Esporte News Mundo
·30 de julho de 2026
Primeiro título de Libertadores do Cruzeiro completa 50 anos; relembre a campanha

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·30 de julho de 2026

O dia 30 de julho está eternizado na história do Cruzeiro. Há 50 anos, o clube celeste conquistava pela primeira vez a Copa Libertadores da América e colocava seu nome entre os grandes do futebol sul-americano. Em uma campanha marcada por grandes atuações, superação e um gol que atravessou gerações, a Raposa levantava a Glória Eterna pela primeira vez.
O título veio após uma verdadeira batalha contra o River Plate, da Argentina, no Estádio Nacional de Santiago, no Chile. Em uma decisão emocionante, o Cruzeiro venceu por 3 a 2 no terceiro jogo da final e se tornou apenas o segundo clube brasileiro a conquistar a Libertadores, atrás somente do Santos de Pelé, campeão em 1962 e 1963.
A conquista também encerrou um longo período de domínio argentino e uruguaio na competição. Antes do Cruzeiro, o Brasil estava há 14 anos sem levantar a taça, em uma época marcada pela soberania dos clubes estrangeiros no cenário continental.
O Cruzeiro não era um estreante na Libertadores. A geração que havia conquistado a Taça Brasil de 1966, após vencer o Santos de Pelé, representou o clube pela primeira vez na competição em 1967. Em 1975, a equipe também participou do torneio, já com a base que seria campeã no ano seguinte.
Comandado por Zezé Moreira, o Cruzeiro fez uma campanha próxima da perfeição em 1976. Foram 13 jogos disputados, com 11 vitórias, um empate e apenas uma derrota. Ao todo, a equipe marcou 46 gols e sofreu 17.
Na primeira fase, a Raposa terminou na liderança de um grupo que contava com Internacional, Olimpia-PAR e Sportivo Luqueño-PAR. Foram cinco vitórias e um empate em seis partidas, garantindo a classificação.
Na fase seguinte, o domínio foi ainda maior. O Cruzeiro venceu todos os jogos contra LDU, do Equador, e Alianza Lima, do Peru, avançando para a grande decisão com 100% de aproveitamento.
Na decisão, o Cruzeiro enfrentou o River Plate, que contava com a base da seleção argentina campeã mundial em 1978. O primeiro jogo mostrou a força do time mineiro: vitória por 4 a 1 no Mineirão e uma grande vantagem para o confronto de volta.
Na Argentina, porém, o River venceu por 2 a 1 e levou a decisão para um terceiro duelo, já que o saldo de gols não era critério de desempate na época.
O palco da finalíssima foi o Estádio Nacional de Santiago, no Chile. Mesmo desfalcado de Jairzinho, expulso no jogo anterior, e sem contar com Dirceu Lopes em boa parte da campanha, o Cruzeiro mostrou sua força.
A equipe abriu 2 a 0, mas sofreu o empate e viu a partida se aproximar da prorrogação. Até que Joãozinho protagonizou um dos momentos mais marcantes da história do clube.
Aos 43 minutos do segundo tempo, o atacante cobrou uma falta e marcou o gol do título. O lance ficou ainda mais emblemático porque Nelinho era o cobrador oficial da equipe, mas Joãozinho assumiu a responsabilidade e garantiu a vitória por 3 a 2.
Além da qualidade técnica, o título de 1976 também foi construído em meio a grandes desafios. Zezé Moreira precisou lidar com perdas importantes durante a trajetória.
Dirceu Lopes, um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro, sofreu uma grave lesão no Tendão de Aquiles antes do início da Libertadores e ficou fora de boa parte da temporada. Para reforçar o elenco, o treinador participou da chegada de Jairzinho, o “Furacão” da Copa de 1970.
O atacante foi um dos grandes nomes da campanha e terminou a Libertadores como um dos artilheiros do time, com 12 gols. Porém, ficou fora da final contra o River Plate após ser expulso no jogo anterior.
Outro momento doloroso foi a morte de Roberto Batata. Titular e uma das referências daquele elenco, o jogador faleceu aos 26 anos em um acidente de carro após retornar de uma partida contra o Alianza Lima, no Peru.
Mesmo diante das dificuldades, o Cruzeiro seguiu firme e conquistou a América.
Raul; Nelinho, Moraes, Darci Menezes e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos e Eduardo Amorim; Joãozinho, Ronaldo e Palhinha.
Cinco décadas depois, a Libertadores de 1976 continua como uma das maiores páginas da história do Cruzeiro. Uma conquista construída com talento, resistência e um gol de Joãozinho que segue vivo na memória dos torcedores celestes.
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