Saudações Tricolores.com
·26 de setembro de 2026
Presidente do Fluminense revela impacto de mais de R$ 100 milhões após fim das bets

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A decisão do governo federal de proibir a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil terá impacto direto nas finanças do Fluminense. Em entrevista à CNN Brasil, o presidente Mattheus Montenegro afirmou que o clube calcula um prejuízo superior a R$ 100 milhões com a medida assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25).
A Medida Provisória nº 1.394 determina o fim das operações das chamadas bets no país e também impede a publicidade do setor. As empresas autorizadas têm até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e patrocínios, enquanto os sites e aplicativos deixam de operar a partir de 6 de outubro.
Durante a entrevista, Montenegro explicou que o impacto para o Fluminense vai muito além do patrocínio estampado na camisa. Segundo o dirigente, contratos de placas no estádio e produtos já fabricados também entram na conta.
É uma decisão que preocupa muito o Fluminense, né, mas não só o Fluminense como todo o futebol brasileiro. É, porque sem entrar no mérito político da medida, é uma medida que foi tomada do dia para a noite, e o impacto é muito grande, né? Aqui no Fluminense nós temos um impacto de mais de 100 milhões com a medida, porque além do patrocínio máster, isso também afeta contratos que a gente tem como as placas de campo, as camisas que a gente tem já produzidas, né, que as camisas são produzidas com seis meses de antecedência. Então é um impacto muito grande que preocupa muito aqui o futuro do Fluminense.
Fluminense vê dificuldade para substituir patrocínio
Para Mattheus Montenegro, o problema não está apenas na perda do atual patrocinador. Como a medida atinge simultaneamente as empresas de apostas que investem no futebol, diversos clubes passarão a buscar novos parceiros ao mesmo tempo.
Na avaliação do presidente tricolor, esse cenário pode reduzir o valor comercial das propriedades dos clubes, já que haverá uma grande quantidade de camisas, placas e outros espaços publicitários disponíveis no mercado.
É muito difícil, Márcio, porque é natural do mercado, né, que tenha um clube perca o patrocínio, outro não, por conta do vencimento dos contratos. E essa é uma medida que faz com que a maior parte dos clubes de futebol brasileiro perca esse patrocínio no mesmo momento. Então é óbvio que isso desvaloriza o ativo, porque qualquer empresa que tenha interesse em patrocinar um clube de futebol vai ter quase todos os clubes disponíveis no mesmo momento. Então isso desvaloriza muito o ativo e faz com que a camisa perca valor de mercado.
O cenário também atinge o planejamento financeiro dos clubes, que já haviam firmado compromissos considerando as receitas provenientes dos contratos de patrocínio.
Presidente cita possibilidade de ação judicial
Outro ponto abordado na entrevista foi a possibilidade de reação dos clubes na Justiça. Montenegro afirmou que o Fluminense já identifica argumentos jurídicos para contestar a medida e citou, entre outros pontos, a segurança jurídica e a ausência de um período de transição mais amplo.
O presidente também questionou a efetividade da proibição diante da existência de plataformas ilegais de apostas e afirmou que os clubes deverão recorrer ao Poder Judiciário.
Não, sem dúvida. A gente tem alguns argumentos, né, para contestar essa medida do governo. O primeiro deles é, sem dúvida, a segurança jurídica. E aí aqui, de novo, sem entrar no mérito político da medida, o fato é que, do dia para a noite, sem nenhum período de transição, viola de forma muito clara as leis, né? Viola a Constituição. A gente tem outros pontos também que podem ser abordados, como por exemplo essa… o setor das bets arrecadou 9 bilhões ao governo entre janeiro e agosto de 2026. Então essa medida, ainda que de forma indireta, traz uma renúncia de receita ao governo, uma renúncia importante. E não vi na Medida Provisória que foi publicada nenhuma estimativa do impacto dessa medida. Então esse é um outro fator.
Sem falar no ponto especial, né, que é da efetividade da medida. Porque uma coisa é proibir as bets reguladas, outra coisa é proibir o jogo. O jogo, a gente sabe que nesse mundo digital é muito difícil que o governo consiga proibir tudo ao mesmo tempo, porque a cada dia tem mais bets ilegais no mundo. Então acaba que você está terminando com o setor que é regulado, que as empresas têm o controle sobre os apostadores — ou seja, sobre quem está no Minha Casa Minha Vida e não pode jogar, sobre quem está no Bolsa Família e não pode jogar —, e deixa o mercado livre… o mercado clandestino livre, né?
Então são vários pontos jurídicos que podem ser abordados, sem falar na questão da Medida Provisória que, pela Constituição, tem que ser relevante e urgente. Nesse caso, eu não tenho dúvida de que é relevante, mas não tem nenhuma urgência. Tinha projeto de lei debatendo o tema no Congresso que o governo havia ignorado ao longo desse tempo e agora resolve fazer via Medida Provisória. Então, argumento jurídico é o que não falta e, sem dúvida, os clubes vão recorrer ao Poder Judiciário.
A MP, de fato, foi editada com força de lei e está em tramitação no Congresso Nacional. O texto proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line.
Superbet já havia sinalizado saída
Durante a entrevista à CNN Brasil, Mattheus revelou ainda que a patrocinadora máster do Fluminense já havia comunicado ao clube que rescindiria o contrato caso a medida anunciada pelo governo fosse efetivada.
Segundo o presidente, após a publicação da MP ainda não houve uma nova notificação, mas o clube já havia sido informado previamente sobre a intenção da empresa.
O nosso patrocinador já havia enviado uma notificação dizendo que se o governo cumprisse a promessa de fazer a Medida Provisória, ele iria rescindir o contrato. Após a publicação da MP não teve uma nova notificação, mas eles já tinham avisado antes o que ia ser feito.
Camisas já produzidas preocupam o clube
O problema também chegou ao varejo. Como as camisas oficiais são fabricadas com antecedência, o clube possui atualmente produtos com a marca da patrocinadora já distribuídos para as lojas.
Montenegro afirmou que o Fluminense possui mais de 30 lojas oficiais e que existe um estoque significativo desses produtos. Com a proibição da publicidade das bets, os lojistas ficam diante da necessidade de retirar ou deixar de comercializar peças que já foram adquiridas.
O ponto a que me referi, Márcio, era sobre as lojas, né? Nós temos hoje mais de 30 lojas oficiais com um estoque muito grande. E é um prejuízo muito grande para o lojista, para os empregados das lojas, para as pessoas que trabalham no ecossistema. O futebol tem uma cadeia muito grande. Todos são prejudicados, mas especialmente nessa parte das camisas, os lojistas estão desesperados sem saber o que fazer porque não vão poder vender um produto que eles adquiriram. E a responsabilidade, no fim do dia, sempre volta para o clube, né? Então os lojistas vão pedir para o Fluminense ressarcir o prejuízo que eles têm. E a pergunta que eu faço é quem vai ressarcir o Fluminense?
O calendário também aumenta a pressão sobre o clube. O Fluminense volta a campo em 8 de outubro, após a Data Fifa, já dentro do período em que a publicidade das bets terá de ser retirada, conforme o cronograma estabelecido pelo governo.
Para o Tricolor, portanto, a medida interfere em contratos comerciais, materiais já produzidos, estoque das lojas e no planejamento financeiro do clube para os próximos anos. A possibilidade de uma disputa judicial deverá ser um dos próximos movimentos do Fluminense ( e de todo futebol brasileiro) diante do novo cenário.
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