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·24 de setembro de 2026

Presidente do Cuiabá cobra dívida do Corinthians por Raniele e critica renovação de Memphis

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  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

A situação financeira do Corinthians voltou a ser alvo de críticas de Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá. Nesta quarta-feira (23), o dirigente falou sobre o valor que o clube mato-grossense ainda tem a receber pela negociação de Raniele e também questionou a decisão do Timão de renovar o contrato de Memphis Depay.

Em entrevista ao programa Fala a Fonte, da ESPN, Dresch afirmou que o atraso de pagamentos de outros clubes tem impacto direto nas finanças do Cuiabá. Segundo o dirigente, o Dourado possui aproximadamente R$ 43 milhões a receber de diferentes equipes e enfrenta dificuldades em seu próprio fluxo de caixa.


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Foto: Reprodução / Instagram

No caso do Corinthians, a pendência envolve a contratação de Raniele, realizada em 2024. O assunto foi levado à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, que estabeleceu um plano para o pagamento de aproximadamente R$ 17,7 milhões em 24 parcelas. De acordo com Dresch, uma prestação de R$ 800 mil que venceu em julho segue pendente, enquanto uma nova parcela vence em outubro.

“A CNRD fez um plano de pagamento ao Corinthians, em julho venceu parcela de R$ 800 mil (por Raniele), agora em outubro já vence outra, faltam cinco anos para ser liquidado. Estamos muito preocupados. Estamos em uma reta final de campeonato na Série B, tentando o acesso, e esses atrasos nos atrapalham demais.”

Na sequência, o presidente do Cuiabá demonstrou pessimismo sobre o recebimento e fez uma avaliação crítica sobre a situação financeira de Corinthians e Santos. A caracterização de “falência” representa a opinião de Dresch, e não uma declaração formal de insolvência dos clubes.

“A gente sabe muitos bastidores do Corinthians. Acho muito difícil a gente receber (o valor). Ontem a CNRD condenou também o Santos a pagar quase R$ 19 milhões pelo Joaquim, mas também acho muito difícil (receber). O estado do Corinthians e do Santos é de falência. E clubes que dependem desse dinheiro, como o Cuiabá, acabam pagando o pato.”

Dresch relaciona dívida a dificuldades financeiras do Cuiabá

Ao explicar os efeitos das pendências, Dresch relembrou a negociação de Raniele e citou a temporada de 2024. O dirigente também relacionou os valores que o Cuiabá tem a receber às dificuldades atuais do clube para cumprir seus próprios compromissos.

“O caso do Cuiabá em 2024 com o Corinthians foi emblemático. Eles compraram o Raniele da gente em 2024. Jogamos com o Corinthians na casa deles e empatamos. No segundo turno, apareceram em Cuiabá com outro time! Com Memphis, etc. Perdemos lá dentro… Não foi isso que fez a gente cair, mas foi importante.”

O presidente afirmou ainda que o Cuiabá está submetido a um transfer ban e disse que o clube já dispõe do valor necessário para resolver a pendência que provocou a sanção. Na avaliação dele, entretanto, os atrasos de outras equipes tiveram participação na deterioração do fluxo de caixa.

“O Cuiabá hoje está sob transfer ban. Já temos o dinheiro para pagar, mas por que levamos? Porque essas dívidas arrebentaram nosso fluxo de caixa. A gente tem que arrumar dinheiro de qualquer jeito, e isso nos atrapalha demais. Se eu tivesse um terço desse dinheiro que tenho para receber, uns R$ 12 milhões desses R$ 43 milhões, a gente estaria em outra situação.”

Renovação de Memphis também é criticada

Além da negociação envolvendo Raniele, Dresch comentou a renovação contratual de Memphis Depay com o Corinthians. O dirigente classificou tanto o acordo inicial quanto a extensão do vínculo do holandês como excessivos e relacionou a decisão ao cenário financeiro e esportivo vivido pelo clube.

“Eu achei absurda a renovação (de Memphis Depay com o Corinthians). O contrato inicial do Memphis já era absurdo, a renovação foi absurda, mas o Corinthians ficou de mãos atadas… Já estavam com transfer ban, não iam conseguir contratar ninguém, então tiveram que renovar. É um caos administrativo. Sei que é difícil para um time do tamanho do Corinthians.”

As declarações representam a avaliação de Dresch sobre as decisões tomadas pelo Corinthians. O dirigente do Cuiabá não participa da administração alvinegra.

Presidente pede punições mais rígidas para clubes devedores

Outro ponto abordado durante a entrevista foi a criação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). Dresch defendeu que o sistema de controle financeiro adote medidas mais severas contra equipes que não cumprem compromissos assumidos.

“Essa agência (de fair play financeiro) que a CBF criou vai começar a partir do ano a cobrar as dívidas anteriores a 2026. Ela precisa começar a agir. Alguns vão ter que morrer, ou entrar num estado bem difícil, para salvar o todo.”

Na visão do presidente do Cuiabá, o transfer ban, que impede o registro de novos jogadores em determinadas circunstâncias, não seria suficiente. Ele defendeu inclusive a possibilidade de punições esportivas, como perda de pontos.

“Esse problema existe porque vivemos num mercado sem regulação e sem punição. O transfer ban hoje está se mostrando insuficiente. Precisa ter perda de pontos. O Corinthians, se tivesse ameaçado de perder três pontos, esse dinheiro já teria saído de algum lugar. O Santos também. O Vasco vai permanecer na Série A através de um estelionato esportivo. É ruim para clubes como Mirassol, como o Remo, que está com tudo em dia e está ameaçado de cair.”

Dresch também citou outras equipes durante a argumentação e questionou a possibilidade de clubes continuarem reforçando seus elencos enquanto possuem valores pendentes com concorrentes.

“Como um clube [Santos] que deve R$ 18 milhões ao Cuiabá contrata um jogador pagando R$ 2 milhões por mês? Nomes como Arthur, Cebolinha, que vão fazer diferença na tabela de classificação. Foram lá em Belém e ganharam do Remo, vão ficar na Série A. Como você acha que o Mirassol se sente? O Vasco entrou em recuperação judicial e deu um cano gigantesco, o Botafogo também. Isso é injusto.”

As expressões “estelionato esportivo” e “deu um cano gigantesco” são caracterizações feitas pelo presidente do Cuiabá durante a entrevista, e não conclusões desta reportagem.

Dirigente elogia Stabile, mas reforça impacto da dívida

Apesar das críticas direcionadas à administração financeira do Corinthians, Cristiano Dresch fez uma ressalva ao comentar Osmar Stabile. O presidente do Cuiabá afirmou considerar o mandatário alvinegro uma pessoa séria, mas avaliou que ele assumiu o clube diante de um problema financeiro relevante.

“A folha salarial do Cuiabá hoje é de R$ 1,6 milhão por mês. Esse dinheiro que entraria para mim é a sobrevivência. Eu vou sempre defender meu clube. Considero o (Osmar) Stabile [presidente do Corinthians] uma pessoa séria, mas pegou um problema importante.”

A cobrança referente a Raniele, portanto, permanece como mais uma pendência financeira envolvendo o Corinthians. Segundo as informações apresentadas por Dresch à ESPN, além da parcela de julho ainda não quitada, o cronograma estabelecido pela CNRD prevê um novo vencimento em outubro.

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