 2014. Em entrevista à ESPN Brasil na última sexta-feira (28), o mandatário afirmou que assinaria uma proposta vinculante se caso a SAFIEL aceitasse assumir a dívida da Arena.
“Um dos grandes problemas que temos hoje são os pagamentos relacionados à Caixa. No ano passado, pagamos R$ 720 milhões, além dos R$ 42 milhões arrecadados com a vaquinha. Neste ano, já foram R$ 52 milhões pagos e ainda temos um fundo de reserva superior a R$ 7 milhões. Acredito que, ao conseguirmos solucionar essa questão, vamos reduzir os gastos e melhorar o resultado financeiro do Corinthians. O objetivo é justamente evitar que o clube continue gastando mais do que arrecada”, disse.
Estrutura da operação prevê captação entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões – Clique aqui para conferir detalhes da proposta na íntegra
A proposta prevê a constituição da SAFiel como uma sociedade anônima responsável por absorver integralmente o chamado “Perímetro do Futebol” do Corinthians. Entre os ativos que seriam transferidos estão direitos econômicos e federativos de atletas, contratos de patrocínio, licenciamento, transmissão, infraestrutura esportiva e administrativa, marcas, bancos de dados e passivos vinculados à atividade futebolística.
O modelo apresentado estabelece uma meta inicial de captação de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de ampliação para até R$ 3 bilhões em caso de excesso de demanda dos investidores.
Segundo o documento, os recursos captados serão destinados prioritariamente à reestruturação financeira do clube, incluindo o pagamento ou renegociação das dívidas do futebol, investimentos em elenco profissional, categorias de base, infraestrutura, tecnologia e programas de governança e compliance. A proposta prevê ainda aporte inicial de até R$ 50 milhões para o clube social.
Em contrapartida à transferência do futebol para a nova sociedade, o Corinthians receberia participação acionária na SAF, royalties pela utilização da marca e da identidade institucional – estimados em aproximadamente R$ 600 milhões ao longo de dez anos -, além de um fee, espécie de taxa de remuneração pela parceria e pela estruturação da operação, correspondente a 2% do valor captado.
O projeto também estabelece um modelo de participação popular. As ações ordinárias com direito a voto seriam destinadas exclusivamente a torcedores corinthianos, com investimento mínimo previsto de R$ 250. Cada CPF teria limite máximo de participação de 2% do capital votante, mecanismo que busca impedir a formação de grupos controladores e garantir a pulverização acionária. Investidores institucionais poderiam ingressar apenas por meio de ações preferenciais sem direito a voto, caso fosse necessário complementar a captação.







































