Revista Colorada
·24 de setembro de 2026
Presidente do Cuiabá cita vantagem de Santos e Vasco sobre o Inter: “Ficar na Série A por estelionato esportivo”

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·24 de setembro de 2026

Pontos-chave
Principais pontos da denúncia de Cristiano Dresch sobre inadimplência no futebol brasileiro
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Dresch denunciou disparidade nas punições a clubes inadimplentes, citando Santos e Vasco como exemplos.
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A CNRD condenou o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá por transação envolvendo o zagueiro Joaquim.
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Cuiabá alega que Santos pagou apenas uma das cinco parcelas de uma renegociação feita em 2025.
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Dresch defende perda de pontos como punição, considerando o transfer ban insuficiente.
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Clubes devedores continuam investindo em contratações caras enquanto clubes adimplentes, como Mirassol e Remo, enfrentam risco de rebaixamento.
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Vasco apresentou plano de pagamento e quitou a primeira parcela; Santos já teve transfer ban em cobranças anteriores da FIFA.
Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, denunciou nesta quarta-feira uma disparidade nas punições aplicadas a clubes inadimplentes no futebol brasileiro. Em entrevista à ESPN, o dirigente citou Santos e Vasco como exemplos de equipes que acumulam dívidas milionárias. Mas permanecem na Série A, enquanto outros times lutam contra o rebaixamento apesar de cumprir todos os seus compromissos financeiros.
Para Dresch, essa realidade prejudica diretamente os clubes que pagam em dia. A revolta do mandatário mato-grossense ganha força após a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF condenar o Santos ao pagamento de R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá um dia antes.
A dívida surgiu de uma transação envolvendo o zagueiro Joaquim, em 2023, e os direitos de revenda futura do atleta. Segundo o Cuiabá, mesmo após uma renegociação em 2025 que reduziu o valor, o Santos pagou apenas uma das cinco parcelas acordadas.
“Esse problema existe porque nós vivemos em um mercado que não tem nenhum tipo de regulação e não tem punição. Hoje o transfer ban está se mostrando insuficiente, a gente precisa que tenha perda de ponto. Acho que se o Corinthians tivesse ameaçado de perder três pontos na tabela esse dinheiro já tinha saído de algum lugar.”
“O Santos da mesma forma, a gente vê o Santos, o Vasco também, que deu um calote gigantesco, vão permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É muito grave, ruim para equipes como Mirassol, ruim para o Remo, que está com tudo em dia e vai cair.”
Para Dresch, o transfer ban — restrição de contratações — mostrou-se insuficiente como ferramenta de cobrança. Ele defende que clubes devedores percam pontos na tabela de classificação.
Dresch disse à ESPN que o futebol brasileiro vive em um mercado sem regulação ou punição e que o transfer ban é insuficiente. Para ele, os clubes devem perder pontos na tabela. O presidente afirmou ainda que, se o Corinthians tivesse sido ameaçado com a perda de três pontos, teria encontrado recursos para pagar a dívida.
O Corinthians figura entre os devedores do Cuiabá, com parcelas atrasadas em seu plano de pagamento aprovado pela CNRD. Além disso, Sport e Grêmio também devem ao clube mato-grossense, totalizando compromissos superiores a R$ 40 milhões.
Na visão de Dresch, essa falta de consequência esportiva cria uma vantagem indevida, sobretudo para estes dois adversários diretos do Inter na tabela. Ele afirmou que Santos e Vasco permanecerão na Série A por causa do que considera um estelionato esportivo. Também chamou a situação de muito grave e disse que ela prejudica equipes como Mirassol e Remo, que está com tudo em dia e será rebaixado.
A capacidade de clubes endividados continuarem investindo em reforços caros agrava ainda mais a insatisfação de Dresch. Enquanto o Cuiabá dispõe de apenas R$ 1,6 milhão por mês para sua folha salarial, rivais como Santos reforçaram o elenco com jogadores como Arthur e Cebolinha, ambos contratados por valores expressivos.
Dresch questionou como um clube que deve R$ 18 milhões ao Cuiabá pode pagar R$ 2 milhões por um jogador, como o Santos fez ao contratar Arthur e Cebolinha, atletas que, segundo ele, farão diferença na classificação.
O presidente completou a crítica questionando como o Mirassol pode competir com clubes que contratam e gastam mais, enquanto paga em dia e faz sacrifícios. Citou o Vasco, que entrou em recuperação judicial e, segundo ele, deu um calote gigantesco, e o Botafogo como clubes que permanecem na Série A, e para Dresch, isso é injusto.
O desempenho em campo também reforça sua frustração — o Santos venceu o Remo em Belém e segue na elite, enquanto Mirassol e Remo, ambos regularizados, enfrentam risco de descenso.
O Vasco tentou contornar a situação por meio de um plano coletivo apresentado à CNRD para negociar com seus credores. Com dívidas superiores a R$ 110 milhões, o clube carioca efetuou o pagamento da primeira parcela e conseguiu afastar o risco imediato de transfer ban.
Mesmo assim, Dresch não vê a medida como solução porque não há consequência esportiva, e o time continua competindo na divisão.
O Santos já recebeu transfer ban em cobranças anteriores da FIFA por dívidas com Arouca e Mônaco, mas continuou competindo apesar da condenação. O clube só pagou depois que a punição entrou em vigor. Para Dresch, o histórico mostra que penalidades leves não levam à quitação rápida.
O Cuiabá continua cobrando os R$ 18.616.377,46 e critica o uso de recursos processuais para prolongar o prazo de pagamento.
A discussão expõe um desequilíbrio no futebol brasileiro: clubes que pagam em dia têm a permanência na Série A ameaçada, enquanto devedores com receitas maiores escapam de punições esportivas efetivas. Esses clubes também seguem investindo em reforços que alteram a disputa pelo acesso e contra o rebaixamento.























